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  • 28jan

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    (*) Lígia Fleury –

    ligia_fleury_04Sempre gostei de escrever. Quando adolescente, fazia meu diário, registrando tudo o que acontecia no dia a dia.

    Tinha caderno de poesia, de textos e aquele em que amigos escreviam mensagens de amizade ou letras de músicas.

    Antes, porém, na infância, o gostar de escrever já havia sido reconhecido pelo Estado, quando venci um concurso entre as escolas públicas do Estado de São Paulo, na antiga primeira série, com uma redação.

    O prêmio? Um disco de vinil colorido com música infantil que homenageava as mães e a entrega feita ao vivo na Rádio Bandeirantes. Pronto! Disco de vinil… entreguei a idade.

    Na escola e na faculdade, em palestras e congressos, sempre registrei todas as informações. Na graduação, inclusive, brincava muito com uma amiga querida que infelizmente já não está entre nós, que eu teria dois diplomas, porque escrevia por mim e por ela.

    Saudades disso tudo.

    Em minha trajetória profissional sempre precisei escrever relatórios de alunos, planejamentos, projetos, entrevistas e reuniões com pais e profissionais, diagnósticos, anamneses.

    Mas o que sempre me encheu os olhos foi a escrita espontânea, a possibilidade de criar. Recentemente, criei um blog, hoje lido em muitos países, em que escrevo sobre Educação.

    Nos últimos meses, entretanto, reconheço que reduzi a produção dos artigos e tenho refletido muito para entender o porquê, se para mim a escrita é um hobby.

    Hoje tenho clareza dos motivos e posso lutar contra eles; sempre acreditei que o problema maior é não saber qual decisão tomar – a indecisão é o pior estágio de um problema. Sabendo a resposta, boa ou ruim, a solução aparece. E foi o que aconteceu.

    Se minha escolha é escrever sobre Educação e tudo passa por ela, como escrever algo que seja otimista e que mobilize o leitor? O autor precisa acreditar em suas palavras para que seu leitor possa argumentar sobre elas; caso contrário, tudo se desconecta.

    Como eu continuaria criando se tudo o que acontece está na desconstrução? Ler jornal, ouvir notícias virou um tormento: mortes por nada, guerra, crianças na rua, adolescentes se prostituindo, atentados, vandalismo, roubalheira, desemprego, hospitais abandonados, insegurança, estiagem, desperdício, excesso de lixo, poluição, cursos de graduação em que professores não aparecem ou se eximem de suas responsabilidades docentes, e por aí vai.

    Para piorar, o canal de televisão ao qual a maioria da população tem acesso, se presta a gastar uma fortuna para expor um bando de gente que não faz nada além de exibir discórdias e cenas eróticas para engordarem a conta bancária.

    O número de telespectadores assusta muito e aponta o alto índice de brasileiros que se contentam com futilidades ao invés de um bom livro, uma conversa gostosa, um encontro com a família e amigos, uma ida ao cinema ou teatro, uma caminhada.

    Esse BBB é a falência de um país, é o retrato do nível cultural do brasileiro. Eu não suporto ouvir nem a chamada do programa!

    Por outro lado, é esse programa que emburrece a população que me tirou do marasmo em que eu me encontrava. Preciso escrever e criar oportunidades para que aqueles que pensam como eu, me ajudem a encontrar soluções viáveis para esse caos que se instalou entre nós.

    Vou insistir em meus textos e se eu souber que ao menos um leitor refletiu sobre minhas palavras e se mobilizou para fazer algo que melhore a qualidade de vida e dignifique nosso povo, já valeu!

    Quem sabe as palavras tenham alguma força sobre os que, como eu, podem esmorecer, mas jamais desistir.

    Vamos nos reeducar? Chega de BBB!!!

     

    (*) Lígia Fleury é psicopedagoga, palestrante, assessora pedagógica educacional, colunista em jornais de Santa Catarina e autora do blogeducacaolharcomligiafleury.blogspot.com.



    Publicado por jagostinho @ 17:58



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