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  • 08out

    JORNAL HORA DO POVOHORA DO POVO

    Campanha do tucano estava enterrada, mas ganhou fôlego e chegou ao segundo turno com grandes chances de ganhar

    Dilma conseguiu um milagre. Exumou um cadáver eleitoral – uma candidatura que já tinha sido ingloriamente sepultada – e agora ele está em seus calcanhares, assombrando-a, com uma boa possibilidade de devorá-la, tal como dizem que alguns zumbis fazem com outros zumbis, na falta de coisa melhor para comer.

    Comecemos pelo que mais interessa: se Aécio Neves for eleito e o PSDB voltar ao Planalto, a responsabilidade é inteiramente da senhora Rousseff e de sua campanha.

    O fato é que a campanha de Dilma contra Marina catapultou a candidatura de Aécio diretamente da cova para os 33,55% (34.897.211 votos) que conseguiu. Dilma conseguiu derrubar a votação de Marina. Mas à custa de promover um candidato fraco, e já descartado, para um resultado melhor que o de Serra no primeiro turno de 2010 – e com uma tremenda chance de ser eleito.

    No primeiro turno, em 2010, Dilma saiu com 14,29 pontos percentuais (p.p.) acima de Serra. Agora, essa diferença, para Aécio, caiu para 8 p.p., portanto, a diferença em 2010 era 77% maior que a de 2014.

    O crescimento de Marina Silva já enterrara a candidatura de Aécio. Em pânico, temendo, antes de tudo, prestar contas por um governo desastroso – em que tudo, absolutamente tudo, piorou e regrediu em relação ao governo Lula -, ao invés de defender seus atos e ações, ou fazer autocrítica diante do povo, Dilma preferiu dizer que aquilo que existiu no seu governo foi o contrário do que existiu – e despejar um Niágara (ela prefere as coisas norte-americanas) de infâmias contra Marina Silva.

    Com a atual legislação eleitoral, de 1997, basicamente antidemocrática – pelas condições desiguais entre candidatos e partidos -, isso funcionou em parte, porque Dilma tinha seis vezes mais tempo na TV do que Marina, e, claro, muito mais dinheiro. Mas é um mérito – quase um fenômeno – que Marina, com tal disparidade de forças, fosse votada por 22.176.619 brasileiros e brasileiras (21,32% dos votos válidos e 13% acima da sua votação anterior).

    Como já apontamos – e não apenas nós – a campanha de Dilma, para fugir ao que fez no seu governo, adotou Herr Goebbels como patrono: “uma mentira muito repetida torna-se verdade”.

    Assim, os mais altos juros do mundo, na propaganda de Dilma, inclusive em sua boca, se tornaram “os mais baixos juros já pagos no país”.

    A entrega do campo de Libra – o maior campo petrolífero do mundo, no pré-sal – com a entrada, contra a Petrobrás, da Shell e da Total (e a ordem de atirar nos que se manifestavam contra esse atentado ao país), se tornou “defesa da Petrobrás e do pré-sal”.

    A lei dos royalties para a Educação, que Dilma foi contra do princípio ao fim – mas teve, derrotada na Câmara, de engoli-la – virou lei “proposta por Dilma”.

    Nem falaremos dos números exibidos nessa campanha repugnante, números absolutamente lunáticos, de tão mentirosos, agredindo a inteligência dos espectadores, quer dizer, dos eleitores.

    Apenas mencionaremos a falsificação, por Dilma, do voto de Marina Silva na questão da CPMF, quando todos os então senadores do PT – além de Marina, Eduardo Suplicy, Emília Fernandes, José Eduardo Dutra e Benedita da Silva – votaram a favor dessa contribuição, com declaração de voto explícita do então líder da bancada, José Eduardo Dutra.

    Para tentar desmoralizar Marina, valia tudo – sobretudo a fraude.

    Mas o que queriam esconder com essa campanha suja?

    O fato de que, no governo Dilma, o país teve o crescimento mais baixo da História da República. Tão baixo que, na segunda-feira, ao ser questionada sobre isso, Dilma disse: “compare a minha recessão com a dele [de Aécio, isto é, de Fernando Henrique]”.

    Quer dizer que, agora, os eleitores terão de escolher qual a melhor recessão, qual o melhor desemprego e qual a melhor miséria? E o crescimento que vá para aquela parte? Pois, quem se importa com o crescimento?

    Só o povo. Sem crescimento, não há emprego decente e não há salário decente. Faz lembrar o grande Luiz Gonzaga:

    Seu doutô os nordestino têm muita gratidão/ Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão/ Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/ Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão/ É por isso que pidimo proteção a vosmicê/ Home pur nóis escuído para as rédias do pudê/ Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê/ Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê/ Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage/ Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage/ Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage/ Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage/ Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão/ Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!/ Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão/ Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mãos“.

    No entanto, Dilma destruiu a indústria – no Sudeste e no Nordeste – e os empregos industriais. Além de paralisar a transposição do São Francisco.

    Portanto, ao tentar impedir que Marina discutisse os problemas nacionais, Dilma tirou a candidatura de Aécio dos quintos dos infernos para colá-la, no primeiro turno, atrás de si (sem qualquer duplo sentido), carecendo, no segundo turno, desesperadamente, dos votos de quem, ao modo de Lacerda, agrediu, difamou e espargiu lama. E, ainda por cima, sem a mídia que, até aqui, a acoitou. Realmente, um grande negócio. Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao Diabo que o carregue. Depois, não adianta culpar outros pela própria burrice.

    A campanha de difamação e mentiras detonada por Dilma foi incapaz – exceto tangencialmente – de ganhar votos que antes estavam com Marina. O que houve foi uma transferência de preferências de votos em Marina para Aécio – induzida pelo noticiário, naqueles últimos dias antes da eleição em que não há programa eleitoral na TV e nas rádios (pois é claro que a mídia aproveitou a oportunidade que a campanha de Dilma lhe abria).

    Não se trata de um apoio ao que é ou representa Aécio – simplesmente, um movimento dos eleitores que rejeitam Dilma, aliás, a maioria.

    Quanto ao mundo político, passado o primeiro turno, segundo Temer, o PMDB está numa situação tal que, se Dilma subir em algum palanque, a casa cai; até o combativo governador eleito do Maranhão, Flávio Dino, comunicou que não decidiu quem vai apoiar no segundo turno, porque “o PSDB e o PSB foram determinantes para a minha vitória. Não posso dar cavalo de pau em transatlântico e trem“.

    No domingo, o ex-presidente Lula disse que o problema de Marina era que “ninguém inventa candidatura de última hora”. Por isso, ela não iria para o segundo turno.

    O ex-presidente equivocou-se: a candidatura de Marina não foi “de última hora”. Ela apenas teve que substituir Eduardo Campos, após a trágica morte do líder pernambucano, na chapa de quem era candidata a vice-presidente. Provavelmente, Lula esqueceu-se, por um momento, da morte de Eduardo, apesar de ter declarado, quando de seu falecimento, que, “eu e Eduardo Campos éramos como pai e filho”.

    Não era, aliás, o que a campanha de Dilma propagava, chamando Eduardo de “traíra do agreste” (só quem não sabe o que é zona do agreste, poderia inventar uma porcaria dessas).

    Nós já sabíamos que o ex-presidente ainda não percebeu que Dilma traiu o seu legado.

    Bem, ninguém é perfeito. Nem o Lula.

    CARLOS LOPES

    Publicado por jagostinho @ 17:21



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