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  • 16jan

    CARLOS CHAGAS 2CARLOS CHAGAS

    Imagine-se dois exércitos em guerra, um deles preparando fulminante ofensiva contra o  adversário, daquelas capazes de obrigá-lo a render-se.

    No entanto, dias antes do grande ataque, os atacantes surpreendem seus inimigos anunciando dia,  hora  e rumo  em que atacarão.

    A conseqüência será óbvia: os supostos derrotados preparam-se, camuflam seu acampamento, escondem suas tropas e  armas secretas,  deixando  os invasores na frustração de que nada valeram o planejamento e o esforço, pois nada conquistaram.

    Guardadas as proporções, e com todo o respeito, foi o que aconteceu esta semana  com os integrantes  da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que anunciaram com dias de antecedência a incursão a ser feita  na penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão.

    Preveniram os bandidos, aliás, os de um lado e de outro. Até a  agenda de sua visita  divulgaram. Resultado: quando desembarcaram em São Luís, só faltou banda de  música do governo estadual  para recepcioná-los.   

    Há quem jure ter visto, na entrada  da cadeia, faixas elaboradas pelos presos com os dizeres: “Saudamos os ínclitos senadores e o nosso querido diretor pelo congraçamento hoje promovido”.

    Quem sabe até “Viva nossa maravilhosa governadora!”  Se não foi assim, ficou perto, porque o grupo senatorial encontrou tudo armado.

    No refeitório, tiveram que elogiar a comida. Nos dormitórios coletivos e nas celas, aplaudir as camas bem arrumadas e,  nos banheiros, espantaram-se com sabonete e pasta de dente à vontade.

    Chefiados pela senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da Comissão, e formada pelos senadores João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP),Humberto Costa (PT-PE) e estranhamente João Alberto Sousa e Lobão Filho, ambos do PMDB do  Maranhão, por coincidência o estado e o partido da governadora, os visitantes  não cogitaram da oportunidade de  chegar lá de surpresa, fazendo valer sua autoridade e invadindo o estabelecimento para conhecê-lo  como na verdade é, comprovando os horrores denunciados há semanas pela imprensa.

    Não  perceberam, ou, pior ainda,  perceberam e calaram, diante do fato de que apenas presos escalados previamente aproximaram-se deles, para dar depoimentos pífios e  elogiosos ao sistema penitenciário maranhense.

    Saíram como chegaram, ou seja, de mãos vazias, fora os dois aliados do esquema partidário que domina o Maranhão, ao qual servem diligentemente.

    Quer dizer,  nenhum resultado em condições de embasar denúncias, sugestões e projetos  destinados a corrigir as distorções e os horrores do que deveriam ter visto, mas não viram. 

    Indaga-se porque  não integraram a  representação da Comissão de Direitos Humanos senadores como Pedro Taques, Pedro Simon, Roberto Requião, Luiz Henrique e outros de igual quilate, com conhecimento doutrinário e experiência profissional  no trato com o Direito Penal?

    Mais uma oportunidade perdida pelo Congresso para cumprir suas obrigações, na hora de  as atenções nacionais estarem  voltadas  para o caos reinante num estado que, por haver ficado rico, permite que se cortem cabeças em suas prisões…

    Publicado por jagostinho @ 14:45



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