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  • 03set

    BBC

    A Igreja Católica está “200 anos atrás” dos tempos atuais, nas palavras do cardeal italiano Carlo Maria Martini, que morreu na sexta-feira (31) aos 85 anos.

    A opinião do religioso – que chegou a ser citado como cotado ao papado – foi dada durante a sua última entrevista, gravada em agosto e publicada pelo diário Corriere della Sera, de Milão.

    “A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e vazias e a burocracia eclesiástica está crescendo, os nossos ritos religiosos e vestimentas são pomposos”, afirmou o cardeal na entrevista, em que propôs uma mudança de direção radical.

    Milhares de pessoas vêm prestando as suas últimas homenagens a Martini na catedral de Milão, onde ele foi arcebispo por mais de 20 anos, até se aposentar em 2002, já sofrendo do Mal de Parkinson.

    Em sua última entrevista, o cardeal afirmou que muitos católicos perderam a confiança na Igreja Católica e defendeu, entre outras adaptações, uma postura mais generosa em relação aos divorciados.

    Além disso, ele pediu que a mudança comece no topo com uma “transformação radical, começando pelo papa e seus arcebispos”.

    Escândalos sexuais

    Martini tinha voltado à Itália recentemente, depois de passar os últimos se aprofundando em estudos bíblicos em Jerusalém.

    “Os escândalos sexuais envolvendo crianças nos obrigam a uma viagem de transformação”, disse Martini, referindo-se às várias acusações de pedofilia que surgiram contra líderes católicos nos últimos anos.

    O popular cardeal jesuíta era considerado liberal em diversos aspectos e foi muito respeitado pelos papas João Paulo II e seu sucessor, Bento XVI.

    Analistas dizem que ele ficou conhecido como crítico corajoso durante a sua passagem pela maior diocese da Europa.

    Ele não se furtava a tocar em temas que muitos no Vaticano consideram tabu, entre eles, o uso de preservativos para combater a Aids na África e o papel das mulheres no clero.

    Em 2008, ele chegou a criticar a proibição da Igreja à contracepção, afirmando que a postura possivelmente afastou muitos fieis. Dois anos antes, ele declarara publicamente acreditar que camisinhas são, em algumas situações, “o menor dos males”.

    No entanto, é muito incomum que um integrante do alto escalão do clero critique abertamente a forma com que a Igreja põe seus ensinamentos em prática.

    Analistas afirmam que o papa agora tem pela frente uma decisão difícil: comparecer ou não ao funeral de Martini na segunda-feira – o que, para muitos, seria uma poderosa afirmação da unidade da Igreja Católica.

    O atual pontífice é conhecido por não premiar líderes católicos que se atrevam a questionar a doutrina.

    A última entrevista do religioso foi dada no início de agosto a um jornalista e ao também jesuíta Georg Sporschill.

    O cardeal Martini foi um acadêmico e estudioso da bíblia respeitado, além de prolífico autor de livros populares sobre religião.

    O Corriere Della Sera agora planeja distribuir cópias do último livro do cardeal , Fale do Coração (em tradução livre), aos seus leitores.

    Publicado por jagostinho @ 15:19



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Míriam 11 Disse:

    ISSO É UMA REALIDADE. O DISCURSO É SEMPRE O MESMO, TEXTO LIDO E INCOMPREENSÍVEL.SE NÃO FOSSEM OS PADRES REGINALDO MANZOTI E , FÁBIO DE MELO E OUTROS MAIS, JÁ TERIA IDO PRO BREJO…

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