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  • 10out

    VEJA.COM/Ana Clara Costa

    O economista Armínio Fraga, durante entrevista coletiva

    O economista Armínio Fraga, durante entrevista coletiva (Ana Paula Paiva/Valor/Folhapress)

    Mal começou a segunda fase da corrida presidencial e a artilharia petista já se empenha em desconstruir os feitos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) para atacar a campanha de Aécio Neves.

    A retórica dos “fantasmas do passado” tem sido usada para assustar eleitores. Dilma Rousseff cita os juros altos da época e a taxa de desemprego como tática de guerra, sem explicar que tais medidas foram necessárias para que o país recuperasse a estabilidade. 

    Nesta quarta, em Teresina, a candidata chegou a dizer à população da capital piauiense que o PSDB “despreza o Nordeste”.

    Segundo Armínio Fraga, que pilota a equipe econômica da campanha de Aécio e será o ministro da Fazenda caso o tucano vença, as comparações precisam  ser contextualizadas.

    “É natural que, passados doze anos, muita coisa tenha melhorado no Brasil, como resultado do controle da inflação e da estabilidade. É preciso ser cuidadoso na hora de comparar”, afirmou o economista em entrevista ao site de VEJA.

    Segundo Fraga, que foi presidente do Banco Central de 1999 a 2002, a alta dos juros era a única forma de permitir o controle da inflação após a flutuação cambial colocada em prática em 1999.

    Após os ajustes, a economia retomou a trajetória de crescimento. “Apresentadas fora de contexto, as informações não fazem jus ao desafio que se enfrentou anos atrás. Fernando Henrique assumiu o país com hiperinflação, moratória, onde um telefone custava o equivalente a 30.000 reais. E entregou a Lula um país com inflação controlada, um país estável”, diz.

    Leia trechos da entrevista:

    O debate econômico é de extrema importância nestas eleições. Mas, de certa forma, o eleitor médio nem sempre entende as informações que são apresentadas. Como o PSDB tem feito para se comunicar com esse eleitor sobre os problemas econômicos que o Brasil enfrenta?

    >>>   O brasileiro está percebendo aos poucos o que está acontecendo. É da natureza do modelo populista que as interferências na economia demorem um tempo até serem percebidas.

    E as pessoas já estão sentindo a inflação pesar no bolso, as coisas estão mais caras, o orçamento está mais apertado e, para muita gente, pagar o crediário tem sido um desafio.

    Na outra ponta, o emprego já não é mais o mesmo, a indústria está cortando vagas e a população está vendo isso. Há uma percepção clara de que as coisas não estão bem.

    Uma das principais reclamações dos empresários em relação ao governo Dilma é a mudança de regras. Se Aécio Neves ganhar, abandonar de imediato as políticas de intervencionismo significa mudar novamente as regras. Como conduzir isso sem maiores estragos?

    >>>   A base de tudo é a clareza e a transparência, algo que não vemos hoje. O problema não são as regras, mas a forma como são impostas.

    O que atrapalha é quando a mudança é arbitrária, aleatória, feita de acordo com o ponto de vista de um indivíduo ou de um setor. Em infraestrutura, por exemplo, os investimentos estão travados.

    Dar clareza para esse investidor em relação às condições de investimento e sobre como o governo vai cumprir sua parte é primordial.

    A infraestrutura depende, em muitos aspectos, do governo. Não se pode ignorar isso. Para que o dinheiro volte a entrar no setor, é preciso mudar todo o regime, não apenas regras. É preciso que o investidor confie novamente.

    O setor elétrico foi alvo de muitas mudanças regulatórias que impactaram a saúde das empresas, em especial as distribuidoras de energia. Agora, o contribuinte paga a conta. Num possível governo de Aécio Neves, como recuperar o equilíbrio?

    >>>   O setor elétrico será prioridade no primeiro ano e requer urgência. O investimento em energia está atrasado e defasado. Não adianta dizer que o problema é apenas falta de chuva, se o investimento que precisava ser feito não aconteceu.

    O Brasil foi pego desguarnecido pela estiagem. E esse é um problema criado pelo governo. O que “aliviou” um pouco a pressão sobre o setor foi o baixo crescimento. Uma constatação triste, dado o potencial do país.

    O senhor tem prometido conduzir a recomposição da meta fiscal e a queda da inflação ainda em 2015, em caso de vitória. É possível cumprir um prazo tão curto?

    >>>   Não só é possível, como faremos isso. Muita coisa tem de ser corrigida e eu penso que uma resposta a esse quadro de inflação alta e crescimento baixíssimo exige mais do que um acerto macroeconômico.

    Também será preciso conduzir a agenda estrutural microeconômica o mais rápido possível. E é possível porque não pretendo fazer tudo sozinho. Há pessoas engajadas cuidando de diversas áreas. Se não for assim, não se conduz a economia de um país.

    A reforma tributária com criação do imposto único (o IVA) também em 2015 seria uma hipótese viável?

    A reforma tributária vai ter como foco com os impostos indiretos, como ICMS, IPI e PIS-Cofins, e será apresentada logo no início.

    Estamos trabalhando precisamente nisso. Ela tem algumas etapas que podem ser postas em prática antes de outras.

    É difícil estimar um prazo exato para se chegar ao fim da linha com o IVA. Mas isso deve ser concluído num prazo de um a dois anos. Talvez mais para dois.

    Colocar em prática essa reforma logo no primeiro ano de governo, ao mesmo tempo em que se pretende recompor a política fiscal, não é missão impossível? Afinal, a reforma pode impactar a arrecadação.

