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  • 31jan

    REINALDOREINALDO AZEVEDO, jornalista, é colunista da Folha e autor de um blog na revista ‘Veja’. Escreveu, entre outros livros, ‘Contra o Consenso’ (ed. Barracuda), ‘O País dos Petralhas’ (ed. Record) e ‘Máximas de um País Mínimo’ (ed. Record). 

    Para o submarxismo vigente naqueles ambientes que o poeta Bruno Tolentino (1940-2007) chamava “Complexo Pucusp” –onde a imprensa colhe seus “especialistas”–, o futuro já aconteceu faz tempo.

    O que virá será só a materialização do que já estava inscrito na natureza humana. E essa natureza, consta, é libertar-se da opressão. Assim, toda ação, todo acontecimento, todo evento só encontram sentido na medida em que podem ou não ser úteis a esse propósito.

    A história deixa de ser “a contínua marcha do desejo”, na expressão de Thomas Hobbes, para ser uma sequência de capítulos de fim conhecido, que nos conduzirá ao encontro com a verdade. Parece complicado? Eu me esforcei. Das nuvens para os ônibus.

    Desde 1º de janeiro, 33 ônibus municipais e outros tantos intermunicipais já foram incendiados na periferia de São Paulo e adjacências.

    Em dois ou três casos, alega-se uma reação à suspeita de que a PM teria matado um rapaz da “comunidade”. E os demais?

    Ah, esses ficariam por conta do “malaise” social que levaria adolescentes da periferia a fazer “rolezinhos”, “black blocs” a quebrar tudo, funkeiros a tentar explodir posto de gasolina… Teria sido acionado o gatilho do DNA libertador das massas.

    Analistas muito severos trovejam: “Eu bem que avisei”. Outros iluminam suas esperanças com as chamas dos ônibus. Estão com o povo, contra os reacionários!

    A antropologia da reparação ameaça: “Chegou a hora de entregar os dedos; os oprimidos não se contentam mais com os anéis do reformismo tucano-petista!”.

    O espírito do tempo tem peso determinante na história. São os poderes instituídos e as matrizes influentes de valores –onde estão a imprensa e a indústria cultural– que definem a recompensa e a punição aos comportamentos desejáveis ou indesejáveis.

    Se essas instâncias flertam com a desordem, esta passa a ser encarada como um instrumento eficaz de luta. Se a violência é recompensada com o reconhecimento da legitimidade da “causa”, já se tem erigida uma moral. Aí a vaca vai para o brejo.

    Defende-se hoje, a céu aberto, que PMs enfrentem desarmados os fascistoides que vão para as ruas portando coquetéis molotov –e assim é desde a primeira manifestação em São Paulo, no dia 6 de junho do ano passado.

    Tenta-se linchar um policial que cometeu a ousadia da legítima defesa. A repressão ao tráfico de drogas vira agressão aos direitos humanos. O desvio assume, enfim, o papel de contenção que cabe à norma.

    Insiste-se na farsa ridícula da luta da “sociedade contra o Estado”, e policiais “negros e morenos” (como diria Gilberto Carvalho), saídos daquela mesma periferia que seria a portadora do futuro, são tratados como o braço armado da velha ordem a retardar a aurora.

    O Brasil não é o Egito. A nossa democracia, por enquanto ao menos, não vive sob tutela, a não ser a desses milicianos do futuro.

    É bem verdade que o PT se esforça para tomar o lugar da sociedade e tenta estatizar até os “manos” e as “minas” dos “rolezinhos”. Mas ainda não logrou o seu intento.

    Não pensem que este rottweiler do reacionarismo acredita numa moral intrínseca da história, oposta à dos submarxistas, que nos conduziria para o bem.

    A história, em si, é amoral e se move por relações de força. Ocorre que, por esse caminho, democracia, fascismo ou comunismo seriam resultados plausíveis até que não se chegasse àquele momento do encontro do homem com o seu começo. Besteira!

    A história não é moral, mas nós somos seres morais. Falaremos em nome de quais valores?

    A democracia é um regime legitimado pela maioria, mas sustentado, nos seus fundamentos –muito especialmente a proteção às minorias–, por elites de pensamento capazes de fazer escolhas que transcendem seus próprios interesses.

    É nesse lugar que está a imprensa. Não, meus caros! Os pobres não herdarão o Reino da Terra.

    Quais serão, então, as nossas escolhas?

    Publicado por jagostinho @ 17:37



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