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  • 19jun

    Delúbio Soares (*)

    O que agora se debate na RIO+20 é muito mais que uma agenda para a questão ambiental. O que está em jogo é bastante maior do que possamos avaliar preliminarmente, embora já saibamos que a própria sobrevivência do planeta esteja em jogo. Mas – e isso é o que interessa – os países se reúnem e buscam denominadores comuns na discussão do presente e na tentativa de forjarem um futuro melhor.

    Há um esforço evidente para que se estabeleçam metas a serem atingidas em benefício da preservação ambiental e da melhora das condições de vida no planeta. As ‘Metas do Desenvolvimento Sustentável’ (MDS) são provas cabais disso.

    Elas são um conjunto de compromissos de ação e governança a serem assumidos pelos países participantes do encontro. O mundo poderá ter uma proposta equânime de sustentabilidade, com objetivos bastante claros a serem perseguidos na busca da transição para modernas estruturas econômicas e sociais comprometidas com um novo modelo de convivência humana, de exploração de recursos naturais e de respeito ao meio-ambiente.

    O atual modelo de exploração de nossas riquezas exauriu-se. Em pouco mais de um século de uso predatório do subsolo, de extração mineral desordenada, de agressão aos ecossistemas, de impressionante poluição do ar e das águas e de devastações das florestas, realizamos o nada honroso trabalho de colocar em risco a própria sobrevivência do homem e do planeta Terra.

    O que era até bem poucos anos um agenda destinada à platéias seletas, estudiosos aplicados ou aos devotados militantes da causa ambiental ridicularizados com a injusta denominação de ‘ecochatos’, agora é assunto relevante e do interesse de cada um. Para ser mais claro: a Terra nos chamou à responsabilidade e agora exige que tratemos com seriedade, competência e idealismo, o mais importante tema de hoje e das próximas décadas.

    Nada tem sido fácil e há muito ainda a ser feito, mas as conquistas já se apresentam nítidas aos que crêem que é possível vencer a dura batalha pela sobrevivência do planeta e da própria raça humana.

    Dos oito ‘Objetivos de Desenvolvimento do Milênio’, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas acerca de questões sociais, econômicas e ambientais, alguns já estão sendo atingidos.

    O Brasil, especialmente com o advento da chegada do presidente Lula ao poder em 2003, contribuiu enormemente para um dos mais importantes pontos elencados pela ONU: a redistribuição de renda.

    Quando, em menos de uma década, o Brasil levou 40 milhões de pessoas da pobreza para a classe média, mudando substantivamente a qualidade de vida de cada uma delas, acabou por tonar-se profícuo exemplo para um mundo melhor.

    Detentor da maior biodiversidade do planeta, com imensas reservas minerais, porte continental, terras férteis e agricultura produtiva, a esplendorosa Amazônia, fauna, flora e biomas incomparáveis, o Brasil deu passo decisivo rumo à sustentabilidade ao tornar-se, também, um país mais justo e com mais igualdade social.

    A África, marcada pelo subdesenvolvimento, dá a volta por cima, mesmo que lentamente, e coloca cinco de seus países entre as dez economias que mais crescem e avançam em todo o mundo. O crescimento do sofrido continente negro chega a quase 6% ao ano, realizando transformações de base na vida de mais de 1 bilhão de irmãos nossos.

    As reservas minerais, de água e as terras agricultáveis africanas são imensas e devem ser exploradas de forma sustentável. Manter o exato equilíbrio entre as necessidades versus potencialidades daquele continente e de sua população será um dos desafios desse tempo que se anuncia.

    E, como que mostrando a conscientização que cresce em todo o mundo e fortalecendo a agenda ambiental, iniciativas vem sendo tomadas pela sociedade civil independente dos governos.

    Empresários do setor industrial e fazendeiros norte-americanos, independente da posição antipática e irresponsável dos Estados Unidos em não assinar o ‘Protocolo de Kyoto’ e não se fazer representar na RIO+20 pelo próprio presidente Obama,financiam pesquisas e implementam práticas sustentáveis  com o intuito de reduzir a emissão dos gases que alimentam o “efeito estufa”.

    O Estado da Califórnia e dezenas de cidades de todos os portes já seguem o bom exemplo vindo da iniciativa privada.

    O Brasil está fazendo sua parte. Nunca, em qualquer outro governo, o Ministério do Meio-Ambiente foi tão feliz como está sendo em sua atuação sob o comando sereno e competente de Izabella Teixeira.

    Não existe uma prática messiânica ou mentirosa, jogando para o grande público e se distanciando tanto da realidade dos problemas quanto da responsabilidade de enfrentá-los e vencê-los. Mas há uma ação coordenada, sensata e capaz que coloca o Brasil na vanguarda da luta pela sustentabilidade e a preservação ambiental.

    O presidente Lula conseguiu isso com a chegada de Carlos Minc aquele Ministério tão importante e de missão tão crucial. A presidenta Dilma, assessorada por Izabella, continuou trilhando o mesmo caminho e apresenta resultados altamente satisfatórios, longe do aplauso fácil e abominando a demagogia eleitoreira.

    Voltemos nossas mentes e corações para a RIO+20. Lá se discute passado, presente e futuro.

    (*) Delúbio Soares é professor

    www.delubio.com.br

    www.twitter.com/delubiosoares

    www.facebook.com/delubiosoares

    [email protected]

    Publicado por jagostinho @ 18:57



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