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  • 06jun

    ELIO GASPARI/FOLHA DE SÃO PAULO

    Quando a polícia influencia uma política externa, é melhor economizar os salários dos embaixadores

    DEU GOSTO ouvir a referência da doutora Dilma aos “problemas enfrentados por viajantes brasileiros na Espanha” no seu discurso de boas-vindas ao rei Juan Carlos. Não precisava ter sido assim. Monarcas são feitos para enfeitar festas, e Elizabeth 2ª está aí para provar isso.

    Se a polícia do aeroporto de Barajas e o serviço diplomático espanhol fizessem seu serviço, em vez de ser obrigado a ouvir um tranco, o soberano poderia, feliz, ter anunciado o fim do problema.

    Há anos os brasileiros que chegam a Madri arriscam ser tratados como delinquentes.

    Em 2008, foram deportados 2.200 e em 2011 mandavam-se de volta quatro por dia.

    Para conter a imigração ilegal exige-se que preencham inúmeros requisitos, entre eles uma carta-convite (original, selada; se for xerox, volta).

    Isso vale até mesmo para quem chega a Barajas às 9h para pegar uma conexão às 11h45. Tudo dentro das leis europeias.

    Já houve gente dormindo no chão, senhoras sem acesso à bagagem onde estavam seus remédios, jantar de três sardinhas e quatro horas de espera para ir ao banheiro.

    Há poucos dias, um artista plástico foi devolvido porque faltava o carimbo na carta-convite de seu empresário italiano.

    De nada adiantou mostrar que já entrara e saíra da Espanha com aqueles mesmos papéis. Tudo bem, coisa de policiais.

    Em fevereiro, a doutora Dilma anunciou que Pindorama aplicaria aos espanhóis o elementar princípio da reciprocidade. Desde abril, o país que deporta brasileiros tem seus cidadãos deportados.

    A polícia de Barajas manteve sua rotina. Os celulares são confiscados e se a vítima quer telefonar, paga 5 euros, mesmo que a outra linha esteja ocupada.

    A Alemanha não pede carta-convite a quem vai fazer conexão, mas a Espanha continua exigindo-a. Enquanto isso, sua diplomacia dedica-se a repetir platitudes.

    Trata-se de um problema pontual de gestão. Deve-se deportar quem não tem os papéis em ordem, mas não há porque aporrinhar quem está a caminho de Lisboa ou quem comprovar sua boa-fé.

    Pode-se tratar os viajantes que chegam à Espanha com educação e bom senso. Resta tomar cuidado para evitar que a meganha queira terceirizar a fiscalização, envolvendo representantes da embaixada brasileira em Madri.

    Certamente haverá diplomatas mostrando que pouco pode ser feito, por causa disso ou daquilo. Nesse caso, os doutores devem ver o que aconteceu com seus similares do serviço consular americano no Brasil.

    Houve tempo em que os interessados num visto de entrada nos Estados Unidos faziam filas de madrugada nas ruas adjacentes aos consulados.

    Quando o companheiro Obama esteve na terra, a espera para marcar uma entrevista era de 107 dias em São Paulo e 105 no Rio.

    Se alguém reclamava, respondiam com banalidades. Em janeiro passado, de olho na caixa do turismo e nos votos da Flórida, o companheiro mandou que esses prazos fossem reduzidos.

    Em vez de repetir parolagens, a máquina administrativa americana pôs-se a trabalhar. A espera em São Paulo caiu para 11 dias, e o Rio já marcou entrevistas para o dia seguinte.

    A polícia de Barajas e a diplomacia espanhola negaram ao rei a oportunidade de mostrar que os espanhóis foram à luta.

    Publicado por jagostinho @ 09:39



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Antunes Disse:

    Simplesmente o Brasil devia retirar suas embaixadas e consulados da Espanha, já que elas só são enfeite como reis e rainhas. E despacahar os espanhois que estão aqui.

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