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    Sede do FMI em Washington

    Sede do FMI em Washington: Fundo só publicou o documento após autorização do governo (Chip Somodevilla/Getty Images)

    Em relatório sobre a economia brasileira divulgado nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que o país retoma gradualmente o ritmo de crescimento, mas aponta que a deterioração fiscal prejudicou a credibilidade do país e, consequentemente, os investimentos necessários para aumentar a competitividade.

    O estudo foi feito após uma missão do Fundo vir ao Brasil, entre 13 e 24 de maio. Com base nos dados coletados e em estimativas, o FMI revisou para baixo o crescimento potencial do país de 4,25% para 3,5%.

    O Fundo aponta que o afrouxamento da política fiscal, sobretudo por meio dos bancos públicos, enfraqueceu a credibilidade do país.

    O crescimento potencial foi reduzido devido à desaceleração econômica notada em 2012 e no primeiro semestre de 2012. E essa desaceleração criou um ambiente de piora da competitividade, além de desequilíbrios econômicos. 

    “No médio prazo, a projeção é que o Brasil alcance crescimento potencial de 3,5% (revisado para baixo em relação ao último relatório). Mas mesmo este potencial mais baixo requer uma escalada dos investimentos (incluindo infraestrutura) associada ao aumento da produtividade”, informa o Fundo.

    O FMI aponta ainda que se o Brasil não implementar reformas e se esforçar para impulsionar investimento e produtividade, o crescimento potencial pode voltar para o patamar de 3%.

    O relatório recomenda ainda o aumento da poupança doméstica pública e privada para reduzir a dependência de capital externo e conter o déficit em conta corrente que se ampliou de maneira substancial em 2013.

    O Fundo, contudo, elogiou o recente comportamento do Banco Central do Brasil ao iniciar uma trajetória consistente de alta dos juros para conter a inflação.

    “A resposta do mercado é que o aumento dos juros e a reorientação do Banco Central foram positivas e ordenadas, com os juros reais de médio e longo prazo permanecendo abaixo dos níveis alcançados em outros ciclos de aperto monetário”, diz o relatório.

    O FMI afirma, contudo, que um crescimento mais consistente pode ser retomado se o país direcionar seus esforços para aumentar a competitividade e a produtividade por meio da redução da dívida e dos gastos públicos.

    O texto só foi divulgado nesta quarta-feira depois de passar pela chancela do governo brasileiro. A publicação do relatório anual só é feita depois de obtida a autorização do governo brasileiro.

    Contudo, houve discordâncias sobre os dados e apenas esta semana o Ministério da Fazenda liberou a divulgação do texto.

    O Brasil pleiteia junto ao FMI mudanças no cálculo de sua dívida bruta por avaliar que sua metodologia de cálculo é menos consistente que a brasileira.

    Publicado por jagostinho @ 09:12



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