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  • 30jul

    CONEXÃO BRASÍLIA/ANDRÉ GONÇALVES/GAZETA DO POVO

    Quem lê jornal já percebeu: o noticiário de política há algum tempo está dividido entre as campanhas municipais e o julgamento do mensalão, que começa na quinta-feira. Como ambos despertam fortes emoções, fatalmente uma parte do eleitorado vai misturá-los na hora de decidir o voto. Em Curitiba, contudo, será difícil escapar de um candidato a prefeito que não tenha como parceiro um partido envolvido no escândalo.

    Os quatro primeiros colocados na última pesquisa Datafolha* – pela ordem, Ratinho Jr. (PSC), Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB) e Rafael Greca (PMDB) – têm em suas chapas legendas com filiados (ou ex-filiados) no banco dos réus.

    À primeira vista, a situação que mais chama a atenção é a de Fruet. Ex-tucano e sub-relator de movimentação financeira da CPI dos Correios, agora ele está coligado ao PT, apontado como principal beneficiário do esquema e com oito nomes entre os 38 que serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Já Ratinho Jr. tem como principal aliado o PR, descendente do antigo PL, partido à época de três acusados de participação no esquema. Um deles é o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (atualmente no PMDB). Os outros dois são o ex-deputado Bispo Rodrigues e Valdemar Costa Neto, que permanece com mandato na Câmara pelo PR porque pegou carona nos votos de Tiririca em 2010.

    Ducci tem na coligação dois partidos enrolados no caso. Um é o PTB, com três filiados à época entre os atuais réus – Roberto Jefferson, que continua presidente da legenda; o paranaense Emerson Palmieri, então primeiro-secretário do diretório nacional; e o ex-deputado federal Romeu Queiroz. O outro é o PP do ainda deputado federal Pedro Henry, de Pedro Corrêa – um dos três deputados cassados por envolvimento no mensalão, ao lado de José Dirceu (PT) e Roberto Jefferson – e do ex-deputado paranaense José Janene, que morreu em 2010.

    Por último, há o PMDB de Greca. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o único envolvido do partido seria o ex-deputado paranaense José Borba, acusado de receber R$ 200 mil em dinheiro do “valerioduto”. Na época, ele era o líder da legenda na Câmara – acabou renunciando ao mandato para evitar a cassação e depois migrou para o PP.

    Com toda essa mistura, fica a pergunta: o mensalão deve ser tema da campanha em Curitiba? Há quem diga que uma eleição municipal envolve apenas temas locais, que o cidadão “descola” das questões ideológicas nacionais. Por outro lado, é mais do que justo (e necessário) debater princípios éticos, questionar os candidatos sobre o teor de suas alianças.

    A chave para integrar a reflexão sobre o mensalão à disputa pela prefeitura é fugir dos maniqueísmos. Afinal, a sopa de letrinhas das coligações sempre esconde surpresas. É preciso enfiar a colher lá no fundo para descobrir quem é o verdadeiro aliado de quem e o que está por trás dessas alianças.

    Como já foi colocado na campanha curitibana, trata-se no fundo de uma questão de “coerência”. Só que quem deve ditar esse conceito são os eleitores, não os candidatos. Até porque, como mostra a comparação das chapas com os citados no mensalão, o que existe mesmo é incoerência vazando por todos os lados.

    * Metodologia

    Pesquisa realizada entre os dias 19 e 20 de julho encomendada pela RPC TV e pelo jornal Folha de S.Paulo. Foram entrevistadas 832 pessoas. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos. O registro no Tribunal Regional Eleitoral é PR-00017/2012.

     



    Publicado por jagostinho @ 12:11



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