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  • 13nov

    ODIARIO.COM/LONDRINA

    A ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) teve repercussão em Londrina. Um texto do ex-reitor da UEL, Wilmar Marçal, causou revolta em parte dos estudantes, que fará um protesto no Restaurante Universitário na próxima quinta-feira (17), às 12h.

    O texto de Marçal, enviado pelo próprio professor ao portal Odiário.com, começava reconhecendo o valor do movimento estudantil brasileiro, mas dizia que a organização havia sido desviada por um grupo de terroristas criados em “partidos políticos contrários aos contra”.

    As falas do ex-reitor se dirigem principalmente aos alunos das Ciências Humanas, “cursos considerados fáceis por pouco procura”.

    Ainda dizia que “esses sequazes de Guevara” sugavam o dinheiro público, vivendo em moradias estudantis, comendo quase de graça nos restaurantes universitários e fazendo várias graduções e pós para viverem anos às custas da universidade.

    Wilmar Marçal já havia entrado em embate com o movimento estudantil durante sua gestão à frente da UEL.

    Os alunos chegaram a ocupar a reitoria em protesto, reivindicando aumento no número de vagas da Casa do Estudante, entre outros pontos.

    O atrito entre o ex-reitor e a classe discente continua agora por causa do texto. Em carta aberta à comunidade, dez Centros Acadêmicos e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmam que a coluna de Marçal exprime seu preconceito e defende e elitização da universidade.

    Para eles, os acusados de terroristas são apenas que batalham para sobreviver durante os anos de gradução.

    Ainda declaram que o professor já se mostrava autoritário quando estava na reitoria.

    “Tal postura é previsível, pois Marçal, enquanto foi reitor da UEL, tentou emplacar um plano de segurança muito parecido com o plano de Rodas, que previa o cercamento completo junto com políciamento dentro do campus. Marçal sofreu uma rejeição imensa da comunidade universitária, inclusive vendo naufragar suas aspirações em seguir uma carreira política, pode ser daí que brota o seu rancor.”

    Confira o texto que causou a polêmica de autoria do professor e ex-reitor da UEL, Wilmar Marçal:

    Estudantes não, terroristas

    Há de se reconhecer e valorizar o movimento estudantil no desenvolvimento democrático do Brasil.

    Quando são organizados, os estudantes conseguem mobilizações importantes e o grito de alerta sempre ecoa com bons resultados comunitários.

    Mas, nos últimos anos, o que temos vivenciado e assistido não reflete o verdadeiro e legítimo movimento estudantil.

    Estão muito mais para um grupo de terroristas, criados nos becos escuros dos partidos políticos contrários aos contras.

    Nas universidades públicas brasileiras esses sequazes de Guevara encontram condições propícias para se multiplicarem.

    Adentram nos cursos considerados fáceis por pouca procura, sobretudo nas Ciências Humanas, vivem uma graduação, depois uma pós-graduação e mais adiante outra graduação.

    Em síntese: são predadores do dinheiro público por dez anos consecutivos, vivendo em moradia estudantil e comendo quase de graça nos restaurantes universitários.

    Encontram à disposição salas para reuniões, alegando que o espaço é público. Fazem festas para comemorar o nada e o inútil, fumam maconha por quase todo o campus e deixam o cabelo e barba crescerem para homogeneizar o fenótipo de guerrilheiros.

    Desafiam as leis, alegando perseguição da polícia e exigindo liberdade à contravenção. Em nada produzem ao País. Não são capazes de criar algo que melhore a vida do homem.

    Não possuem capacidade e até mesmo vontade para inovar com qualquer tecnologia ou aprendizado. São hematófagos, mal cheirosos e arrogantes. Em média possuem 30 anos de idade, homens e mulheres, o que certamente nos leva a questionar quem são, de fato, esses encapuzados?

    Chamar esses pequenos baldados de estudantes é uma afronta aos decentes discentes de nosso País. O verdadeiro estudante brasileiro tem família, princípios, disciplina, ideias e ideais.

    Essa frívola tribo que fez da USP uma notícia policial indesejada não pode ser chamada de movimento estudantil.

    São alienados e fúteis, criados com a garapa amarga do ódio e induzidos por militantes de ultraesquerda de partidos políticos e sindicatos de macarronadas, cujos “líderes” se esqueceram de acordar e não enxergam que o Brasil já é outro, bem diferente dos tempos da ditadura.

    Um bando de preguiçosos que querem a mídia como emblema de existência. É uma espécie em extinção. É só uma questão de tempo.

    Destruir o patrimônio público e impedir as pessoas de bem e trabalhadoras de ir e vir já são motivos suficientes para enviar esses nocivos bandidos para o lugar que lhes é peculiar na origem embrionária: a cadeia.

    A resposta dos alunos

    “Quem são de fato os encapuzados?”

    Essa pergunta foi feita pelo ex-reitor Wilmar Marçal. Para ele são “hematófagos, mal cheirosos e terroristas”.

    A questão não é quem somos, mas sim, porque estamos encapuzados? Se assim estamos é porque não somos “um bando de preguiçosos que querem a mídia como emblema de existência”.

    Não somos uma espécie em extinção. Somos estudantes que trabalham durante a graduação, para mantermos nossa subsistência e comprarmos nossos livros, muitos viajam ficando longe de suas famílias para realizar os estudos, não somos contemplados por políticas de permanência e ainda sim somos rotulados como “predadores do dinheiro público”.

    É lamentável e previsível que o ex-reitor da UEL, venha a público manifestar sua solidariedade com o reitor da USP João Grandino Rodas, que acaba de acionar 400 policiais, tropa de choque, helicópteros, cavalaria, bombas e submetralhadoras para por fim à ocupação da reitoria.

    Para ele, não há mal nenhum em se violar a autonomia universitária e transformar a Universidade de São Paulo em uma área militarizada.

    Tal postura é previsível, pois Marçal, enquanto foi reitor da UEL, tentou emplacar um plano de segurança muito parecido com o plano de Rodas, que previa o cercamento completo junto com políciamento dentro do campus.

    Marçal sofreu uma rejeição imensa da comunidade universitária, inclusive vendo naufragar suas aspirações em seguir uma carreira política, pode ser daí que brota o seu rancor.

    Sua carta destila muitos preconceitos. Chamar os estudantes de terroristas e defender a ação policial para uma questão política, mostra sua concordância com os métodos da ditadura militar.

    Mas do que isto, Marçal expressa um ódio de classe àqueles que batalharam para ingressar na universidade pública e que exigem que o direito à educação seja pleno, com moradia, alimentação, transporte e outras condições de permanência.

    Assim como Rodas, o ex-reitor defende a elitização da universidade, que deveria em seus sonhos reacionários extinguir os estudantes de humanas, os estudantes que ingressaram tardiamente na universidade, provavelmente porque a dura batalha cotidiana pela sobrevivência os impediu de passar no vestibular aos 17 anos.

    É preciso reafirmar: os 73 presos da USP, assim como os mais de 3 mil jovens que votaram a greve na USP pela retirada da PM do campus e fim dos processos aos lutadores são estudantes sim.

    Negar isto, chamando-os de baderneiros, maconheiros ou terroristas é um recurso ideológico bem conhecido das ditaduras e governos nazistas e fascistas. Temos em nossa “origem embrionária” não a cadeia, como pensa o ex- Reitor, mas a educação.

    Centros Acadêmicos de: História, Ciências Sociais, Comunicação, Biologia, Serviço Social, Arquitetura, Educação Física, Geografia, Agronomia, Artes Visuais e DCE – UEL

     

    Publicado por jagostinho @ 17:03



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