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  • 14out

    repassando6

    CARTA MAIOR/ EMIR SADER

    O fenômeno tem se repetido – na Bolívia, na Argentina, no Equador, no Brasil. Setores que saem dos governos – ou que sempre tinham se oposto – supostamente pela esquerda, percorrem uma trajetória que os leva a se situarem como oposições de direita.

    Evo Morales, Rafael Correa, os Kirchner, Lula e Dilma – teriam “traído”. E seriam piores que outros contendores, porque seguiriam fingindo que defendem as mesmas posições que os projetaram como grandes líderes nacionais.

    Por isso tem que ser frontalmente combatidos, derrotados, destruídos, sem o que os processos políticos seguiriam retrocedendo e não poderia avançar.

    Foi assim que setores que eram parte integrante do governo de Evo Morales declararam que ele é o inimigo fundamental a combater, porque teria “traído” o movimento indígena.

    Daí a proposta de uma frente nacional contra ele, que incorporaria a todos os setores opositores, não importa quão de direita sejam.

    A mesma coisa com Rafael Correa. Teria “traído” a defesa da natureza e se passado a um modelo extrativista, tornando-se o inimigo fundamental a combater.

    Daí que setores que se reivindicam porta-vozes dos interesses dos movimentos indigenas e ecologistas, se aliam expressamente à direita, para combater a Correa.

    Na Argentina, os Kirchner teriam “traído” o peronismo, daí setores que faziam uma critica de esquerda ao governo – expressados, por exemplo, no peronista Pino Solanas – se aliam a setores de direita – como Elisa Carrió, entre outros -, para combater ao governo de Cristina Kirchner.

    Poderíamos seguir com a Venezuela, com o Uruguai, porque o fenômeno se repete.

    Para poder operar essa transição de uma oposição de esquerda a uma de direita, é preciso demonizar os lideres desses processos, que seriam, piores do que a direita, daí a liberação para alianças com esses setores contra os governos.

    No Brasil o fenômeno se deu, inicialmente, com o PSol e Heloísa Helena, que abertamente fizeram aliança com toda a oposição contra o governo Lula.

    Com a Globo, com os tucanos, com todos os candidatos opositores, na ação desenfreada e desesperada para tentar impedir a reeleição do Lula.

    Abandonaram as críticas de esquerda – sobre o modelo econômico e outros aspectos do governo – para se somarem à ofensiva do “mensalão”, sem diferenciar-se do tom da campanha da direita.

    O fenômeno teve continuidade com a Marina, que repetiu de forma mecânica a trajetória da Heloísa Helena na volúpia contra o governo Lula e a Dilma, quatro anos mais tarde.

    O destempero faz parte do processo de diabolização, que se caracteriza sempre, também, pela ausência de qualquer tipo de critica à direita – à mídia monopolista, ao sistema bancário, aos tucanos, aos EUA.

    A relação desses setores com a direita tradicional é explicita: a essa ausência de criticas à direita corresponde uma promoção explícita dos candidatos que se dispõem a esse papel: Heloísa Helena, Marina, agora Eduardo Campos.

    Todos contra o Evo, todos contra o Rafael Correa, todos contra a Cristina, e assim por diante. Aqui, agora, todos contra a Dilma.

    Não há nenhuma duvida que o campo opositor está composto pelas candidaturas do Aécio, do Eduardo Campos, ao que se soma agora a Marina.

    As reuniões de Eduardo Campos com Aécio, a entrada do Bornhausen, do Heráclito Fortes, entre outros, para o PSB e o discurso “anti-chavista” da Marina, completam o quadro.

    Vale tudo para tentar impedir que o PT siga apropriando-se do Estado brasileiro para seus fins particulares, impedindo que o Brasil se desenvolva livremente.

    Nenhuma palavra sobre o tipo de modelo econômico e social que desenvolveria caso ganhassem. Nenhuma palavra sobre o tipo de inserção internacional do Brasil.

    Nada sobre o papel do Estado. Silêncio sobre tudo o que é essencial, porque do que se trata é de tentar derrotar a Dilma.

    Na verdade hoje a direita – seus segmentos empresariais, midiáticos, partidários – já se contentaria em conseguir que a Dilma não triunfasse no primeiro turno. O que vier depois disso, será lucro.

    Em todos os países, esses setores tem sido derrotados fragorosamente. Suas operações políticas não tem dado resultados, por falta de plataforma, de lideranças e de apoio popular.

    Aqui também tem acontecido isso. O PSol foi ferido de morte por suas atitudes em 2006.

    Marina abandona a plataforma ecológica para assumir o anti-comunismo de hoje (o anti-chavismo) e se somar à política mais tradicional, sem sequer ter conseguido as assinaturas para registrar seu partido.

    Termina no Todos contra a Dilma, cada um do seu jeito, mas com o objetivo comum. Esse cenário político tem Evo, Correa, Cristina, como teve a Lula e agora tem a Dilma, como referência central.

    Os outros são os outros, sem plataforma, sem lideranças e sem apoio popular.

    Publicado por jagostinho @ 12:28



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