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  • 03dez

    jaime_fr-76Senhores:

    Tenho a imensa alegria de receber esta honraria  que generosamente me concede a Associação Comercial do Paraná.

    Especialmente sendo esta comenda a do Barão do Serro Azul, um dos nomes mais notáveis da nossa história, que esteve à frente de iniciativas fundamentais em nosso Estado, homem de grande antevisão, um humanista de olhos postos na vanguarda.

    Um dos criadores deste Clube Curitibano, de tantas tradições e contribuições à vida cultural da cidade e  do Estado, o Barão do Serro Azul foi também um dos fundadores, e o primeiro presidente,  da Associação Comercial do Paraná.

    Por defender a paz e agir para evitar o derramamento de sangue, o Barão pagou com a vida, num episódio imperdoável, odioso e covarde, em que seus algozes ainda trataram de jogar seu bom nome no turbilhão da difamação.

    O resgate de sua imagem , realizado por pessoas e entidades como a Associação Comercial , era, assim, uma obrigação que se impunha ao nosso Estado.

    Alegra-me ter contribuído, ainda que já tardiamente, com este esforço, quando, nos anos 80, tive a oportunidade de restaurar a já então centenária residência construída pelo Barão na rua Carlos Cavalcanti e entregá-la à cidade como espaço  cultural, até hoje um dos mais prestigiados de nossa Curitiba.

    O nome do Barão, estou certo, há de ser sempre lembrado como um daqueles homens de espírito nobre e corajoso que forjaram o nosso Estado.

    Fiel aos ideais do Barão, que permanecem pertinentes depois de tanto tempo, a Associação Comercial do Paraná , nascida no alvorecer da República, desde cedo transcendeu a defesa dos interesses corporativos, para ganhar a dimensão de uma das instituições mais caras ao nosso Estado.

    Sou testemunha da contribuição sempre pronta da Associação às grandes causa da cidade e do Estado, bem como de sua enérgica reação ante ameaças ao interesse público.

    Não fosse também por isso, apenas a  simples defesa e promoção do comércio já constituiria uma contribuição valiosa à sociedade. Isso por que, sendo o comércio uma das mais importantes atividades humanas, a sua promoção é a própria promoção da sociedade.

    Meu primeiro trabalho foi no comércio.

    Meus pais, vindos em 1.932 de uma Europa conturbada que já mergulhava num período de perseguições, encontraram aqui a generosa acolhida com que historicamente esta terra de oportunidades recebeu os imigrantes.

    E foi com uma pequena loja que construíram uma nova vida, constituíram família, educaram seus filhos.

    Muito cedo, garoto ainda, entendi que o comércio, por ser troca, é uma das mais ricas atividades humanas.

    Muito além do ato de comprar e vender, o comércio é um  exercício continuado de relacionamento humano.

    Na loja, ouvindo histórias dos fregueses, muitos vindos do interior e que chegavam pela estação do trem , tive as primeiras e valiosas noções sobre a aventura humana.

    Ali, ouvi pela primeira fez sobre a saga de uma gente  que plantava café e colhia cidades no Norte do Paraná.

    Ouvi sobre a luta quase sempre difícil na agricultura pelo interior.

    Presenciei a apreensão de muitos que tiveram familiares enviados à guerra.

    Vivenciei a alegria dos que , muitas vezes com sacrifício, compravam ali a melhor roupa que podiam para casar os filhos ou para as grandes comemorações familiares.

    Sim, o que se aprende no balcão carrega-se para sempre na bagagem da vida.

    Mais tarde, estudante de arquitetura que desde cedo voltava os olhos para as questões urbanas, não foi difícil perceber o papel decisivo do comércio na vida das cidades.

    Para além da circulação de riquezas, o comércio é ingrediente essencial  da alma da cidade, de qualquer cidade, grande ou pequena.

    Se a cidade é o cenário do encontro, o comércio é o palco das trocas.

    Do café ou do bar para o encontro de amigos, ao mercado para o abastecimento cotidiano, passando pela padaria ou pela floricultura, o comércio é uma prática diária que agrega convívio e faz das nossas cidades sempre uma nova possibilidade.

    Daí que o comercio, especialmente o comércio de rua – ao alcance do homem a pé – será sempre um componente essencial da boa cidade.

    Daí também que para se tornarem mais humanas as cidades devem integrar funções e rendas.

    A cidade compartimentada, que segrega a  moradia do trabalho e do lazer, não é uma boa cidade, é uma concepção perversa de assentamento humano.

    Na boa cidade a moradia, o trabalho e o lazer são funções integradas ao máximo e as classes de renda coabitam os mesmo espaços, sem formação de guetos.

    Liberar o homem de jornadas escravizantes de locomoção por trajetos longos e congestionados, e devolvê-lo ao convívio da família e da vizinhança, é assim uma das grandes missões do bom urbanismo.

    Isso se faz com prioridade ao transporte coletivo sobre o individual, mas também com a integração de funções, que permita o restaurante, o café, o comércio ao alcance do homem a pé.

