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  • 02maio

                                                                                                                    

    José Dirceu

    Pela primeira vez na história da França, o primeiro turno das eleições presidenciais terminou com um candidato à reeleição em segundo lugar, proeza conseguida pelo atual presidente, Nicolás Sarkozy (27% dos votos).

    A desaprovação ao governo Sarkozy está na base desse resultado, que registrou votos de protesto na candidata da extrema direta, Marine Le Pen (18,01%) e no centrista François Bayrou (9,1%).

    O risco que se corre agora é a campanha ser dominada pelas temáticas da extrema direita, visando à obtenção dos votos de Marine Le Pen, o que já acontece nos discursos de “redução de estrangeiros” que Sarkozy tem feito.

    Vencedor do primeiro turno com 28,63% dos votos, François Hollande pode incorrer no mesmo caminho se não entender que os 73% dos eleitores que não votaram em Sarkozy querem mudanças nas atuais políticas de enfrentamento e superação da grave crise que assola a Europa.

    À primeira vista, Hollande sinalizou que optará por um caminho mais à esquerda.

    “Esta noite me torno o candidato das forças que pretendem virar uma página”, afirmou após o término da apuração, indicando que chegou ao fim as posições recentes de seu partido, o PS (Partido Socialista), de apoio às escolhas neoliberais que Sarkozy fez diante da crise.

    Também é preciso reconhecer a sinalização da votação de Jean-Luc Mélenchon, candidato da Frente de Esquerda, que incluiu o Partido Comunista Francês (PCF).

    Com 11,13% dos votos, Mélenchon obteve a melhor votação de um candidato mais à esquerda desde 1981, constituindo-se no grande fato político das atuais eleições na França. Sua campanha e votação criaram uma nova alternativa e fizeram renascer a esquerda francesa.

    De fato, Mélenchon levou para a campanha a tese de que as novas fontes de inspiração à esquerda europeia devem estar nos processos de democratização e redução das desigualdades socioeconômicas na América Latina, com governos que imprimem ao Estado um papel de indução do desenvolvimento com distribuição de renda, recuperação dos recursos naturais e valorização do patrimônio público.

    Um modelo que tem seu maior exemplo no Brasil, com o ex-presidente Lula e, agora, a presidenta, Dilma Rousseff, mas que se verifica também nas experiências da Venezuela (com Hugo Chávez), Equador (Rafael Correa) e Bolívia (Evo Morales).

    Não há outro caminho possível, como podemos comprovar com os fracassos das políticas neoliberais ao redor do planeta, que, na Europa, se revelaram nos ditames da Alemanha à qual a França se atrelou.

    Foi esse conjunto ultrapassado e perverso de políticas que levaram Sarkozy a chegar ao fim de mandato como um presidente desprovido de propostas.

    Aliás, guardadas as proporções, Sarkozy vive um ocaso semelhante à oposição no Brasil. Ambos parecem não ter nada a propor, a apresentar ou a realizar além do ajuste fiscal, proteção aos banqueiros, cortes em direitos e benefícios sociais.

    Em suma, políticas recessivas que punem a população com desemprego e renda menor.

    Portanto, o mais importante a essa altura é derrotar Sarkozy e fazer desse fato político um meio de iniciar uma reviravolta na hegemonia da direita europeia.

    Na Espanha, por exemplo, bem cedo se esgotou o apoio ao governo direitista do PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy, eleito há apenas seis meses.

    Assim, uma vitória de Hollande pode sinalizar uma mudança em toda Europa , isolando a política de Angela Merkel e diminuindo o papel da Alemanha.

    Hoje, as pesquisas já apontam uma vitória de Hollande no segundo turno, o que seria a volta da esquerda ao poder na França, posição que já ocupou de 1981 a 1995 com o presidente François Miterrand.

    Mas essa vitória será mais significativa se proporcionar, em verdade, uma mudança de rumos no velho continente, com o abandono em definitivo do receituário neoliberal.

    Com tudo indicando a derrota de Sarkozy, as eleições legislativas de junho ganham em importância, pois os socialistas podem fazer uma maioria com a Frente de Esquerda e os verdes.

    Para isso, precisam crescer quase 10%, uma batalha e tanto, que vai depender das primeiras medidas dos primeiros 100 dias da Presidência de Hollande.

    Se realmente houver um embate de modelos antagônicos, não só os franceses serão beneficiados, mas todo o mundo.

    José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

    Publicado por jagostinho @ 15:19



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