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  • 29jun

    COLUNA DE SÉRGIO MALBERGIER/FOLHA DE SÃO PAULO

    A crise paraguaia mostra muito mais onde estamos do que o que somos. O momento bananas em Assunção combina mais com Venezuela, Argentina, Equador e Bolívia do que com o Brasil.

    Aqui existe (alguma) ordem e (algum) progresso. O Brasil, como os EUA, pode reivindicar sua excepcionalidade. Os países latino-americanos são muito mais parecidos entre si do que com o Brasil.

    E o Brasil em muitos sentidos deve ser comparado com os EUA, não com os nossos vizinhos. Essa ao menos deveria ser nossa ambição.

    Mas se nossas diferenças com los hermanos são grandes, nossas semelhanças também o são. Tivemos ciclos recentes de relativa simultaneidade: autoritarismo, abertura política, onda liberal, crises econômicas, vitórias eleitorais da esquerda.

    Mas a resposta do Brasil às crises dos anos 1990 teve um twist bem brasileiro chamado lulo-petismo, que meio sem querer formou uma barreira contra o bolivarianismo messiânico de Chávez e o peronismo naftalina dos Kirchner ao criar uma quarta via e inspirar líderes como Ollanta Humala no Peru e Jose Mujica no Uruguai.

    São produtos legítimos de nosso soft power, disseminado em campanhas políticas de marqueteiros petistas pelo continente.

    Apesar de nossa força crescente, na crise paraguaia demoramos a nos posicionar e acabamos forçados a assumir a posição dos outros.

    Fomos a reboque de Chávez e Kirchner, atacando o impeachment paraguaio, ao invés de buscarmos diálogo, moderação e maior influência sobre nosso vizinho e seu governo de turno, que, registre-se, não rompeu nenhuma norma constitucional.

    O escorregão diplomático brasileiro foi tão grande que o Brasil teve de renegar sua posição default usada até em demasia de que não se intromete nos assuntos internos dos outros países.

    O que o sempre amigo Chávez fez na Venezuela, manietando Judiciário, Legislativo e Justiça Eleitoral por muitos anos é no mínimo tão grave quanto o impeachment paraguaio.

    O Itamaraty tucanou. Uma fraqueza que transformou nosso esquerdismo fake, tolerável porque fake, em equívoco diplomático grave.

    Não devemos nos alinhar a Caracas ou a Buenos Aires, eles que devem se alinhar conosco. A, digamos, esquerda que ocupa o poder na Venezuela, na Bolívia, no Equador e na Argentina é muito diferente da esquerda brasileira.

    Lula nunca foi de esquerda. Ele é do centrão, um estrategista maquiavélico e macunaímico, populista e humanista, que aprendeu na luta e na fila a fazer a coisa certa quando lhe fosse dada a oportunidade.

    Enquanto governou pela direita, Lula usou com brilhantismo o adesismo natural do esquerdismo nacional para cooptá-lo e locupletá-lo com as benesses do poder.

    Funcionou e nos liberou para mergulharmos sem culpa na economia de mercado, trocando comunismo por consumismo.

    O brasileiro médio sempre foi tão pobre que quando ganhou um pouco foi logo gastar, ao contrário dos chineses, que poupam muito porque temem o futuro

    . Aqui o governo petista implora: operários do Brasil, consumam!

    Nossa esquerda é tão adesista que se acomoda até com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

    “Hoje de manhã me reuni com um grupo de intelectuais da elite brasileira”, gabou-se o iraniano durante entrevista na Rio+20.

    Enquanto Dilma não quis recebê-lo, a, digamos, nata do esquerdismo brasileiro deu palco e aplauso a Ahmadinejad, mal recebido em qualquer democracia do mundo por sua perseguição a homossexuais, minorias religiosas e opositores em geral e por sua negação cínica do Holocausto.

    Aqui também teve protesto grande nas ruas contra Ahmadinejad.

    Mas cerca de 70 figuras de ponta esquerda como o sociólogo Emir Sader, o pcdobebista Haroldo Lima, um filho de João Goulart e até gente da UNE (que os oprimidos universitários iranianos não o saibam) foram prestigiá-lo.

    Aguardo até hoje um post no blog do professor Emir Sader sobre seu encontro com Ahmadinejad, seus insights depois de vê-lo.

    Agora, se a nata da esquerda brasileira abraça tão efusivamente Ahmadinejad, qual o problema de Lula abraçar o Maluf?

    Como disse o sempre sagaz Maluf à coluna da Mônica Bergamo nesta semana:

    “Eu, perto do Lula, sou comunista. Eu não teria tanta vontade de defender os bancos e as multinacionais como ele defende. Quando ele tira imposto dos carros, tira da Volkswagen, da Ford, da Mercedes. Quando defende sistema bancário, defende quem? Os banqueiros.”

    É isso aí. Maluf, quem diria, tem razão.

    Publicado por jagostinho @ 13:08



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