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  • 23fev

    PARANÁ POLÍTICA/GUILHERME DE ALMEIDA

    ARTIGO DE FÁBIO DUARTE

    VISTA DE CURITIBA FOTO NANI GOIS DATA 16.03.2005Quando Curitiba perdeu a modéstia, ela se perdeu. Na cidade apequenada na tirada infame de Millôr Fernandes (“ritiba” = “do mundo”), um dia a prefeitura decidiu devolver a rua principal aos pedestres, e a Rua XV virou a Rua das Flores.

    Disseram – e dizem ainda – que a Rua XV foi “fechada”. Ela não foi fechada, ela foi aberta aos pedestres que somos todos nós.

    Então, na cidade chuvosa, foram criados parques em áreas pantanosas, em áreas para contenção de cheias, em pedreiras abandonadas.

    E, para ligar esses parques, uma malha de ciclovias ao longo de rios que cortam Curitiba, em áreas que em outras cidades ficam abandonadas.

    E, para ampliar as ciclovias, usaram as áreas inapropriáveis ao longo da estrada de ferro.

    E uma cidade que, além do Teatro Guaíra, tinha poucas opções de lazer ocupou um fábrica desativada para fazer um centro de criatividade, e ocupou um paiol de pólvora para fazer um teatro – e ainda convidou o Millôr Fernandes!

    Todos esses projetos foram feitos para que as pessoas de Curitiba os usassem. Não foram pensados para os turistas. Não foram pensados para serem vistos, mas para serem vividos no cotidiano.

    E, no entanto, justamente por causa disso, eles passaram de boca em boca e fizeram Curitiba ser um exemplo de uma cidade que consegue inovar com soluções modestas.

    Aos poucos esses projetos foram se rarefazendo. Ainda há iniciativas estimulantes de ocupação de espaços públicos, como a conversão do Paço das Artes em um Sesc, o movimento para revitalizar o Passeio Público, a reabertura da Ópera de Arame, a reforma do Mercado Municipal.

    Mas infelizmente são projetos que parecem descolados de uma visão geral da cidade. Nos últimos anos esses projetos foram sobrepujados por outros vultosos, quase todos de alguma maneira ligados ao fato de Curitiba sediar a Copa do Mundo.

    A Copa do Mundo não é a culpada. Ela é o veículo para mentes grandiloquentes – não grandiosas.

    Na primeira vez que vi uma imagem da cidade do Google Earth, vi um estádio pela metade. Achei que era uma erro do Google.

    Ao me mudar para cá, vi que não. Quando Curitiba foi escolhida para sediar a Copa, e sabíamos que seriam jogos secundários, e o desenho financeiro para completar o estádio nos padrões da Fifa foi divulgado, senti que um dia ainda iria sentir saudades do meio estádio.

    Quase fazia parte da Curitiba modesta: podíamos ser campeões com meio estádio.

    Talvez o símbolo do desprestígio com as soluções modestas mais eficientes seja a ponte estaiada da Avenida das Torres.

    Não é preciso ser engenheiro para saber que uma obra ali era necessária, mas que uma trincheira daria conta.

    O prefeito da época chegou a dizer que Curitiba também merecia uma ponte estaiada, assim como São Paulo.

    Como assim, São Paulo? Onde erramos que precisamos nos inspirar em São Paulo?

    Houve um tempo em que os prefeitos passavam quatro ou oito anos na prefeitura não com a esperança de chegar ao Palácio Iguaçu, mas sim de jogar conversa fora na Boca Maldita, de encontrar vizinhos no jardim ambiental do bairro (jardim ambiental, outra ideia simples), ir ao novo parque com familiares e cidadãos – e não eleitores.

    Houve um tempo em que Curitiba era modesta. Era boa. E isso a fez ser conhecida mundialmente.

    Fábio Duarte, arquiteto e urbanista, é professor e coordenador do programa de pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR.

    Publicado por jagostinho @ 16:08



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