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  • 21dez

    LE MONDE

    • Foto:- Xinhua/Vladimir Molina/Prensa Latina

      17.dez.2014 - Deputado cubano Raúl Súarez (centro), se emociona ao ouvir o discurso transmitido nacionalmente pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, sobre a restauração das relações com os Estados UnidosDeputado cubano Raúl Súarez (centro), se emociona ao ouvir o discurso transmitido nacionalmente pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, sobre a restauração das relações com os Estados Unidos

    Com o anúncio de que em breve serão retomadas as relações diplomáticas entre Havana e Washington, na quarta-feira (17), a cubana Ileana de la Guardia, filha do coronel Antonio de la Guardia, fuzilado em Cuba em 1989 depois de um julgamento stalinista, comemorou a “flexibilidade” inédita demonstrada pelos dois governos com a perspectiva de uma détente e uma normalização.

    Agora que os Estados Unidos não são mais o “inimigo”, as comunicações, o comércio e as visitas entre os cubanos da ilha e os exilados “não deverão mais suscitar críticas” por parte das autoridades de Havana, ela espera.

    No entanto, certos anticastristas históricos especialmente virulentos acreditam que o presidente Barack Obama capitulou diante da ditadura dos irmãos Castro.

    A intensificação das relações comerciais representariam na visão deles uma lufada de ar fresco, uma “boia salva-vidas” para um regime que é incapaz de relançar a produção e de transformar um sistema puramente estatal em economia mista.

    Ileana de la Guardia se mostra mais ponderada: “Mesmo que o aumento das trocas comerciais beneficie os oficiais, ele também beneficiará os trabalhadores autônomos, facilitará a ajuda dada pelas famílias expatriadas, contribuirá para o desenvolvimento e a prosperidade da ilha”, diz essa psicóloga refugiada na França.

    Segundo ela, para os jovens cubanos o conflito entre Fidel Castro e Washington “é coisa do passado”. “Os jovens querem compartilhar das oportunidades do mundo ocidental”, ela explica.

    “Sem espírito de revanche”

    A própria Ileana de la Guardia quer ir a Cuba após 24 anos de ausência. No entanto, ela duvida que o regime esteja disposto a voltar atrás no julgamento de 1989, o “caso Ochoa”, nome do general que voltou como herói da guerra de Angola, mas foi fuzilado junto com outros oficiais, entre eles o pai de Ileana.

    Considerar uma revisão e uma reparação das vítimas “seria uma iniciativa inteligente”, ela firma. “Contanto que ela seja feita sem espírito de revanche, para nos entender melhor e assim pacificar as relações entre os cubanos de diferentes opiniões.”

    O historiador Rafael Rojas, exilado na Cidade do México, também está contente, mas se mantém cauteloso.

    “O fim do desacordo diplomático não acarreta o fim do confronto ideológico, mas sim sua transformação, seu deslocamento para outros terrenos”, ele afirma.

    “O conflito continuará enquanto houver em Cuba um regime de partido único, o controle da sociedade civil pelo Estado e pela mídia, e repressão aos opositores”.

    Para ele, é agora que começam as complicações. “Não acredito em uma aceleração das mudanças econômicas que estão em andamento na ilha.”

    Em Cuba, a mídia censurou o discurso de Barack Obama, e os telespectadores tiveram de assistir a ele no canal venezuelano Telesur.

    Para a blogueira havanesa Yoani Sánchez, o anúncio representa uma “derrota política” para Raúl Castro, pois “o sistema cubano se apoia na existência de um inimigo permanente: Davi não pode viver sem Golias.”

    “Não há mais desculpas para justificar a repressão”

    Posto isso, para começar a “desmantelar o totalitarismo” e poder falar em “democratização”, Yoani Sánchez diz em seu blog “Geração Y” que seria necessário um “cronograma político” que inclua a libertação de todos os prisioneiros políticos, o fim da perseguição aos dissidentes, a ratificação dos pactos das Nações Unidas relativos aos direitos civis e políticos.

    Bem como aos direitos econômicos, sociais e culturais, assinados por Havana em 2008 mais jamais aplicados, e o reconhecimento de uma sociedade civil.

    Elizardo Sánchez Santa Cruz, o incansável presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, jamais reconhecida pelo regime, ressalta que não se sabe a identidade dos 53 presos cuja libertação foi anunciada na quarta-feira e que isso não é nem a metade dos prisioneiros políticos da ilha.

    “O governo não tem mais desculpa para justificar a repressão”, observa Elizardo Sánchez, um pilar da dissidência, muitas vezes acusado pelo governo de ser um “mercenário” a serviço de Washington.

    A Comissão que ele fundou é membro da Federação Internacional dos Direitos Humanos.

    O povo cubano está dividido entre alegria e surpresa. O “relaxamento” nas relações lhes parece ser um bom sinal.

    Alguns deles não hesitaram em atribuir esse “milagre” a São Lázaro, entidade venerada do sincretismo afrocubano, correspondente a Babalu Ayé, deus das doenças e da morte.

    A peregrinação tradicional de São Lázaro acontece justamente no dia 17 de dezembro de cada ano.

    Tradutor: UOL



    Publicado por jagostinho @ 16:28



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