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  • 01dez

    Bibiana Dionísio e Melina Santos – Do G1 PR

     

    ‘Abandonado’, terreno do Governo do Paraná é ocupado em Curitiba

    Jardim Maravilha corresponde a ocupação número 255 em Curitiba.
    São 76 famílias vivendo sem água e com energia elétrica a base do ‘gato’.

     

    PILOTO - não usar a foto - Ocupação em Curitiba ganhou o nome de Jardim Maravilha (Foto: Bibiana Dionísio/ G1)

    Ocupação em Curitiba no bairro Ecoville ganhou o nome de Jardim Maravilha (Foto: Bibiana Dionísio/ G1)

    Um terreno do Governo do Estado, no bairro Ecoville, abriga a mais recente ocupação irregular de Curitiba. Após 18 anos sem utilização, o espaço foi ocupado no mês de setembro e dividido em 76 lotes para famílias que dizem ter encontrado ali a opção para seguir vivendo.

    O espaço agora se chama Jardim Maravilha e, em meio a dificuldade de se viver em barracos, os moradores deixam transparecer a esperança de conquistar a casa própria.

    Nesta segunda-feira (1º), uma equipe da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) fará o cadastro das famílias. Algumas têm outro lugar para ficar como uma casa alugada ou residência de familiares, outros dizem que se não estivessem ali, estariam na rua.

    A ocupação se destaca por estar em meio a prédios luxuosos em uma região em que o metro quadrado de um imóvel custa mais de R$ 7 mil. Para os mais novos moradores, a área estava abandonada.

    As famílias dividiram entre elas os 12.000 metros quadrados do terreno, que foi dado ao governo estadual como pagamento de uma dívida tributária.

    Houve, de acordo com os moradores, a preocupação para que barraco algum ficasse a menos de 30 metros da margem do Rio Barigui, que está na parte de trás do terreno.

    A ocupação foi planejada e teve data marcada: 12 de setembro. De boca em boca, as pessoas combinaram horário e como tudo funcionaria. “No dia 12, quem entrou, entrou”, disse Djenifer Ledediess, 28 anos.

    Procurado pelo G1, o Governo do Paraná não informou se há algum projeto para o terreno e afirmou que tomou as medidas judiciais cabíveis, pedindo a reintegração de posse.

    A Secretaria de Administração e Previdência, que é responsável pelo patrimônio do Executivo, afirmou que a reintegração foi concedida, porém, está condicionada à realocação das pessoas que estão no local.

    Isso, acrescentou o governo, deve ser feito por intermédio da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba.

    Com o Jardim Maravilha, a capital paranaense atinge a marca de 255 ocupações irregulares. Destas, 164 ficam à beira de rios, e 43 convivem com o risco diário dos fios de alta tensão, de acordo com a Prefeitura de Curitiba. São 207.754 pessoas vivendo de modo improvisado e precário em 53.962 domicílios.

    PILOTO - Barraco em Curitiba  (Foto: Bibiana Dionísio/ G1)

    Barraco da mais nova ocupação de Curitiba não têm energia elétrica (Foto: Bibiana Dionísio/ G1)

    “Eu estou aqui não porque gosto. Estou aqui porque estou precisando. Se eu não tivesse invadido aqui, provavelmente, eu estaria debaixo de uma ponte. Eu não tenho recurso. O meu salarinho deu por água a baixo”, contou João Maria de Souza, 77 anos, que é aposentado.

    Ele mora com a esposa e três enteados. No pequeno barraco, as coisas estão amontoadas. Chama atenção um tanquinho que a família usa para lavar roupa.

    Como não há encanamento, as crianças vão buscar água no vizinho. Elas cruzam a ocupação tentando se equilibrar com o peso dos galões de água.

    Tudo o que a família tem veio de doação, e a decoração fica por conta de uma imagem de Jesus Cristo na parede. É apenas uma cama para cinco pessoas, e a esposa ainda está grávida do quarto filho.

    A esperança de João Maria é que o governo negocie com eles. “Nós não podemos pagar, mas uma prestação pequena a gente pode até tirar da boca de um filho e pagar, a gente vai se virando (…) Não interessa se é rico ou se é pobre, todo mundo tem direito de ter o seu terreninho também, não é?”

    Dois meses e meio após a ocupação, as casas têm luz graças aos “gatos” puxados das instalações elétricas vizinhas. Princess Constantino, de 20 anos, conta que agora eles dividem a conta de energia elétrica com uma moradora do outro lado da rua.

    Ele mora em um barraco que foi ampliado para receber a filha Heloísa, de um mês e meio. Mas como os demais domicílios, não há água, esgoto ou banheiro.

    Com o cadastro, os moradores do Jardim Maravilha entram na fila por uma casa subsidiada. Eles darão ainda mais volume a fila da Cohab que hoje tem quase 75 mil pessoas inscritas em Curitiba.

    Milton Pereira, que trabalha como pedreiro, tem cadastro há 20 anos. Ele conta que anualmente a Cohab exige atualização do cadastro, o que ele fez durante dez anos.

    “Depois eu não renovei mais. Eu falei para moça que ela estava de brincadeira comigo. Renovar dez vezes? Eu sinto que está abandonado, que eu não vou ter a minha casa”, disse.

    Outra moradora da ocupação conta que até procurou a Caixa Econômica Federal (CEF) para tentar comprar uma casa pelo programa Minha Casa Minha Vida, mas esbarrou na condição financeira.

    “Pagar a prestação é o de menos, é quase a mesma coisa que a gente paga de aluguel. Mas vivendo desse jeito, quem consegue guardar dinheiro pra ter esse absurdo que eles pedem de entrada?”, reclama.

    Ela conta que está desempregada e que o marido trabalha com aplicação de gesso. Ele recebe R$1.400,00 por mês. ” A gente paga R$ 600,00 de aluguel, mais água, luz, a comida, acabou o dinheiro”, disse.

    É um retrato do perfil dos inscritos na Cohab. A companhia afirma que 70% das famílias que vivem em ocupações irregulares, têm renda máxima de três salários mínimos.



    Publicado por jagostinho @ 09:26



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