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  • 07out

    CONEXÃO BRASÍLIA/ANDRÉ GONÇALVES/GAZETA DO POVO

    Amanhã, Gleisi Hoffmann completa cinco meses como ministra da Casa Civil. É o mesmo espaço de tempo que Antonio Palocci permaneceu no cargo.

    Há muitas diferenças entre as duas fases.

    Palocci trouxe ao governo uma bagagem enorme. Em algumas ma­­­las, carregava a experiência co­­­mo ministro da Fazenda, a facilidade de diálogo com o empresariado.

    Noutras, havia lembranças encardidas da República de Ri­­­beirão e dúvidas sobre como au­­­mentou o patrimônio 20 vezes em 4 anos.

    Gleisi desembarcou no Palácio do Planalto com bem menos valises. Não era uma estrela da política nacional como o antecessor.

    Tampouco tinha fantasmas do passado escondidos no armário.

    A paranaense não era necessariamente, porém, uma figura pa­­­latável no pesado jogo do núcleo do poder.

    Era descrita como um “trator” pela oposição e ao mesmo tempo causava estranheza por ser loira, jovem e com voz de menina.

    Levou tempo (talvez ainda insuficiente) para o ambiente político digerir a nova ministra.

    Claro que os ares de novidade não passaram em branco. Todos os jornais foram atrás do passado de Gleisi.

    O primeiro furo foi a história de que ela havia recebido R$ 41 mil de multa do FGTS quando deixou Itaipu Binacional por decisão própria para concorrer ao Senado pela primeira vez, em 2006.

    O diretor da empresa, Jorge Samek, chamou a responsabilidade e isentou a colega.

    A oposição fez barulho, recorreu à Procurado­­­ria-Geral da República, mas o assunto aos poucos esfriou.

    De­­­pois, houve a denúncia da revista Época de que ela e Paulo Bernardo teriam utilizado o avião de uma empreiteira maringaense durante a campanha do ano passado.

    Como não apareceram provas concretas, apenas depoimentos de parlamentares que não quiseram se identificar, o tema também não prosperou.

    Ao final das contas, foram turbulências leves. Mas ainda havia a questão do trabalho em si. Gleisi estava preparada para assumir a coordenação de 38 ministérios?

    Na dúvida, o plano foi adotar um estilo similar ao da chefe. Em 2005, em circunstâncias parecidas, Dilma havia assumido a mesma Casa Civil no lugar de José Dir­­­­ceu.

    Decidiu focar-se no trabalho de gestão, ganhou a confiança de Lula e o resto da história todo mundo sabe.

    “Quando ela [Dilma] conversou comigo, me disse: ‘Olha, não quero você nas articulações da política’”, contou Gleisi na primeira entrevista após ser nomeada.

    A orientação foi seguida à risca. Na agenda do primeiro mês no Planalto, a ministra reservou 15 horários para despachos internos e teve 29 reuniões com ministros, contra apenas duas entrevistas coletivas e três aparições em eventos públicos.

    Aos poucos, também estreitou a relação com a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Compe­­­ti­­­ti­­­vidade, presidida pelo empresário Jorge Gerdau.

    Na mesma linha, reativou a Subchefia de Articula­­ção e Monitoramento da Casa Civil – um dos principais suportes técnicos da “era Dilma” na pasta.

    Cinco meses depois, percebe-se que qualquer semelhança entre o comportamento das duas não é mera coincidência.

    Dilma queria uma “sósia” na Casa Civil; não um José Dirceu ou um Palocci. Parece ter acertado na escolha.

    Engana-se, porém, quem acredita que a presidente arrumou apenas uma cópia.

    A paranaense é muito mais política do que a presidente era há seis anos.

    Após os cinco primeiros meses na estufa, não será surpresa se ela desabrochar como Gleisi – e não apenas como a Dilma da Dilma.

    Publicado por jagostinho @ 14:14



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