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  • 22fev

    VEJA.COM/CIÊNCIA

    Juliana Santos

    Tecido cardíaco
    À esquerda, imagem de miscroscópio do coração de um porco após a aplicação do hidrogel. O crescimento de tecido cardíaco está representado em vermelho. À direita, coração antes do tratamento. (Karen Christman, UC San Diego Jacobs School of Engineering)

     

    Um hidrogel injetado no coração poderá tratar danos nos músculos cardíacos causados por infarto. No ano passado, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, já havia testado o tratamento em ratos.

    Agora, em um estudo publicado nesta quarta-feira no periódico Science Translational Medicine, o grupo realizou os testes em animais maiores — o tratamento foi testado em porcos, que têm anatomia mais semelhante aos seres humanos.

    O próximo passa da equipe é testar a espécie de “remendo” em humanos. Segundo a equipe, a nova fase de testes deve começar no início no segundo semestre deste ano.

    Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil ocorreram cerca de 80.000 mortes por infarto agudo do miocárdio em 2010, sendo 32.645 mulheres e 47.017 homens.

    Quando o paciente sobrevive ao infarto, há preocupações sobre o processo de remodelagem pelo qual o coração passa durante a recuperação.

    Isso acontece por causa dos danos musculares causados pelo infarto em si, que podem levar a um quadro de insuficiência cardíaca.

    Fabricação — O material  usado na pesquisa é um gel produzido a partir de tecido conjuntivo cardíaco de porcos.

    O tecido passa por um processo de limpeza, em que todas as células são retiradas, sobrando apenas a matriz extracelular, uma espécie de “suporte natural” do coração.

    Esse tecido passa por diversos processos até se transformar em um líquido, que pode ser injetado através de um cateter inserido em uma artéria e direcionado pelos vasos sanguíneos até o coração.

    De acordo com os autores, esse processo poderia ser realizado com o uso de sedativos, sem necessidade de uma anestesia geral.

     TECIDO CONJUNTIVO

    As células do tecido conjuntivo têm como função servir de suporte e manter unida a estrutura corporal. Presente na maioria dos órgãos, como o coração, o tecido conjuntivo forma grande parte dos músculos, tendões, ossos, cartilagens e da pele.

    Também é conhecido como tecido conectivo, por preencher os espaços intercelulares do corpo e ligar órgãos e tecidos diversos.

    Ao atingir a temperatura corporal, o líquido se transforma em um gel poroso, que auxilia na formação de músculo cardíaco e reduz a formação de cicatriz na área afetada pelo infarto.

    “Após um infarto, a estrutura natural do coração é danificada. Promovendo uma nova estrutura, feita de matriz extracelular natural, nós fazemos com que as próprias células do organismo se direcionem ao local e reparem o coração.

    Isso inclui novos vasos sanguíneos e células-tronco. O resultado é uma quantidade significantemente maior de músculo cardíaco e menos tecido de cicatriz na região danificada”, disse Karen Christman, integrante do grupo de pesquisadores, ao site de VEJA.

    O tecido de cicatriz, produzido pelos fibroblastos (células do tecido conjuntivo) em regiões danificadas, é feito de colágeno.

    Esse tecido é prejudicial porque ele não possui capacidade de contração, como o músculo cardíaco.

    Assim, ao se cicatrizar, o coração acaba perdendo força, de modo que é importante reduzir a formação dessa cicatriz para garantir um bom funcionamento do órgão após um infarto.

    O hidrogel pode ser degradado pelo organismo. De acordo com Karen Christman, a própria migração das células é responsável por esse processo, e após três semanas da aplicação o material é completamente degradado pelo corpo.

    Nesse estudo, os pesquisadores realizaram testes de segurança e verificaram, entre outras coisas, a compatibilidade do gel com o sangue humano.

    Opinião do especialista

    Fernando Bacal
    Cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein


    “O que se teme depois de um infarto é o remodelamento do coração. Ele muda de forma e tamanho, podendo ficar maior e mais fraco.

    Os tratamentos hoje são voltados para desobstruir a artéria o mais rápido possível, uma vez que o infarto é causado pelo fechamento de uma artéria que irriga o coração e pela necrose de parte do músculo cardíaco.

    O que esse estudo está propondo é o uso da matriz extracelular que envolve as células do coração e é responsável pela regeneração do coração após o dano.

    “Porém, ainda não se sabe o que essa substância, injetada no coração, pode causar.

    Pode ocorrer uma reação imunológica ou o aumento de trombose (coagulação que obstrui os vasos sanguíneos do coração).

    Mas trata-se de um estudo interessante e pioneiro, que no futuro pode ter grande impacto no tratamento da doença.”



    Publicado por jagostinho @ 19:13



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