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  • 03set

    CONEXÃO BRASÍLIA/ANDRÉ GONÇALVES/GAZETA DO POVO

    Soa estranho o atual debate sobre o metrô na dis­­puta pela prefeitura de Curitiba. Não que o­­ assunto seja tabu, mas há um erro de timing. A eleição do metrô era a de 2008, não a de 2012.

    Escorados na proposta, Beto Richa (PSDB) e o vice Luciano Ducci (PSB) foram reeleitos na campanha passada com acachapantes 77,27% dos votos válidos. Lá se vão quase quatro anos. E a obra, como se sabe, não saiu do papel.

    Surgem três questões: 1) Ainda dá para mudar o projeto? 2) Vale a pena mudar? 3) Por que tanta demora?

    Ex-prefeito e candidato pelo PMDB, Rafael Greca tem repetido que a melhor solução é usar o recurso para cons­­truir um metrô aéreo e que fazer obras embaixo­­ da terra é coisa de “tatu”.

    O argumento é parecido ao­­ de Carlos Moraes, que na verdade apenas adaptou­­ o discurso do folclórico aerotrem do colega de PRTB e eterno candidato a presidente Levy Fidélix.

    Já Gus­­ta­­vo Fruet (PDT) tem batido na tecla de que a demora na­­ licitação da obra é provo­­cada pela incompetência ad­­mi­­nistrativa da gestão Beto/Ducci.

    Todos estão no direito de tirar uma casquinha da situação. Mas é preciso analisar os fatos com prudência. Principalmente, porque o metrô será das obras mais caras da história da cidade.

    De acordo com cifras de abril, quando o acordo para o financiamento da obra foi formalizado, o custo será de R$ 2,33 bilhões. Desse montante, R$ 1 bilhão vai ser desembolsado pela União, R$ 435 milhões pelo município, R$ 300 milhões pelo governo do estado e R$ 595 milhões pelo parceiro privado vencedor da licitação de parceria público-privada (PPP).

    Convencer o governo federal a aportar todo esse recurso não foi fácil. Foram ao­­ menos três anos de nego­­ciação e de concorrência direta com outras cidades que­­ têm propostas similares, como Porto Alegre.

    A título de comparação, o projeto de lei orçamentária da União para 2013, encaminhado na semana passada ao Congresso, prevê investimentos discricionários de apenas R$ 806 milhões para todo Paraná no próximo ano.

    A história recente mostra que ceder o lugar na fila dos recursos federais pode ser um caminho sem volta. Quando governador, Roberto Requião (PMDB) rejeitou dinheiro para a dragagem do Porto de Paranaguá e o estado continua a ver navios (mais de uma centena deles) fazendo fila para atracar.

    Além disso, não adianta achar que será possível transferir o bilhão negociado para o metrô para qualquer outro projeto – sem respaldo técnico nenhum centavo sai de Brasília.

    A respeito da demora, Ducci declarou no último dia 24 de abril que a licitação sairia até julho. Depois, precisou de uma nova lei municipal para adequar a proposta a uma medida provisória do governo federal que alterou as regras gerais para a contratação de PPPs. Pelo jeito, a obra só deve começar em 2013.

    Voltando às questões, não parece que exista espaço para mudanças no projeto. Há, basicamente, duas respostas válidas para todas as perguntas: sim, o acordo será mantido, ou não, o município se arrepende e abre mão do R$ 1 bilhão negociado com a União. Do ponto de vista do eleitor, parece que isso foi respondido há quatro anos.

    Se for para pensar nas eleições de 2012, a escolha não está mais em quem vai propor a obra, mas em quem vai executá-la.

    Também vale lembrar que, na melhor das hipóteses, ela só vai ficar pronta em 2016.

    Ou seja, vai demorar pelo menos mais um mandato inteiro.

     

     

    Publicado por jagostinho @ 10:48



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