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  • 22jun

    EFE

    O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, fala no palácio presidencial após a Câmara dos Deputados abrir processo de impeachment dele

    O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, denunciou nesta quinta-feira (21) que enfrenta um “golpe de Estado expresso” em seu país, onde o Congresso acordou iniciar um “julgamento político” que, segundo o líder, “não tem nenhum argumento válido”.

    Lugo declarou à cadeia internacional “Telesur”, com sede em Caracas, que está sendo vítima de “um golpe de Estado expresso, porque o fizeram entre a noite e a madrugada”.

    “Nós dizemos que é até anticonstitucional, porque não se respeita o devido processo”, acrescentou o governante, antes de confirmar que às 12h (horário local) comparecerá ao Legislativo.

    Lugo indicou que “se uniram nesta quinta-feira (21) as forças mais conservadoras do país para pedir o julgamento político sem nenhum argumento válido”.

    O presidente disse esperar que nesta sexta-feira (22) “reine a racionalidade” entre os parlamentares e ele possa sair “arejado deste julgamento político injusto”.

    Lugo também advertiu que existem indícios “claros” de que o pré-candidato presidencial do Partido Colorado, Horacio Cartes, está por trás desse processo. Segundo ele, Cartes “sabe que sua candidatura não está crescendo” e estaria usando a tática de eliminar seus concorrentes.

     

    O governante também assinalou como responsáveis pela crise os que “não desejam a mudança no Paraguai e os que acham que é preciso eliminar este processo democrático iniciado em 2008”.

    A Câmara dos Deputados do Paraguai promoveu nesta quinta-feira, em apenas cinco horas e por arrasadora maioria, um “julgamento político”, no que o Senado se constituiu em “tribunal” e fixou um calendário de processo que terminará nesta sexta-feira (22), às 16h30 locais (17h30 de Brasília), com a sentença de Lugo.

    Durante a tarde, os cinco deputados designados como “promotores” expuseram suas razões para a destituição do presidente, citando entre elas os 17 mortos durante o choque armado entre policiais e camponeses na fazenda de Curuguaty, no último dia 15.

    Um ato político de seus aliados esquerdistas em uma instalação militar em maio de 2009, a onda de insegurança no Paraguai e o apoio à aprovação do Protocolo de Ushuaia foram os outros fundamentos para pedir a saída do presidente.

    Uma delegação de oito chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) viajou a Assunção para se reunir com Lugo.

    O secretário-geral da Unasul, Alí Rodríguez, informou que a delegação de chanceleres do bloco se reunirá com diferentes representantes políticos em busca de uma “saída” à crise.

    Em entrevista coletiva após o encontro dos chanceleres com Lugo, em sua residência, Rodríguez destacou que “o que ocorrer no Paraguai não se limitará às fronteiras paraguaias, afetando o conjunto da Unasul”.

    Rodríguez evitou responder se a Unasul reconhecerá o vice-presidente Federico Franco como líder paraguaio se Lugo for destituído no “julgamento político” desta sexta-feira.

    A preocupação da Unasul, disse, é “o exercício legítimo da democracia” e, dentro dela, “a reta administração da Justiça”, para o que é “indispensável que se respeite o devido processo, o que compreende o tempo necessário para que o acusado possa exercer seu direito à defesa”.

    Publicado por jagostinho @ 15:02



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