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  • 12ago

    VEJA

    Helena Borges

    Ele vive entre dois mundos, com um pé fora do eixo e o outro dentro do governo. Na foto, Capilé com Dilma.

    Pablo Santiago Capilé Mendes, de 34 anos, vive em dois mundos.

    No circuito Fora do Eixo (FdE), nome da comunidade que fundou e da qual é líder com status de guru, ele diz ser politicamente apartidário e defende a independência financeira do grupo a ponto de, dentro dele, fazer circular um dinheiro de mentirinha, o card.

    A “moeda” serve para “remunerar” o trabalho de cerca de centenas de jovens que moram nas 25 casas do FdE, espécie de repúblicas de muros grafitados onde tudo é de todo mundo — incluindo as roupas, guardadas em um armário único e à disposição do primeiro que chegar.

    Já no outro mundo em que vive, Capilé é um “companheiro”, como se referiu a ele o presidente do PT, Rui Falcão, e o dinheiro com que lida não só é de verdade como vem, em boa parte, dos cofres públicos.

    O mais recente empreendimento do Fora do Eixo, por exemplo — uma casa inaugurada em Brasília no mês de junho para hospedar convidados estrangeiros e a cúpula da organização –, foi montado com dinheiro da Fundação Banco do Brasil.

    A título de convênio, a fundação repassou à turma de Capilé 204.000 reais destinados, segundo sua assessoria, a “estruturação do local, salários de educadores e implementação de uma estação digital”.

    O Fora do Eixo tem outras duas dezenas de casas espalhadas pelo Brasil em lugares como Fortaleza, Porto Alegre e Belém do Pará.

    Não tão chiques nem tão bem aparelhadas quanto a de Brasília, elas abrigam, no mesmo esquema da casa de São Paulo, jovens que trabalham voluntariamente para a organização.

    Parte deles atua no Mídia Ninja, grupo que ficou conhecido por fotografar, filmar e transmitir pela internet em tempo real os protestos de rua de junho.

    Outra parcela, bem maior, trabalha na organização e na divulgação de atividades culturais, como os festivais de música — o negócio mais forte do Fora do Eixo, e o caminho mais curto para o dinheiro público.

    Para chegar até ele, Capilé conhece bem os atalhos.

    Publicado por jagostinho @ 09:33



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