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  • 17dez

    CLÓVIS ROSSICLÓVIS ROSSI é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. É autor de obras como “Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo” e “O Que é Jornalismo”. 

    As eleições de domingo no Chile são um bom motivo para reintroduzir no Brasil uma discussão, sobre voto obrigatório ou facultativo, que nunca passa dos primeiros capítulos.

    No Chile, na primeira eleição presidencial com voto facultativo, foram às urnas apenas 42% dos eleitores inscritos.

    O resultado não deslegitima a vitória da socialista Michelle Bachelet, mas lhe confere um vigor político inferior.

    Afinal, como obteve 62% dos votos, tem-se que apenas 26% dos eleitores inscritos se deram ao trabalho de sair de casa para votar nela.

    Seria pouco em qualquer circunstância e torna-se ínfimo ante o grande desafio que Bachelet tem pela frente, o de reduzir a desigualdade que mancha um país tido como modelo para os adeptos do liberalismo hoje hegemônico.

    Em um mundo perfeito, eu seria favorável ao voto voluntário. Parece-me ilógico obrigar o cidadão a desfrutar do direito de escolher quem ele quer que governe.

    Como o mundo está longe de ser perfeito, prefiro o voto obrigatório.

    Em países como Chile e Brasil, em que os problemas básicos não estão resolvidos e em que a consciência cívica não está plenamente desenvolvida, é melhor, por enquanto, obrigar o eleitor a exercer o seu direito e o seu dever.

    Até entendo quem defende o voto facultativo com o argumento indesmentível de que o sufrágio obrigatório tem levado à eleição de um punhado de personagens que seria melhor esquecer (no Brasil mais que no Chile, é bom que se diga).

    O problema com esse argumento é que não se fez a experiência do voto facultativo, o que torna impossível de se afirmar cientificamente que os eleitos seriam melhores.

    Pelo menos em pequenas cidades e nos fundões, o voto facultativo tenderia a levar à exacerbação dos currais eleitorais.

    Os “coronéis” de plantão usariam seus recursos para levar eleitores às urnas, ao passo que candidatos mais ideológicos e programáticos dependeriam do gogó para convencer eleitores a votar, esforço que se torna dramático em tempos, como os atuais, de desconfiança generalizada nos políticos.

    No Chile, com todo o brilho que lhe conferem os analistas liberais e conservadores, a desconfiança é também elevada, do que dá prova o Latinobarômetro-2013: menos de 20% dos chilenos dizem que o país é governado em benefício de todos, abaixo da média latino-americana de 30%, já baixa.

    Pior: só os pesquisados no Peru, no Brasil, na Costa Rica, em Honduras e no Paraguai ficam atrás dos chilenos em matéria de descrença na capacidade de os políticos governarem para a maioria.

    Não é uma desconfiança gratuita: 1% da população chilena concentra um terço da riqueza do país e tem um renda per capital 40 vezes maior que o 81% mais pobre, segundo estudo da Universidade do Chile divulgado em março passado.

    Com apenas 26% dos votos possíveis, Michelle Bachelet tem a obrigação de modificar essa desproporção brutal, sob pena de, na eleição seguinte, ainda menos chilenos comparecerem ao encontro com as urnas.



    Publicado por jagostinho @ 17:37



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