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  • 09jun

    VEJA.COM /Marcella Mattos, de Brasília

    CRIADO PARA SE ALINHAR À DIREITA, PARTIDO PROGRESSISTA TEM HISTÓRICO RECENTE COMO SATÉLITE DO PT E COLECIONA ESCÂNDALOS QUE VÃO DO MENSALÃO À LAVA-JATO

    Paulo Octávio

    FICHA – O empresário e ex-vice-governador do Distrito Federal Paulo Octávio, mais um político do PP no noticiário policial(Sérgio Lima/Folha Imagem)

    Na noite da última segunda-feira, uma cena mais uma vez arrastou um personagem do universo político para o noticiário policial: Paulo Octávio, ex-vice-governador do Distrito Federal e um dos mais notórios empresários do ramo imobiliário de Brasília, foi preso.

    Paulo Octávio, ou PO, como é conhecido, é investigado por integrar uma organização criminosa que corrompia servidores públicos em troca da liberação de alvarás de construções em áreas irregulares.

    Réu no chamado mensalão do DEM, ele filiou-se recentemente ao Partido Progressista, o PP, legenda que tem sido presença contínua no histórico de escândalos de corrupção no Brasil.

    Nos últimos anos, dezenas de políticos e apadrinhados do PP foram flagrados envolvidos em encrencas – a maioria delas, grave. A mais recente resultou na Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que apura um megaesquema de lavagem de 10 bilhões de reais.

    Um dos personagens centrais do caso é o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, executivo que chegou à diretoria da maior estatal brasileira por indicação do partido.

    E a ligação da sigla com o escândalo não para aí. As investigações da Polícia Federal revelaram que Costa e o doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema, mantinham uma estreita relação com diversos políticos e partidos.

    A lista:  os deputados federais Nelson Meurer (PR), João Pizzolatti (SC), Aline Corrêa (SP) – filha do ex-presidente da legenda Pedro Corrêa, preso no mensalão –, além de Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades.

    O deputado Luiz Argôlo (BA), também investigado na operação, trocou recentemente o PP pelo Solidariedade.

    ORIGEM

    Reformulado em 2003, o Partido Progressista tem raízes na Arena, agremiação que deu sustentação à ditadura militar no Brasil.

    Na década de 1990, após a fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão, nasceu o Partido Progressista Reformador (PPR), que mais tarde seria transformado em Partido Progressista Brasileiro (PPB), até virar o PP.

    Em São Paulo, um dos expoentes do partido é o ex-prefeito Paulo Maluf, um dos brasileiros que integra a lista de homens procurados pela Interpol.

    Maluf é investigado por desvio de recursos na construção de obras públicas e envio de remessas para contas bancárias no exterior. O ex-prefeito foi condenado pela Justiça no ano passado e perdeu seus direitos políticos por cinco anos.

    Após a decisão, Maluf licenciou-se do diretório paulista do PP, mas voltou ao comando da legenda com a missão repetir o abraço do partido com o PT.

    Seu partido oficializou apoio à campanha do ex-ministro Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo, repetindo a fórmula usada na eleição do prefeito Fernando Haddad (PT).

    Com 40 deputados na Câmara, o PP é tratado como prioridade no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

    A agremiação possui o quinto maior tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão – estima-se que tenha direito a um minuto e vinte segundos no pleito deste ano.

    Para assegurar o apoio do PP, o governo federal firmou o compromisso de manter o Ministério das Cidades, um dos maiores orçamentos da Esplanada, sob o comando da sigla.

    Essa opção, entretanto, já custou caro ao Palácio do Planalto: em 2012, o então ministro e hoje conselheiro do Tribunal de Contas nos Municípios da Bahia Mário Negromonte foi demitido após ser acusado de pagar mesada de 30.000 reais a deputados do PP. Seus auxiliares também deixaram a pasta pela porta dos fundos.

    “Não vou falar que é uma coisa agradável. Lógico que é desconfortável fazer parte de um partido envolvido em escândalos, mas isso existe em todos os partidos”, ponderou o deputado Guilherme Mussi (SP), que migrou para o PP no ano passado.

    Apesar do histórico recente como partido satélite do PT, a sigla tem raízes na direita desde o nascimento como Arena, agremiação que deu sustentação à ditadura.

    Após a redemocratização do país, também já foi chamado de Partido Progressista Reformador (PPR) e Partido Progressista Brasileiro (PPB).

    Na Câmara, ainda restam deputados que causam dor de cabeça ao governo, como o gaúcho Luiz Carlos Heinze, da bancada ruralista, e Jair Bolsonaro (RJ), crítico mordaz da esquerda. 

    “Fisiologismo é o nome do jogo. Vemos hoje a transformação de um partido que apoiou o governo militar para um partido político normal, atrás de verbas e de cargos no governo. A ideologia foi parar na gaveta, e acabou sendo substituída pelo imediatismo e pelo projeto de reeleição. O PP está em uma luta de sobrevivência para não virar nanico e, assim, fica nas mãos do governo. Sem o governo não há salvação”, afirma David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

    O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), uma das lideranças na Câmara, rebate: “O partido tem doutrina e é partido antigo. O problema é que os métodos mudaram. E esses métodos aparecem do governo Lula para frente, com troca de favores em prol de cargos no governo. Esse método contaminou todos os partidos e só vai mudar depois que houver uma reforma política”.

    Publicado por jagostinho @ 14:01



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