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  • 06maio

    Sandra Pedro Terena

    Olá, segue artigo que escrevi neste fim de semana. Se houver possibilidade de publicação, agradeço.

    att

    Sandra

    Artigo

    Sandra Terena

    Sandra Terena

    Sandra Terena é jornalista, líder indígena do povo Terena, presidente da ONG Aldeia Brasil, prêmio Jovem da Paz 2009, prêmio Voluntariado Empreendedor na categoria redução de mortalidade Infantil e autora do documentário premiado internacionalmente Quebrando o Silêncio – www.vimeo.com/forlife

    Deputado Nelson Padovani faz o Paraná retroceder na questão de Direitos Humanos

    Suposto acordo político assinado com sangue inocente dos povos indígenas pode empossar Padovani, inimigo n. 1 dos povos indígenas e do meio ambiente como secretário de agricultura do Paraná

    Fortes rumores no Palácio das Araucárias apontam para um acordo político para nomeação do deputado federal Nelson Padovani para a Secretaria da Agricultura do Paraná.

    Se isso se tornar concreto esta nomeação será um retrocesso na questão indígena e Direitos Humanos no Estado do Paraná.

    Será um decreto assinado pelo governador para aniquilar de vez o direito dos povos indígenas paranaenses na questão fundiária.

    O deputado Nelson Padovani (PSC) foi indicado pelo partido para integrar a Comissão Especial destinada a debater a Proposta de Emenda Constitucional n. 215/00, que transfere para o Legislativo o poder de demarcar terras indígenas.

    O deputado paranaense defende mudanças urgentes na Constituição, inclusive permitir que áreas indígenas possam ser arrendadas por agricultores para o cultivo de lavouras.

    Se essa emenda for aprovada, o povo indígena brasileiro será encurralado pela bancada ruralista que detém 23% dos deputados do Congresso Nacional.

    Hoje, a demarcação das terras indígenas é realizada pela Funai por meio de laudos antropológicos que comprovam que o nosso povo viveu nestas terras por dezenas de milhares de anos.

    O deputado Padovani quer deixar a cargo dos deputados, que não entendem nada sobre o nosso povo, o futuro de mais de 220 povos indígenas brasileiros. Uma verdadeira atrocidade.

    É como deixar raposas para guardar o galinheiro. Será a legalização da grilagem de terras indígenas tradicionais. Essa não é só uma luta de nós índios, mas de toda a sociedade, porque se deixarem esses avanços de latifundiários contra as nossas terras, logo não teremos mais florestas.

    O nosso Brasil é rico, temos o privilégio de respirar um ar puro, sentir o cheirinho de mato. Vamos lutar até o fim para a preservação do meio ambiente. Nós indígenas, somos os guardiões das florestas e vamos nos contrapor a esta medida inconsequente defendido pelo deputado Padovani.

    Na aldeia, o velho é o dono da história, o jovem é quem ara a terra e a criança é a dona da vida. Se não dissermos não agora, toda a sociedade brasileira vai sofrer a consequência dos danos ambientais causados por meia dúzia de latifundiários.

    Nós, somos a favor do progresso, mas com responsabilidade. Não vamos deixar mais que derramem sangue indígena. Não vamos deixar que a caneta grossa do deputado Padovani libere plantações sobre o túmulo de nossos mortos.

    O governador do estado deve ter consciência que esta não é apenas uma luta do nosso povo, mas sim de toda a sociedade e, espero que o Beto Richa não se curve a um acordo político assinado com o sangue do povo indígena. Sangue que já foi derramado em nosso estado.

    Genocídio invisível no Paraná

    Essa parte da história foi rasgada dos livros de história do Paraná. Lembro com tristeza, o genocídio, o massacre sofrido pelos índios xetá, único povo genuinamente paranaense, que foi quase totalmente dizimado na década de 1960.

    Dizimaram os nossos parentes para plantar em cima de seus túmulos. Um progresso rural que matou centenas de indígenas. Fazendeiros inescrupulosos se apossaram irregularmente da terra destes índios que ainda vivam no tempo da pedra polida.

    Segundo o estudo da antropóloga Cássia Regina Soares Cardoso, a área destes índios foi tomada pelo latifúndio. Para matar mais facilmente os meus parentes, capangas de fazendeiros davam doces e açúcar com veneno para os indígenas que morriam como ratos envenenados.

    Lembro das histórias contadas pelo herói e sobrevivente do massacre, Tucanambá Paraná, que faleceu em 2008. Ele escapou da morte, foi trazido para Curitiba amarrado, como um bicho, em um avião pequeno.

    Hoje, o povo xetá está em extinção e conta com apenas cinco indivíduos primitivos vivos e seus descendentes. Todos vivendo fora de suas terras tradicionais, hoje ocupadas pelo dinheiro que financia campanhas de defensores do latifúndio.

    Com absoluta certeza vivemos os piores anos de indigenismo com estes governos. Parentes morrem atropelados na beira das rodovias.

    As conquistas centenárias de Rondon, as conquistas políticas dos irmãos Vilas Boas estão sendo destruídas por um grupo sem sensibilidade.

    Padovani na secretaria da Agricultura será um selo deste descaso oficial e certamente será um retrocesso na questão de Direitos Humanos no estado do Paraná.

     



    Publicado por jagostinho @ 18:19



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2 Respostas

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  • Cássia Disse:

    Olá!

    Gostaria de fazer uma correção. Quando seu texto destaca “Segundo o estudo da antropóloga Cássia Regina Soares Cardoso…”, trata-se de um erro, cometido pela equipe do então senador Osmar Dias, anos atrás, quando, erroneamente citou meu nome como a antropóloga responsável pelo estudo realizado. Citei o caso dos Xetá em um artigo escrito no programa PDE da Secretaria Estadual de Educação do Paraná,no ano de 2007, numa época em que o assunto da demarcação das terras indígenas estava em discussão. Não desenvolvi nenhuma tese de mestrado ou de doutorado nesse sentido, nem sou antropóloga. Em sua fala, o senador usou o meu nome erroneamente. Enviei à equipe do senador a correção da informação mas nada fizeram a respeito e essa informação continua circulando pela Web. Acho importante que você faça a correção para dar confiabilidade ao seu trabalho. Cite as fontes que utilizou.

  • jagostinho Disse:

    Oi Cássia.

    Apenas para que fique claro. A minha fonte, e está citada, com foto inclusive, é Sandra Pedro Terena.

    Divulgo seu esclarecimento, mas acho que a jornalista Sandra, que me enviou o artigo,em 2003, é que deveria ser questionada.

    Imagino que pela sua posição de liderança junto ao povo indígena não seja difícil contatá-la.

    Saúde e paz

    Jota Agostinho

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