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  • 17out

    CAIXA ZERO/ROGÉRIO GALINDO/GAZETA DO POVO

                                                                                                                   

    O julgamento do mensalão teve vários efeitos. O mais importante sem dúvida foi acabar com a certeza da impunidade nos crimes do pessoal de alto escalão.

    Nunca na história deste país, como diria Lula, tantos figurões foram enquadrados de uma só vez, nem por acusações dessa gravidade. É excelente saber que vivemos em um país onde não só os ladrões de galinha têm de responder pelos seus atos.

    Outro efeito, bem menos interessante, foi o da criação de um mito. De tempos para cá, o relator do julgamento, o ministro Joaquim Barbosa, virou o herói nacional da vez.

    A revista Veja fez uma capa sobre o “menino pobre que mudou o Brasil”. Há no Facebook textos comparando Barbosa a Batman. E, claro, já surgiu um movimento para torná-lo presidente da República.

    Com toda a vênia do ministro, trata-se de bobagem da grossa. E de bobagem perigosa. Não que Barbosa não mereça elogios, pois fez o seu trabalho com dignidade, de acordo com a lei e com o que imagina ser certo.

    E, claro, há um lado positivo: em um país vergonhosamente preconceituoso como o nosso, é bom ver que o ministro ganhou um respeito grande assim. Ponto para ele.

    Mas, pense bem. Não foi justamente a necessidade nacional de salvadores da pátria que nos enfiou nesse buraco? Por que, afinal de contas, é preciso que Barbosa seja um herói para que as coisas tenham andado minimamente do jeito que deveriam?

    Será que precisaremos sempre de alguém mítico, acima das forças normais do ser humano, para que algo seja levado adiante?

    Muitos xiitas da esquerda estrilam contra o julgamento justamente na base do heroísmo das vítimas recém-criadas. Como condenar Genoino, que lutou contra a ditadura?

    Como condenar Dirceu, esse bastião da querela contra o AI-5? O passado os salva! São mitos, heróis, argumenta-se, e por isso mesmo incontestáveis.

    O próprio Lula foi eleito como um salvador da pátria. Contra FHC. Contra o FMI. Contra tudo aquilo que estava aí, como dizia o bordão. O operário que mudaria o Brasil. O super-homem vindo do proletariado urbano.

    Aquele que havia sido marcado para nos redimir. Deu no que deu. Em nome de Lula e de sua salvação nacional (e nem se sabe se não com boas intenções, como disse Alberto Dines) meteram a mão no jarro. Por Lula, pelo mito, tudo era permitido.

    A ideia do super-homem que nos salvará é antiga como o sebastianismo português. E nos deu Getúlio com sua ditadura, com direito à censura e ao DIP.

    Nos deu Jânio, que terminou de encaminhar o país para o caos. Nos deu o mito do militar que lutava pelos interesses da nação. Agora, querem fazer o mesmo com Joaquim Barbosa.

    Transforme-se o ministro num mito e perca-se toda a beleza de haver um simples homem, mortal como nós, esforçado como muitos, e corajoso, claro, que resolveu fazer a coisa certa. Barbosa não é Batman.

    Mau negociador, dificilmente caberia no papel de presidente da República. Mas teve a beleza de ser grande em seu papel de homem comum, de funcionário público competente.

    Afinal, não é de heróis de capa e espada que precisamos. E sim de mais homens comuns, corajosos e determinados. Para isso sim, Barbosa serve de exemplo.

     

    Publicado por jagostinho @ 18:57



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