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  • 23out

    FOLHA.COM

    Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nesta campanha, Dilma Rousseff (PT) mostra até que ponto a “ambição pelo poder” leva um político a mentir para ganhar uma eleição.

    “Ela não pode acreditar no que está dizendo. É verdade que fizemos a estabilização, que iniciamos os programas sociais. Dizer que não, para ganhar a eleição, me entristece”, afirmou à Folha.

    Nesta entrevista, FHC fala das chances de seu candidato Aécio Neves (PSDB) vencer a disputa ao Planalto e elogia a “lealdade” do tucano ao defender seu governo (1995-2002), algo que José Serra e Geraldo Alckmin não fizeram nas eleições anteriores.

    Marlene Bergamo/Folhapress
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante entrevista, no Instituto FHC
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante entrevista, no Instituto FHC

    *

    Folha – Pesquisas mostram que Aécio Neves chega à reta final com menos força do que quando começou o segundo turno. O que aconteceu?

    >>>   Fernando Henrique Cardoso – O que aconteceu com a Marina Silva [PSB]? Foi submetida a um bombardeio enorme. O bombardeio em cima do Aécio é enorme também.

    Ele tem resistido bem. Se for ver a quantidade de afirmações sobre o Aécio, sobre o PSDB ou sobre o meu governo que são falsas… E ainda assim ele chega competitivo. Os dados da pesquisa não são a palavra final. Ainda temos quatro dias.

    O PT usou seu governo para desgastar Aécio. O sr. acha que a avaliação de sua gestão prejudica os candidatos do PSDB?

    >>>   Se fosse isso, Aécio não estaria onde está. Veja, qual foi a tática do PT? Demonizar tudo o que fizemos.

    Nunca fui favorável à privatização indiscriminada, nunca quis privatizar o Banco do Brasil ou a Petrobras.

    Vejo a presidente Dilma se rebaixar a dizer que eu ia mudar o nome da Petrobras…

    Aécio diz que esta é a campanha de mais baixo nível mais baixa desde a redemocratização. O sr. concorda?

    >>>   Difícil dizer. O ataque maior hoje não é nos debates. É nas redes sociais. Eles dizem de tudo.

    Dizem que o eleitor não gosta, mas a pancadaria funcionou com a Marina…

    >>>   Aécio tem uma virtude: resiliência. Está em pé, com tudo isso aí. Agora fizeram uma nova distorção, que ele é agressivo.

    Ele não agrediu a Luciana Genro (PSOL). Disse que ela tinha feito uma coisa leviana. Isso não é agressão.

    Se você trata as mulheres com respeito, toma a sério as palavras que elas dizem.

    Respeitar a mulher é tomá-la como um competidor à altura.

    Em seu aniversário de 80 anos, Dilma mandou carta elogiosa ao sr. Agora, na campanha, ela o critica. Essa mudança de postura o surpreendeu?

    >>>   Nunca ataquei a Dilma pessoalmente. Discuto a política dela. Eu fiquei um pouco, digamos, entristecido de ver até que ponto a ambição pelo poder leva as pessoas a dizerem o que não creem.

    Ela não pode acreditar no que está dizendo. É verdade que nós fizemos a estabilização, que iniciamos os programas sociais.

    Dizer que não, para ganhar a eleição, me entristece. Que o Lula diga, não me incomodo.

    Ele diz qualquer coisa, é macunaímico’. Mas não considero a Dilma macunaímica’. A respeito.

    Por que o sr. acha que Aécio conseguiu chegar mais longe do que José Serra (2002 e 2010) e Geraldo Alckmin (2006)?

    >>>   Dizem que ele decidiu enfrentar as questões [críticas do PT à gestão de FHC]. Não acho que seja tanto isso.

    O que foi feito por mim, pertence à história. Agora, ele mostrou uma coisa que o povo valoriza: lealdade.

    Não fugiu da briga. E isso mostra caráter: esse cara tem lado’.

    E Serra e Alckmin?

    >>>   Não culpo nem Geraldo, nem Serra. Eles tinham lado também. O momento não era favorável. Não adianta dizer as coisas quando as pessoas não querem ouvir.

    Lula passou dez anos tentando destruir o que fiz. Neste momento, como a situação piorou, as pessoas abriram os ouvidos.

    Esta semana, Lula comparou os tucanos aos nazistas.

    >>>   Ele deu declarações no passado de que tinha admiração pelo Hitler [numa entrevista à Playboy, em 1979, Lula disse que admirava a obstinação do líder nazista, não sua ideologia].

    Vou chamar o Lula de nazista por isso? Ele é inconsequente, diz qualquer coisa.

    Lula usou a comparação para dizer que os tucanos querem destruir o PT…

    >>>   O PSDB quer ganhar a eleição, não destruir o PT. O Lula inverte os argumentos.

    Marina Silva deveria ter cargo num governo Aécio?

    >>>   Não sei se a Marina iria querer participar, mas as ideias dela têm que estar presentes, se não por ela, por alguém.

    Aécio tem usado o escândalo da Petrobras para atacar o governo Dilma, mas o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, foi citado como beneficiário do esquema.

    >>>   A menção é de um advogado que diz que o cliente disse isso. É muito vago. Tem que investigar, mas é muito vago e eu não posso ir além.

    A presidente costuma rebater as acusações de Aécio dizendo que, no seu governo, nada era investigado…

    >>>   Não é verdade. Não tinha base para seguir adiante. Alguns foram para a Justiça. Não tinha nada.

    O PT diz que a corrupção aparece mais agora porque o governo Dilma investiga…

    >>>   A defesa deles é: O outro também fez”. Isso é ruim, deseduca. A repetição leva à crença de que todo mundo participa desse sistema.

    Aécio prega o fim da reeleição, que o sr. instituiu…

    >>>   Não vou me opor. Pessoalmente, sou favorável ao sistema de reeleição. Acho que é cedo para mudar.

    A falta de água em São Paulo pode prejudicar Aécio?

    >>>   Foi feita uma pesquisa interna e ela mostra que o eleitor votaria de novo em Alckmin para governador, então…

    O sr. mora em Higienópolis, é abastecido pelo Cantareira. Tem água em casa?

    >>>   Em casa tem. Sou econômico em tudo, até na água! 

    Publicado por jagostinho @ 11:37



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