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  • 19fev

    repassando6

    BLOG DO REINALDO AZEVEDO/VEJA.COM

    O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, decidiu agora escarnecer dos fatos. 

    Conforme revelou a revista VEJA nesta semana, a embaixada de Cuba em Brasília reuniu militantes de esquerda — do PT, da CUT e do PCdoB — para lhes fornecer um dossiê com acusações estúpidas contra a blogueira cubana Yoani Sánchez.

    Na ocasião, o embaixador de Cuba revelou que os passos de Yoani seriam vigiados por agentes cubanos. As duas ações — a reunião e a espionagem — são ilegais.

    As coisas poderiam ter parado por aí, mas tiveram gravidade muito maior.

    Ricardo Augusto Poppi Martins, auxiliar de Carvalho, participou de todo o encontro, ficou até o fim e levou uma cópia do dossiê.

    Em seguida, viajou para Cuba para participar de um seminário que trata justamente de… guerra na Internet.

     Na pasta comandada pelo ministro, ele é o responsável por essa área. A secretaria-geral havia divulgado uma primeira nota afirmando que apuraria o caso. Nesta segunda, divulgou outra. Leiam. Volto em seguida.

    A Secretaria-Geral da Presidência da República, tendo ouvido o servidor Ricardo Augusto Poppi Martins, esclarece:

    O servidor esteve na embaixada de Cuba, em dia e horário definidos por aquele órgão, para obter seu visto de entrada no país, visando participar, em Havana, de um seminário sobre redes sociais.

    Após a concessão do visto, o servidor foi convidado por um funcionário da embaixada a participar de reunião na qual foi abordada a política migratória de Cuba e a vinda da blogueira Yoani Sánches ao Brasil.

    Na reunião, em que não permaneceu até o final, o servidor recebeu um CD com informações sobre Yoani Sánches, do qual não fez qualquer uso.

    O seminário em Havana não teve relação com os temas tratados na reunião.

    Assessoria de Comunicação
    Secretaria-Geral da Presidência da República

    Voltei
    É um acinte! Com que então o tal rapaz vai à embaixada cubana para obter um visto, e eis que chega um funcionário e convida: “Estamos fazendo aqui uma reunião sobre a política migratória e de cuba e a vinda da Yoani, você não quer participar?”

    Como Poppi estava mesmo desocupado — embora estivesse em horário de expediente —, aceitou o convite.

    Fica parecendo, leitor, que, fosse você a estar lá, seria alvo de abordagem idêntica.

    É evidente que estamos diante de uma desculpa ridícula, esfarrapada.

    Com que então um dos coordenadores da secretaria-geral da Presidência acha normal que se faça um “seminário”, com esquerdistas brasileiros, sobre a vinda de uma cubana ao Brasil?

    Carvalho escarnece dos fatos, da verdade, da lógica.

    Mas digamos que fosse verdade. A primeira reação do ministro foi a de quem não sabia de nada.

    Sei… Então o tal Poppi vai a um encontro como aquele, assiste à combinação de uma tramoia, ouve a informação de que agentes cubanos atuam livre e ilegalmente no Brasil e não passa a informação a seu chefe???

    Carvalho acha que somos todos idiotas? Acha!

    O ministro certamente não é um mentiroso. Mas a versão divulgava pela secretaria-geral da Presidência, quando cotejada com a lógica dos fatos, é uma mentira escandalosa.

    As oposições que não corram o risco de deixar barato esse troço.

    Por que um governo que condescende com a espionagem ilegal promovida por um “país amigo” não pode, ele mesmo, espionar?

    Aliás, tenho umas perguntinhas a fazer a algumas entidades da sociedade civil. Num próximo post.

     

     



    Publicado por jagostinho @ 09:38



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