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  • 03fev

    JUROS

    AGÊNCIA ESTADO

    No final da fatura, em uma tabelinha repleta de números, uma informação chama a atenção. Custo total do saque à vista no cartão de crédito do banco Santander: 967% ao ano.

    Para quem não consegue visualizar claramente quão caro é esse juro, é como se um banco emprestasse dinheiro para que o consumidor comprasse um carro popular de R$ 30 mil em janeiro e em dezembro lhe mandasse a conta da compra de um apartamento de R$ 320 mil.

    Mas o leitor pode agora pensar que jamais sacaria dinheiro do cartão de crédito. Pensa mais: que faz os saques tradicionais de sua conta corrente e usa o cartão apenas para fazer compras.

    Mas se num mês ficar mais apertado, paga apenas o valor mínimo e vai levando adiante. Esse adiante, entretanto, também sai caro, pois essa dívida começa a ter incidência de juros, no que é chamado no jargão bancário de empréstimo rotativo.

    Voltando ao caso do Santander, o juro de alguns dos cartões do banco pode chegar a 705,61% ao ano.

    É menos do que o saque à vista. Em vez de um apartamento de R$ 320 mil, o banco cobraria um de R$ 241 mil.

    Segundo dados do Banco Central, um terço das concessões de crédito no cartão no ano passado entrou no rotativo.

    Foram R$ 26 bilhões, número maior do que o que foi emprestado em crédito consignado ou crédito ao consumo.

    Do total, quase 37% está com o pagamento da fatura em atraso de mais de 90 dias, ou seja, inadimplentes.

    A inadimplência não é preocupante, segundo o BC, porque ela é dividida por toda a carteira, que inclui a dos clientes que pagam em dia sua fatura, de aproximadamente R$ 62 bilhões no ano passado.

    Logo, o juro também não seria tão elevado, já que ele serviria para o banco fazer frente ao dinheiro que deixa disponível para os clientes pagarem apenas a cada 30 dias e também para fazer frente ao crédito parcelado sem juros.

    Se a taxa média fosse de 140% ao ano, dividida pela carteira e descontando a inadimplência, o juro total cairia para 30% ao ano.

    Mas não é possível saber qual é a média cobrada, nem se os juros vêm subindo, porque o BC não tem esse acompanhamento.

    Os bancos tampouco divulgam essa informação e se restringem a prestá-las apenas nas faturas de seus clientes.

    Uma pesquisa recente do Proteste mostra que o Santander tem os juros mais altos do cartão de crédito, mas não é o único a ter taxas tão elevadas.

    Basta reunir as faturas de diferentes clientes de diferentes bancos para constatar que os outros grandes bancos privados – Bradesco, HSBC e Itaú Unibanco – têm juros acima de 400% ao ano.

    É mais que o dobro do juro médio do cheque especial, acompanhado pelo BC.

    Os bancos, entretanto, não falam do assunto. Todos foram procurados e enviaram apenas notas informando que cobram juros compatíveis com os riscos e que oferecem opções aos clientes.

    O Bradesco disse apenas que não comentaria. O Santander, que tem todos os seus cartões com juros acima de 400% ao ano, reforçou que propõe alternativas ao crédito rotativo com juros baixos.

    Nem mesmo o Banco do Brasil, que tem um dos juros mais baixos – segundo a Proteste, 107% ao ano – fala sobre o assunto. 

    Publicado por jagostinho @ 16:08



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