    >>>   Não acho, porque nós não esperamos impacto negativo. Esperamos um impacto inicial neutro, mas que a arrecadação rapidamente se recupere e melhore com a queda na incerteza dos empresários em relação à economia. Em especial, os empresários brasileiros.

    O PT já sinalizou que vai usar o desempenho da economia durante o governo FHC para atingir Aécio. Trata-se de um período de taxa de juros e de desemprego mais altas. Qual será a contra-artilharia?

    >>>   Primeiramente, é preciso olhar as coisas em seu devido contexto.  É muito natural que, passados doze anos, muita coisa tenha melhorado no Brasil, como resultado do controle da inflação. É preciso ser cuidadoso na hora de comparar isso.

    O caso dos juros é um ótimo exemplo. No início de 1999, a taxa de câmbio flutuou aqui no Brasil e criou-se um grande receio de que a inflação voltaria. E fez parte do processo de estabilização lidar com a flutuação do câmbio.

    Sabia-se, no início, que o trabalho de estabilização não terminaria da noite para o dia. Sabia-se naquele momento que a expectativa de inflação estava desgovernada, entre 20% e 50% ao ano.

    Havia uma expectativa de que o PIB cairia 4%. Nós tomamos as providências que hoje são bem conhecidas e, no fim, houve crescimento positivo no PIB naquele ano. A inflação encerrou em 9%, bem abaixo das expectativas.

    Preservaram-se os ganhos do Plano Real e se evitou a indexação. Apresentadas fora de contexto, as informações não fazem jus ao desafio que se enfrentou anos atrás.

    Fernando Henrique assumiu o país com hiperinflação, moratória, onde um telefone custava o equivalente a 30.000 reais. E entregou a Lula um país com inflação controlada, um país estável.

    Eu acho sempre bom trazer o exemplo daquela época de maneira honesta. Isso enriquece o debate. Mas, mais importante que isso é se perguntar onde o país está, quais são as perspectivas e o que será feito no ano que vem pra melhorar um quadro econômico que já é bastante desolador.

    O investimento está travado, a inflação está alta, apesar de todos os controles. Há um quadro fiscal extremamente preocupante, um potencial de crescimento em tendência de queda, recessão técnica. Ou seja, a economia precisa ser debatida e entendida.

    Em campanha, o governo insiste que a culpa é da crise internacional.

    >>>   Fica difícil provar isso quando se analisa as perspectivas mais recentes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento global este ano será de 3%, e o do Brasil, quase zero.

    Na América Latina, durante os últimos quatro anos, o crescimento está dois pontos porcentuais acima do Brasil. E olha que na região há Venezuela e Argentina, o que não é exatamente um parâmetro muito exigente. E o Brasil está parado.

    O senhor está preparado para ser alvo da campanha adversária?

    >>>   Eu acho que é do jogo, desde que as declarações sejam verdadeiras. O que tem acontecido comigo é que eles têm citado declarações que eu não fiz.

    Aí já acho uma coisa mais complicada. E a outra coisa que precisa ser esclarecida é o contexto das comparações. É obrigação de qualquer governo deixar as coisas melhores do que ele encontrou.

    Então, a comparação com doze anos atrás precisa ser feita com certo cuidado. Mas já se espera que a discussão descambe para o lado contrário ao debate. A esperança é que, no fim, como dizem os antigos, a mentira tem perna curta.

    Num período de ajuste fiscal, é possível manter e ampliar a inclusão social?

    >>>   É essencial que se mantenha a responsabilidade fiscal e que o país cresça para que se possa ampliar as políticas de inclusão.

    Essa é a base do problema hoje. As políticas sociais nas mãos de um governo que faz a economia crescer serão melhores e mais amplas.

    Para se ter uma ideia, o crescimento dos gastos sociais nos governos Itamar Franco, FHC e Lula foi de cerca de 1,5 ponto porcentual do PIB em cada um.

    No governo Dilma, foi de um ponto porcentual. É um exemplo claro de como o baixo crescimento impacta as políticas de inclusão.

    Publicado por jagostinho @ 14:45



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4 Respostas

WP_Cloudy
  • prof. Elisa Disse:

    Jota, o Arminio tem que ser criticado sim ; o próprio FHC como presidente, em uma reunião no exterior reconhece a inflação no BRASIL, da época; afirmando com a maior cara de pau , na frente do Bill Clinton e outras figuras em um congresso,´ que no seu governo em UM DIA o BRASIL perdeu : HUM MILHÃO de DÓLARES, em um dia somente . ( ver video no BLOG DO TARSO )

  • Camacho Disse:

    Professorinha de araque, de codinome Elisa, vai falar bosta como tua presidanta rima com ANTA, em outro lugar. Se for pegar videos no YOU TUbe das cagadas de Lula e Dilma vai faltar espaço. E esse Tarso é um comunistinha de araque que gosta de uma mordomia. Se ligue , bobona !!!!!

  • Fabíola Disse:

    Turma do PT está desesperada. Logo vão achar documentos da pré-história que condenam o FHC. Aécio é mais preparado e Armínio será um grande colaborador.
    E faxina e paredão para os ladrões do povo, esta turminha do PT.

  • prof. Elisa Disse:

    É, o grupelho de comissionados está atento em todos os blogs; mas contentes, porque vão continuar mamando por mais quatro anos ! Espero que o estado aguente. Eles devem saber que empréstimo federal só vem depois do carnaval; a DILMA será generosa, mas deve condicionar a ajuda, somente para o pagamento do 13º dos servidores do estado.A gazeta, tribuna,os jornalecos do interior e a globo vão ter que esperar um pouco mais; mas não vão achar ruim, porque ja receberam muito pelas eleições, e trabalharam bem.

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