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  • 24set

    FOLHA.COM

    Após cinco anos na Universidade de São Paulo, o cientista político Matthew Taylor(foto) voltou para a American University, em Washington.

    Antes, publicou (com Timothy Power) o livro “Corrupção e Democracia no Brasil”, uma análise sobre a impunidade de autoridades brasileiras.

    Para Taylor, dependendo do resultado, o julgamento do mensalão pode iniciar um “círculo virtuoso”, ao aumentar a confiança nos brasileiros de que políticos devem, sim, temer a Justiça e podem ir para a cadeia.

    Folha – Qual é a importância do julgamento do mensalão?

    – Matthew Taylor – Apenas o fato de o STF julgar publicamente é um avanço, pois são pessoas graúdas e importantes da política.

    Pelo tamanho, pelo número de réus e por impactar uma presidência que foi muito louvada em outros campos, a de Lula, é um caso histórico.

    Quais podem ser as consequências de condenações?

    – Quando a corrupção é descoberta, investigada e punida, um círculo virtuoso se torna possível, com ganhos institucionais. Primeiro, acaba com práticas específicas e contribui com o saneamento do jogo político.

    Segundo, pode dar a demonstração de que existem custos e riscos para aqueles que se engajam em práticas corruptas.

    Terceiro, pode ajudar a restaurar a confiança nas instituições.

    O efeito é imediato ?

    Não, são mudanças paulatinas. Se compararmos o Brasil de 1980 e o de hoje, não houve nenhum momento de mudança institucional radical no combate à corrupção.

    Mesmo assim, a melhora acumulada ao longo da última geração é significativa.

    Que escândalos tiveram efeitos institucionais positivos?

    Após os anões do Orçamento, iniciou-se uma iniciativa que só vingou uma década depois: a possibilidade de políticos serem julgados ou investigados pelo STF sem a necessidade de autorização do Congresso.

    Mas em cada momento histórico surgem gargalos a serem enfrentados. Não acredito que o problema da impunidade ou corrupção seja, prioritariamente, cultural, mas institucional.

    Atualmente, me parece claro que o Judiciário é esse gargalo.

    Publicado por jagostinho @ 12:17



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