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  • 22mar

    DIÁRIO DE SANTA MARIA

    A Polícia Civil confirmou o indiciamento criminal de 16 pessoas por responsabilidade no incêndio que matou 241 pessoas na boate Kiss em 27 de janeiro, anunciou o delegado Marcelo Arigony nesta sexta-feira na apresentação do relatório do inquérito sobre a tragédia. Ao todo, 35 pessoas foram responsabilizadas. 

    Nove indiciamentos são por homicídio doloso, sete por incêndio, quatro por homicídio culposo, dois por fraude processual e um por falso testemunho.

    Algumas pessoas foram indiciadas por mais de um crimeO prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, também está entre os responsabilizados no inquérito, mas, como ele tem foro privilegiado, a Polícia Civil não pode indiciá-lo criminalmente.

    O delegado Arigony afirmou que a polícia pedirá ao Tribunal de Justiça que abra processo contra o prefeito por homicídio culposo, e recomendará à Câmara Municipal da cidade que o processe por improbidade administrativa.

    Minutos após a divulgação do relatório, Schirmer deixou a prefeitura sem falar com a imprensa. A assessoria do prefeito informou que ainda não foi definido se ele se manifestará por meio de nota oficial ou entrevista coletiva.

    Os dados que constam nas mais de 13 mil páginas do documento começaram a ser apresentados pouco depois das 14h30min no anfiteatro Flávio Miguel Schneider, no Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

    — Nós não estamos aqui para agradar a todos. Estamos aqui para apontar os fatos tecnicamente — disse Arigony no início da sua apresentação.

    Somatório de causas

    Entre as causas apontadas pela Polícia Civil para as mortes na Kiss, estão a lotação excessiva da casa, a existência de apenas uma porta de saída, o acendimento de um sinalizador por um integrante da banda, barras de ferro instaladas irregularmente próximo à porta, que dificultaram a saída das pessoas.

    Além disso, segundo o delegado, no momento do incêndio o vocalista da banda Gurizada Fandangueira não avisou aos frequentadores sobre o início das chamas.

    Veja o resumo de causas disponibilizado pela Polícia Civil:

    1 – O fogo teve início por volta das 3h da madrugada do dia 27/01, no canto superior esquerdo do palco (na visão dos frequentadores), deflagrado por uma faísca de fogo de artifício (chuva de prata) empunhado por um integrante da banda Gurizada Fandangueira.

    2 – O extintor de incêndio, localizado ao lado do palco da boate, não funcionou no momento do início do fogo.

    3 – A boate Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás.

    4 – Havia superlotação: no mínimo 864 pessoas estavam no interior da boate.

    5 – A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular, feita de poliuretano.

    6 – As grades de contenção (guarda-corpos) existentes na boate atrapalharam e obstruíram a saída de vítimas.

    7 – A boate tinha apenas uma porta de entrada e saída.

    8 – Não havia rotas adequadas e sinalizadas para a saída em casos de emergência.

    9 – As portas apresentavam unidades de passagem em número inferior ao necessário.

    10 – Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas.

    VÍDEO: polícia apresenta vídeos que embasaram indiciamento criminal

     

    Confira algumas das informações sobre os depoimentos colhidos ao longo dos interrogatórios:

    – 199 pessoas afirmaram que lotação era superior a 1 mil pessoas.

    – 83 pessoas falaram que o vocalista da banda usou fogo de artifício em sua mão e o ergueu em direção ao teto.

    – 50 pessoas declararam que havia mais fogo nas laterais do palco da boate Kiss.

    – 181 pessoas viram que o fogo se iniciou acima do palco.

    – 65 pessoas viram que jogaram água no foco do incêndio.

    – 108 pessoas declararam que o vocalista e um segurança tentaram usar extintor que não funcionou.

    – 153 disseram não ver luzes, placas ou sinais indicando saídas de emergência.

    – 84 pessoas afirmaram que seguranças impediram saída por segundos ou minutos.

    – 124 pessoas afirmaram que barras de contenção próximas à saída obstruíram a saída.

    – 178 pessoas afirmaram que havia fogos em outras ocasiões, inclusive com aromatizador de ambientes.

    – 18 pessoas afirmaram que não havia treinamento para uso de extintores nem orientação para evacuação em grandes tumultos ou incêndio, nem meio de comunicação imediato entre os funcionários da boate Kiss.

    – 24 pessoas confirmaram que houve diversas reformas na boate. Depoimentos indicam que eram feitas sem responsável técnico ou projeto aprovado.

    – 17 pessoas afirmaram que Mauro Hoffman participava da administração e possuía poder de mando.

    – 47 pessoas confirmaram terem presenciado civis entrando no momento do incêndio e retirando vítimas.

     

    Publicado por jagostinho @ 17:05



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