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  • 06fev

    O GLOBO/JULIANA CASTRO

                                                                                                         APTO DE PIZOLATO
    Apartamento de Pizzolato em Copacabana – Agência O Globo / Juliana Castro/21-11-2013

    RIO – Condenado no processo do mensalão, Henrique Pizzolato foi, muitas vezes, um petista com atuação no bastidor, apadrinhado pelos colegas que viviam sob os holofotes.

    A posição de coadjuvante foi mantida diante de uma fracassada campanha ao governo do Paraná em 1990, quando obteve menos de 5% dos votos.

    Foi diretor da Previ, bilionário fundo de previdência do Banco do Brasil, mas foi com escândalos em sua diretoria no banco e o mensalão que seu nome passou a ganhar destaque na imprensa.

    Protagonismo que ele volta a ter ao ser preso ontem, em Maranello, no Norte da Itália.

    Atrás das grades, depois de dois meses e meio foragido, Pizzolato, de 61 anos, apega-se a um dossiê que, segundo amigos, poderia respingar em alguns políticos. Ninguém revela quem.

    Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Pizzolato chegou à diretoria de marketing da instituição em 2004, após ajudar na arrecadação para campanha presidencial de Lula em 2002.

    Era ligado ao secretário de Comunicação, o ex-ministro Luiz Gushiken, morto em setembro de 2013 e inocentado pelo Supremo.

    Foi na conta de Gushiken e do ex-presidente do BB Cássio Casseb que Pizzolato pôs a culpa pela antecipação de pagamentos feitos pela Visa Net à DNA Propaganda, que teriam abastecido o esquema do mensalão.

    Embora a nota técnica com a autorização para a antecipação desses pagamentos tenha sua assinatura, ele alegou que consultou Casseb e Gushiken antes de assiná-la.

    Em depoimento na CPI dos Correios em dezembro de 2005, Pizzolato disse que foi um “inocente útil” do PT. A verdade é que o ex-diretor nutria uma mágoa pelo partido que ajudou a fundar no Paraná.

    Sentia-se esquecido pelos companheiros, ofuscado por outras figuras envolvidas no escândalo, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Ao fim de seu depoimento à CPI, sua mulher, Andréa Haas, irritada, ameaçou:

    — O PT vai pagar o que fez com ele.

    Andréa não engoliu a falta de apoio ao marido e tentou fazê-lo pedir a desfiliação. Os amigos demoveram Pizzolato da ideia.

    O sentimento de mágoa é potencializado ao ver que petistas mais conhecidos recebendo doações para pagar suas multas. A que foi imposta por Pizzolato foi a maior entre todos eles: R$ 1,3 milhão (ainda sem correção).

    O nome de Pizzolato veio à tona no escândalo do mensalão quando, em junho de 2005, a ex-secretária Fernanda Karina Somaggio o mencionou em depoimento ao Conselho de Ética.

    Ela disse que o então diretor mantinha um relacionamento estreito com Valério. Desgastado com o mensalão, Pizzolato se antecipou à decisão já tomada pelo governo de substituí-lo e apresentou seu pedido de aposentadoria em julho de 2005.

    Pizzolato teve passagem turbulenta pelo BB no governo Lula. Em 2004, a instituição patrocinou um show da dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano que arrecadou recursos para construção da nova sede do PT, ideia que acabou sendo abortada.

    O patrocínio de R$ 40 mil foi usado para compra de ingressos distribuídos a clientes do banco.

    — Já comemos torresmo com muito mais cabelo — disse ele, ao desdenhar da polêmica.

    O dinheiro foi devolvido com a divulgação do episódio, mas a imagem de Pizzolato ficou abalada. Muitos pediram a cabeça do diretor, mas ele não caiu porque tinha o apoio de Dirceu.

    Agora, a ajuda já não vem do ex-ministro, mas de amigos menos conhecidos:

    — Vamos ter que pensar no que ajudar — afirmou Alexandre Teixeira, amigo do ex-diretor do BB, ao saber da prisão.

    Publicado por jagostinho @ 09:12



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