    Foi isso , em essência, que procurei fazer em nossa cidade nas vezes que tive a honrosa  oportunidade de geri-la.

    Foi isso também que me moveu no governo do Estado: promover uma melhor integração entre as cidades e atrair riquezas que pudessem dinamizar a economia e criar um novo ciclo econômico no Paraná.

    Estou certo que os tantos empreendedores – daqui, do País e do exterior –  que vieram para cá  a partir dos anos noventa encontraram aqui o mesmo acolhimento que tiveram no passado os meus pais, os pais e avós de muitos aqui.

    Se nas cidades, as funções devem ser integradas, no Estado é o conjunto das cidades que deve se entrelaçar numa rede  integrada de atividades, uma otimizando a outra , num ciclo de complementaridade que se traduza em mais eficiência e competitividade.

    E isso se faz com acolhimento, abrindo as portas àqueles que apostam no empreendimento e geram um ciclo virtuoso de riqueza e oportunidade, do qual se beneficia toda a população.

    As regiões que sabem acolher são aquelas que mais rapidamente se desenvolvem.

    Já as regiões que  se fecham, que hostilizam o empreendimento, que permitem burocracias excessivas e custos muito elevados para se produzir, são aquelas que  ficarão para trás, sacrificando as futuras gerações.

    A  Associação Comercial desde sempre tem se batido por um ambiente de negócios mais amigo daqueles que se dispõem a arriscar seu dinheiro e seu tempo para empreender e assim contribuir para riqueza da nossa sociedade.

    Esta é a bandeira  das classes empresariais do País. Deveria ser de toda a sociedade, posto que o empreendimento é a fonte de toda a riqueza das nações. Como tal deve ser sempre estimulado, nunca punido.

    Vejo com preocupação, que em nosso país, instalou-se uma síndrome da desconfiança.

    Na raiz da desconfiança, está uma vontade inconfessa de fazer fracassar, frustrar aqueles que querem fazer acontecer, criando obstáculos, anteparos e barreiras.

    Cada instância tem os seus xerifes, onde a mediocridade preguiçosa combate a criatividade de quem tem iniciativa.

    Não se cobra responsabilidade, mas sim,  se impede de fazer.

    Iniciativa é culpa e deve ser punida, por aqueles que tem medo de assumir.

    Em compensação, essa miríade de instâncias, aprova com rapidez o desperdício de estádios e obras desnecessárias.

    Entre o medo da responsabilidade e o pavor da iniciativa, segue um país sem projeto, tentando anunciar a grande novidade, repercutida a exaustão pela mídia, mas sem saber como fazer.

    Ao mesmo tempo, flerta com o populismo cuja essência é o ridículo, e tenta substituir as instituições pelas ruas.

    Senhores:

    O meu profundo agradecimento a todos que aqui compareceram hoje , numa demonstração de carinho e amizade.

    Prezado Edson Ramon, empresário respeitado e querido na nossa comunidade:

    Receba , você e toda a diretoria da Associação Comercial do Paraná, os meus mais profundos agradecimentos.

    Que o trabalho de vocês seja sempre a afirmação daqueles caros ideais que um dia moveram o Barão do Serro Azul.

    Amar é mudar a alma de casa, mudei minha alma para a casa dos Curitibanos.

    Chego a uma idade, onde espero que comece a minha puberdade.

    Sou muito novo pra ficar velho.

    Afinal, quem cria nasce todo dia.

    Espero continuar assim, sem dogmas, livre como um passarinho; nunca fui carismático, mas sim um cara asmático.

    Sou premiado, com uma equipe extraordinária que me acompanha e me ensina sempre.

    Curitibano como cada pedra de petit pavê, reconheço nelas, todos meus amigos e conterrâneos.

    Plantei árvores; muitas árvores.

    Semeei o encontro, o entendimento e a amizade, empregos e oportunidades.

    Percorri o mundo, que já existia nos recantos de Curitiba.

    Falei com sábios, que já existiam nas conversas da minha cidade.

    Meus olhos viram paisagens mais lindas do mundo, que já havia detectado em Curitiba.

    Tive mais a alegria da descoberta do que a frustração do desconhecimento.

    Tenho uma família maravilhosa, que ainda sente falta da Fani.

    O ultimo suspiro é quando você não consegue soprar mais vida na pessoa amada.

    A vida é como atravessar o trilho de um trem: Pare, olhe, escute e passe.

    Como homem público, já levei a maior vaia da minha vida, na inauguração da Arena da Baixada.

    Entendi que a vaia é o aplauso de quem não concorda.

    Em compensação, recebo carinho das pessoas em cada canto da minha cidade.

    Ficam escovando o meu ego a cada momento.

    Mas entendo que o ego é uma poupança que não pode ser desperdiçada a cada instante.

    Meus amigos, digam ao povo de Curitiba, que tem sido uma alegria com ele conviver.

    Muito obrigado.



    Publicado por jagostinho @ 18:11



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