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  • 21set

    JORNALE
    Delator do mensalão recebeu dinheiro, segundo Joaquim Barbosa


    O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) sofreu o primeiro revés no Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento do mensalão , esquema de corrupção no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ele denunciou em 2005.

    O voto do ministro Joaquim Barbosa aponta que ele será condenado pelo crime de corrupção passiva, cuja pena prevista é de dois a 12 anos de prisão. Jefferson também responde pelo crime de lavagem de dinheiro, passível de três a 12 anos de cadeia.

    Jefferson denunciou o esquema em entrevista concedida pela Folha de S.Paulo em 2005. Mas de testemunha, ele passou a ser indiciado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    A defesa de vários réus, como o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, por exemplo, afirmam que Jefferson “inventou” o mensalão para tentar desqualificar a denuncia da Procuradoria Geral da República (PGR).

    Segundo entendimento do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, Roberto Jefferson “recebeu, sim, uma soma elevada, em espécie, em seu gabinete, paga pelo PT”.

    “Trata-se, isso sim, de recursos com claro potencial para determinar a continuidade do apoio parlamentar do PTB na Câmara dos Deputados. Considero impensável admitir que os repasses efetuados desta maneira sejam harmonizáveis com o sério exercício da função parlamentar”, disse Barbosa.

    Roberto Jefferson é acusado pela PGR de ter recebido R$ 4 milhões para que a legenda apoiasse o governo nas reformas da previdência e tributária.

    A defesa de Jefferson alega que o dinheiro foi recebido em 2004 para custeio de recursos de campanha municipal daquele ano. O ministro Joaquim Barbosa refutou a tese de um suposto esquema de caixa 2 apontado pela defesa.

    O advogado de Jefferson, Luiz Francisco Barbosa, afirmou que ainda é cedo para falar em condenação de Roberto Jefferson.

    Apesar disso, nessa primeira fase do voto do ministro Joaquim Barbosa, o advogado afirmou que o relator cometeu alguns “erros” na análise do caso.

    “Ele cita que Jefferson teve participação em episódios nos quais apenas testemunhou”, disse o advogado.

    Ele ainda citou como contradição o fato de os projetos de reformas a que o relator se refere como alvo da prática de corrupção e compra de votos terem ocorrido em 2003, quando o recebimento do dinheiro por Jefferson ocorreu em 2004.

    Barbosa já avisou que atacará essas contradições em possíveis embargos de declaração que serão impetrados no Supremo, caso seja confirmada a condenação do ex-deputado federal.

     

    Publicado por jagostinho @ 13:26



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