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  • 04fev

    André Rodrigues/ Gazeta do Povo

    Andrá Rodrigues/ Gazeta do Povo / Da esquerda para a direita: o designer Ivens Fontoura e os arquitetos Key Imaguire Júnior e Cláudio Forte Maiolino, integrantes da “Ordem da Estrela”
    Da esquerda para a direita: o designer Ivens Fontoura e os arquitetos Key Imaguire Júnior e Cláudio Forte Maiolino, integrantes da “Ordem da Estrela”

     

    Uma carona, de Kombi, pode ter mudado o destino do mais importante exemplar da arquitetura de madeira no Paraná, a Casa da Estrela. Foi no início dos anos 2000.

    A arquiteta Milna Leone, do setor de Patrimônio, do Ippuc, saía para uma visita técnica a uma residência na Rua Zamenhof, 56, no Alto da Glória, quando viu passar a pesquisadora Vera Lúcia Didonet Thomaz.

    Chamou-a para vir junto, dando início ali, sem querer, ao salvamento de um bem histórico fadado a virar poeira.

    Nem Milna nem Didonet, como é chamada, saíram impunes à “descoberta”. A Casa da Estrela era muito mais do que podiam imaginar.

    A notícia logo se espalhou pela cidade: Curitiba tinha a única construção do mundo, de que se tem notícia, inspirada na estrela de cinco pontas, símbolo do esperanto, a língua universal.

    Tratava-se de uma “residência conceito”, erguida na década de 1930 de forma quase solitária por seu proprietário, Augusto Gonçalves de Castro.

    Cada um dos 178 metros quadrados do prédio foi desenhado para traduzir ilações filosóficas.

    No ano de 2002, a morte precoce de Milna interrompe o que pareciam favas contadas –, a transposição da casa para um terreno seguro, longe da especulação imobiliária do Alto da Glória.

    Foi quando Didonet assumiu o leme, em parceria com o arquiteto Key Imaguire Júnior, então professor de História da Arquitetura da UFPR.

    “Ao saber do local, bati palma no portão, me apresentei e entrei. Nunca vou esquecer o que vi. Era a definição de Le Corbusier em estado puro – ‘um jogo magnífico dos volumes e das texturas sobre a luz’”, lembra.

    A nova dupla, Didonet e Key, fez medições, recolheu depoimentos dos proprietários, levou alunos, chamou a imprensa. Nada impediu que a crônica da morte anunciada da Casa da Estrela se desenhasse a cada ano.

    Fracassou a tentativa de levá-la para o Centro Politécnico da UFPR. Não se cumpriu a promessa de transferi-la para Vila da Madeira, no Atuba.

    Antes de soar o gongo, vingou a proposta da PUCPR de recebê-la como doação, acomodando a “Estrela” no câmpus do Prado Velho.

    Foram ao todo 13 anos de agonia. Nesse espaço de tempo, o músico Moysés Azulay de Castro (1928-2008), um dos três herdeiros e o mais sagaz defensor do imóvel, morreu, sem o conforto de saber que a Casa da Estrela iria se manter em pé.

    Será um dos homenageados da inauguração prevista para abril deste ano. A casa – transposta para PUCPR, tábua a tábua, ao logo de quatro anos, sob supervisão do arquiteto Cláudio Forte Maiolino – servirá de “Salão de Atos” da universidade.

    A ideia de um dos curadores do espaço, o designer Ivens Fontoura, é explorar ali temas com os quais a “Estrela” se relaciona, da arquitetura ao design, passando pela filosofia, história e religião.

    Acerto

    A Casa da Estrela era assim chamada pelos esperantistas, vizinhos e instrumentistas ligados a Moysés Azulay de Castro – professor de violino na Escola de Música e Belas Artes – e de sua filha Estela, violoncelista.

    “A casa respirava música”, costumava repetir o herdeiro. No início da década de 1990, contudo, o local deixou de ser habitado.

    Moysés seguiu a partir daí uma rotina espartana de cuidados. Abria diariamente cada uma das 19 janelas para arejamento e cultivava os jardins de pinheiros.

    Tinha sentimentos dúbios. Queria a integridade da construção, mas temia que algum processo de tombamento inviabilizasse a venda do terreno, espólio que dividia com os irmãos Idalina e Carlos Augusto.

    “Fui um inimigo da Casa da Estrela. Queria que se resolvesse logo. Me preocupava ver meu pai indo até lá todos os dias, procurando uma salvação para o local”, conta o engenheiro mecânico Maurício Fernandes de Castro, 49 anos.

    Foi na busca de uma saída que Moysés travou contato com aqueles que se tornaram os defensores de sua causa – Milna Leone, Didonet Thomaz, Key Imaguire, Cláudio Maiolino, Ivens Fontoura e o próprio filho Maurício, que passou a reunir documentos dispersos sobre a “Estrela”.

    Ao abrir a porta a quem nela batia, mostrar os aposentos e contar como fora construída, formou um pequeno exército, que bem poderia se chamar “Ordem da Estrela”. Deu certo.

    VÍDEO: Conheça a Casa da Estrela por dentro

     

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    Publicado por jagostinho @ 18:22



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