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  • 11fev

                                                         BOCA FECHADA

    Publicado no Blog do Noblat

    Concorda com a frase ‘Na política nunca podemos dizer nunca‘?

    Bem, eu concordo. E parto dela para compartilhar com vocês o que penso.

    Por exemplo: Sarney apoiou a ditadura militar de 1964 até à véspera de ela cair 21 anos depois.

    Então, rapidinho, passou para o lado dos que a combatiam. Entendeu?

    É confuso. Outro exemplo? Em 1989, Lula e Collor brigaram pela presidência da República.

    Collor ganhou chamando Lula de comunista. Lula perdeu chamando Collor de desonesto.

    Hoje, um apoia o outro.

    Último exemplo?

    Foi Lula quem fez Joaquim Barbosa ministro do Supremo Tribunal Federal. Os dois sempre estiveram do mesmo lado.

    No último sábado, sem citar o nome dele, Lula bateu duro em Joaquim. Acusou-o de ter condenado inocentes.

    Sugeriu que Joaquim será candidato a alguma coisa.

    Por que Lula procedeu assim? Porque o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, contou à VEJA o que ouviu de Joaquim no final do ano passado.

    Em resumo, Joaquim disse que cansara. A experiência de ser ministro já estava de bom tamanho para ele.

    Desde então, segundo Marco Aurélio, “ventila-se” no Supremo Tribunal Federal (STF) que Joaquim será candidato à vaga de Dilma.

    (Contenha a euforia, Noblat!)

    Em 2005, estourou o escândalo do mensalão que quase derrubou o governo.

    Mensalão foi o nome dado ao esquema de compra de votos com dinheiro público para que Lula governasse.

    Nunca teve nome o esquema de compra de votos no Congresso que permitiu a reeleição de Fernando Henrique.

    Política é negócio. Um negócio milionário. Dê-me o que quero e lhe darei o que você quer. Nada sai de graça.

    Estou dando voltas porque escrevo cansado. Vamos adiante, todavia.

    Ameaçado pelo escândalo, Lula ocupou uma cadeia nacional de rádio e televisão para pedir desculpas aos brasileiros, negar que existira mensalão e se dizer traído. Suas mãos tremiam.

    Mensalão? Jamais ouvira falar, disse. Corrigindo: ouvira uma vez, sim senhor.

    Foi quando recebeu em audiência o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), seu aliado.

    Mandou investigar o que Jefferson lhe contou. A investigação no Congresso durou uma semana. Nada foi descoberto.

    Lula ouviu falar do mensalão pela segunda vez quando visitou Goiás. O governador Marconi Perillo alertou-o para a compra do passe de deputados. E Lula?

    Na boa… Nem aí.

    Temeu-se depois que ele fosse capaz de se matar. Foi salvo pelo ministro José Dirceu.

    (Se gosto de Dirceu? Gosto sim, política à parte)

    Quanto aos traidores…

    Bem, Lula não apontou nomes de traidores. Afinal, como reclamar do julgamento daqueles que o traíram?

    Incoerência total. Falta de compromisso com a verdade.

    Nada que seja estranho à política cujas bases são a mentira, a fraude e a enganação.

    Lula não parecia um político melhor nem pior do que qualquer outro. Era diferente apenas. Deixou de ser.

    Poderia ter dito com toda a clareza possível que seus traidores não foram esses que estão atrás das grades.

    E mais o que está preso na Itália. E nem os que estão dentro do STF.

    Seria a forma mais eficiente de defendê-los. Mas tal coisa seria o mesmo que admitir que o mensalão existiu.

    E que ele, Lula, de fato fora traído.

    O silêncio é a mais preciosa lei da máfia. E ele tem preço. Tanto no caso do traidor como no de quem se sente traído.

    Ensinam os manuais sobre traições: morra sem confessar. Se for o caso, valerá o preço de ir para o inferno mentindo.

    Que saudade de O Poderoso Chefão.

    Publicado por jagostinho @ 13:32



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