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  • 07abr

    REUTERS

                                                                                                   

    A presidente Dilma Rousseff leva na segunda-feira uma longa lista de anseios à Casa Branca, mas há um objetivo que se destaca sobre os demais: jantar com Barack Obama.

    Dificilmente irá acontecer. A decisão do presidente norte-americano de não estender totalmente o tapete vermelho a Dilma em Washington simboliza que a relação entre as duas democracias gigantes, que para todos os efeitos desejam se tornar aliados melhores, ainda não encontrou uma causa comum – ou um momento mágico pessoal entre seus líderes – que leve a uma maior aproximação.

    Tópicos de maior peso, como a Síria, a política monetária dos EUA, acordos multibilionários de defesa e a exploração de petróleo no pré-sal brasileiro, também devem estar na pauta da reunião bilateral.

    Mas o verdadeiro rumor diz respeito ao que as autoridades brasileiras percebem como uma afronta ao protocolo e que, segundo elas, representa incapacidade norte-americana de reconhecer plenamente a recente ascensão econômica do Brasil e sua crescente influência sobre os assuntos globais.

    A agenda de Dilma na segunda-feira – que consiste em uma reunião com Obama na Casa Branca, um almoço de trabalho e uma conferência com líderes empresariais – contrasta com a recepção oferecida no mês passado ao primeiro-ministro britânico, David Cameron.

    O britânico recebeu um jantar de gala, embora a viagem não configurasse uma visita de Estado plena. Obama também levou Cameron a um jogo de basquete universitário em Ohio, onde os dois líderes foram fotografados rindo, comendo cachorro-quente e conversando com torcedores.

    Dilma deve participar de um jantar formal na segunda-feira na embaixada brasileira em Washington.

    Questionada sobre essa agenda, Erin Pelton, porta-voz da Casa Branca, disse que a reunião de segunda-feira será o terceiro encontro bilateral entre Obama e Dilma desde a posse dela, em janeiro de 2011.

    A reunião, acrescentou Pelton, “vai aprofundar uma parceria que nunca foi tão forte”.

    Visitas de Estado geralmente são evitadas em ano de eleição presidencial nos EUA, disse outra fonte oficial norte-americana.

    Líderes de aliados estratégicos dos EUA, como Japão, Canadá, Austrália, Turquia e Coreia do Sul, estiveram nos últimos anos em Washington sem receber uma visita de Estado completa.

    Mas os EUA devem oferecer pelo menos um gesto que irá agradar ao Brasil. Washington vai anunciar novos passos para facilitar a concessão de vistos para visitas de brasileiros ao país, segundo relato de outra fonte oficial à Reuters, sem entrar em detalhes.

    A questão é prioridade na pauta de Dilma por causa do seu valor simbólico, e também porque facilitará o intercâmbio turístico e comercial entre os dois países.

    O restante da agenda será mais complicada, com áreas de possível cooperação afetadas por recentes incidentes negativos.

    O governo Obama pretende, por exemplo, discutir como os EUA poderiam ter um maior papel na exploração de petróleo na costa brasileira.

    Mas o assunto passou a gerar atritos devido a recentes vazamentos de óleo em instalações da empresa Chevron na costa brasileira, que resultaram em ações judiciais no valor de até 22 bilhões de dólares, além de ações penais contra executivos da companhia e da empresa de perfuração Transocean.



    Publicado por jagostinho @ 11:14



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