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  • 11fev

    VEJA.COM

    AUGUSTO NUNESAi da PM se os ferimentos que resultaram na morte de Santiago Andrade tivessem sido causados por uma bala de borracha ou uma bomba de gás lacrimogêneo.

    Antes que se identificasse o autor do disparo, todos os policiais militares, do comandante da corporação ao mais raso dos soldados, estariam alinhados no paredón da imprensa, diante do pelotão de fuzilamento formado por repórteres que dividem qualquer manifestação de protesto entre bandidos e mocinhos.

    Os bandidos usam fardas, botas e capacetes. Mocinhos são todos os outros, e como vítimas devem ser tratados.

    Mesmo quando matam um cinegrafista de 49 anos que cobria para a Band mais um conflito urbano no Rio, comprova o noticiário dos jornais do domingo sobre Fábio Raposo, que se apresentou à polícia para confessar que participara do que ainda era uma tentativa de homicídio.

    Nem precisava: as imagens no vídeo mostram Raposo entregando a um comparsa o rojão que logo explodiria na cabeça de Santiago Andrade. Ambos aparecem vestidos como black blocs. Ambos agiram como black blocs.

    Mas repórteres e redatores decidiram que o cúmplice confesso não deveria ser associado a essa tribo de selvagens sem causa, sem rosto e sem cérebro.

    Aos 23 anos, com um prontuário de desordeiro vocacional, Fábio Raposo não estuda nem trabalha. Como qualificá-lo com a brandura ?

    “Tatuador”, concordaram os dois maiores jornais paulistas, que se dispensaram de localizar um único e escasso cliente do artista.

    Antes que algum leitor perguntasse pelo inexistente local do emprego, a Folha acrescentou o adjetivo esperto: “Tatuador independente”.

    Toscas na forma, indigentes no conteúdo, as reportagens também escararam a anêmica criatividade dos escalados para esganar os fatos.

    No Estadão, por exemplo, foi indiciado não um black bloc, mas um “jovem” (ou um “rapaz”).

    Além de encampar essas idiotices que transformam faixa etária em profissão, a Folha também resolveu que black bloc é um meio de vida como outro qualquer e, por consequência, Raposo lida com atribuições próprias de quem exerce a atividade de “manifestante”.

    Faltou explicar se o manifestante profissional paga o aluguel do apartamento no Méier, onde mora sozinho, com o dinheiro das tatuagens ou com o que arrecada berrando palavras de ordem várias horas por dia.

    Consumada a tragédia, os torturadores da verdade terão de caprichar muito mais nas acrobacias vocabulares forjadas para absolver Raposo.

    A morte de Santiago transformou o black bloc escondido em substantivos malandros num caso de polícia.

     Quem continuar enxergando apenas um “jovem”, “tatuador” ou “militante” no cúmplice confesso de um homicídio merece cadeia por excesso de cinismo.

    Publicado por jagostinho @ 14:37



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