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  • 29maio

    O nome do personagem principal deste diário é Douglas. Não que seja verdadeiro. Na sua certidão de nascimento o nome é outro.

    Mas, no tempo de escola secundária, em sua sala havia um colega com o nome Douglas. O sobrenome daquele Douglas era de família importante da cidade.

    Então, no seu imaginário, adotou Douglas que ele achava que soava bem, que era mais bonito que o nome que seus pais lhe deram, e além de tudo, colocava-o num mundo mais nobre tanto quanto o sobrenome do colega.

    Coisas da puberdade. E, também, porque sempre foi, desde criança, um ser mal resolvido, em todos os sentidos.

    O nosso Douglas sempre foi um sonhador. Passava horas, antes de pegar no sono, em transportar-se para lugares e situações que almejava, mas jamais conseguiu.

    Até teve sucesso em alguns momentos de sua vida, pois sempre foi inteligente, sagaz e atento às coisas.

    Mas, nada o preencheu. Sempre houve um vazio na sua alma. Nunca entendeu porque para ele tudo sempre foi tão difícil.

    De nada lhe adiantavam os elogios de que na sua família teria sido o que mais avançou nos estudos. Tinha curso superior. Grandes coisas, murmurava, sempre que crises existenciais o atingiam.

    Quando formou família e os filhos chegaram até imaginou que, finalmente, teria algo consolidado em sua vida.

    Os filhos cresceram, se formaram todos, nunca lhe causando grandes problemas. Mas, até isso, hoje ele questiona. Não são os filhos que imaginou. E, deve não ter sido o pai que eles mereceriam, cobra-se.

    Hoje em dia, não lhe sai da cabeça, uma analogia que arquitetou: a tal de sala de espera.

    Sempre esteve nela. Esperando pela sua vez na vida. Imaginando a porta se abrir e alguém dizer, olhando para ele: chegou sua vez.

    Contudo, ela nunca chegou. Viu gente que chegou depois dele, gente menos preparada que ele, gente com mais influência que ele, com sobrenomes pomposos, sempre com a porta escancarada. Mas, para ele a porta nunca se abriu.

    Cada vez mais foi imaginado-se um inútil, supérfluo, desperdício da sociedade. Um pária. Um traste.

    Triste, viu a mentira, a hipocrisia, a traição, a inveja, a incompetência triunfarem. Onde será que ele errou?

    Esta pergunta sempre o acompanhou. Foi um martírio constante. Será que merecia isso?

    Cansou da contínua humilhação, pois teve que se rebaixar, ver seus brios aviltados para, vez ou outra, conseguir algo que tinha méritos mas que lhe eram concedidos como se fosse uma esmola.

    Vez por outra, a pergunta inevitável: onde está o Deus pai e fiel? Afinal, com pais de religiosidade exemplar, passou anos ouvindo que Deus é o nosso salvador, o nosso protetor.

    Sempre, praticou a caridade e esteve disponível para o próximo, pois a máxima era: amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo.

    E deu no que deu. Sem ter respostas, seguiu a lógica. Sem interferência de ninguém, hoje, acredita em um criador, mas, despreza, com asco, qualquer tipo de religião.

    Todas, para ele, são mercenárias e oportunistas. Com nomes diferentes, mas com método igual: lavagem cerebral e exploração das carências das pessoas.

    Pelo seu raciocínio, tudo começa aqui e aqui acaba. Estas mentiras de passaportes para o céu deveriam ser banidas do mundo.

    Agora, talvez, num delírio de quem já vê o fim da linha, imagina-se na mesma sala de espera.

    Só que agora, não esperando sua vez na vida. Pelo contrário, espera que a porta da morte se abra e uma voz soe: Venha, você  é o próximo.

    Sarcasticamente, ele se indaga: será que até nesta hora as coisas terão que ser a fórceps?

     

     

     

     

    Publicado por jagostinho @ 09:31



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