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  • 04out

    DER SPIEGEL

    • Svetlana Frolova, fundadora da seita e que agora se chama Mãe Fotina, acredita que Putin carrega o espírito do czar com ele. Todos os dias rezamos para ele retornar ao Kremilin, ela dizSvetlana Frolova, fundadora da seita e que agora se chama Mãe Fotina, acredita que Putin carrega o “espírito do czar” com ele. “Todos os dias rezamos para ele retornar ao Kremilin”, ela diz

     

    A Mãe Fotina já foi líder de um “Centro de Medicina Cosmo-Energética” e hoje reza para Vladimir Putin.

    Sua seita, em uma aldeia a leste de Moscou, homenageia o antigo e futuro presidente da Rússia como uma reencarnação de são Paulo.

    O grupo representa uma tendência ascendente na Rússia, mas suas origens são surpreendentemente mundanas.

    Mulheres em transe sobem um morro perto do rio Volga, dizendo que estão seguindo “a Lei do Amor”.

    A lei as leva a um edifício de três andares feito de tijolos brancos, com torrinhas douradas e um velho portão.

    Elas a chamam de “Capela da Ressurreição da Rússia”. No portão elas trocam as botas empoeiradas por sandálias de plástico verde antes de estender tapetes de oração feitos de espuma, e rezam para seu santo patrono: Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Rússia e futuro presidente (novamente).

    Elas acreditam que ele é uma reencarnação de São Paulo.

    As seguidoras dessa seita ortodoxa russa vivem na aldeia de Bolshaya Elnya, perto de Nizhny Novgorod, uma metrópole a 400 quilômetros a leste de Moscou.

    Sua líder chama-se “Mãe Fotina”, uma matrona de 62 anos que se considera a reencarnação de Joana d’Arc.

    “Eu proclamo o que Deus me revelou”, ela diz. Assim como Saulo perseguiu os cristãos antes de se converter em são Paulo, ela acredita que Putin perturbou os fiéis como oficial da KGB soviética.

    Os soviéticos explodiram igrejas ou as substituíram por piscinas, mas “quando ele se tornou presidente”, ela diz, “o Espírito Santo veio a ele”.

    Desde então Putin lidera seu rebanho “sabiamente, assim como fez o apóstolo”.
    “Nós rezamos pelo seu retorno”

    Em toda a Rússia – não apenas em Bolshaya Elnya – a afeição popular por Putin começou a se transformar em adoração religiosa.

    O principal rabino do país, Berel Lasar, declarou alguns meses atrás que os russos tinham “todos os motivos para pedir que Deus o abençoe. Todo dia e toda hora que você faz o bem para qualquer número de pessoas, você salva centenas e milhares de mundos”.

    Vladislav Surkow, o influente vice-chefe do Kremlin, vê em Putin “um homem que a fé e Deus mandaram para a Rússia”.

    Na cidade natal de Putin, São Petersburgo, uma proliferação de cartazes antes mostravam o primeiro-ministro como um anjo, com a mão estendida, abençoando os moradores da cidade.

    O rosto de Putin foi montado sobre uma foto do querubim coroando a catedral da cidade, dedicada a são Pedro e são Paulo.

    O afastamento de Vladimir Putin do cenário nacional parece tão desejável para os burocratas, as elites conservadoras e a maioria da população russa quanto um advento apressado do Julgamento Final.

    “Ele tem o espírito de um czar”, diz Mãe Fotina, vestindo uma túnica preta e touca branca.

    Borboletas e querubins dourados enfeitam seu altar caseiro. Fotina balança um incensário fumegante diante de um ícone de são Paulo-Putin.

    “Todos os dias rezamos para que ele volte ao Kremlin.”

    Sua súplicas aparentemente foram ouvidas. Em um ato de autossacrifício encenado no último fim de semana, o presidente Dmitri Medvedev recomendou a um Congresso do partido que Putin deve substituí-lo como candidato presidencial – e em última instância como presidente – em 2012.

    Os 11 mil delegados e membros do partido Rússia Unida aplaudiram como verdadeiros fiéis no Palácio de Gelo de Moscou, no que parecia uma missa de coroação.

    “A ligação da população com Putin é mais emocional do que com os políticos comuns”, disse o venerando historiador russo Roy Mevedev (que não é parente de Dmitri).

    “Ele é considerado uma espécie de líder moral.” Pesquisas mostram que 57% dos russos notam “sinais de um culto à Putin” no país; 52% acreditam que é uma tendência positiva.

    Durante quase quatro anos burocratas e cidadãos russos escutaram os discursos do presidente Medvedev em campanha por duras reformas e tentando modernizar o país.

    Em particular, porém, eles pareciam confiar que Putin solucionaria qualquer problema por virtude de sua aura – apesar de a corrupção no governo ter florescido durante anos e de a dependência do país das exportações de matérias-primas ter aumentado.

    Mãe Fotina acredita que as pessoas não têm opção, de qualquer modo. “Deus indicou Putin para a Rússia para preparar a volta de Jesus Cristo”, ela diz.

    Em Volgogrado – antiga Stalingrado – Putin formou uma aliança eleitoral com o nome ameaçador de Frente Popular, esperando “usar a população com ideias novas e interessantes”.

    Empresas estatais como os Correios (400 mil funcionários) e ferrovias (1 milhão) declararam sua afiliação à Frente Popular, assim como o “Movimento Agrário Russo”, que supostamente reúne os 38 milhões de residentes rurais da Rússia, e um número desconhecido de participantes da “primeira reunião de louras de toda a Rússia”.

    “A nova Eva”

    Em Bolshaya Elyna, a Mãe Fotina abre os braços. Nascida Svetlana Frolova, ela passou 21 meses na cadeia durante a década de 1990 por ter desviado dinheiro do governo como funcionária pública.

    Depois disso ela abriu um “Centro de Medicina Cosmo-Energética” e mais tarde o “Templo da Ressurreição da Rússia”.

    “Vejam, a nova Eva chegou à Terra”, ela declara, referindo-se a si mesma. Seus seguidores acreditam que Fotina pode curar apenas com a aplicação das mãos.

    Eles acreditam que, rezando, ela é capaz de curar doenças como a leucemia. Por esses serviços eles às vezes lhe entregam envelopes rotulados “Pelo Amor”.

    A Igreja Ortodoxa a acusa de bruxaria. Um motivo é que ela concorre com a igreja local de São Nicolau o Trabalhador Milagroso e aliena os fiéis doadores.

    “Alguns anos atrás a Igreja Ortodoxa colocou a polícia estatal (FSB, sucessora da KGB) atrás dela”, disse um oficial do exército aposentado em seu bairro.

    “Depois disso ela começou a elogiar Putin em público como um santo – para se proteger da investigação.”

    Como é habitual na Rússia de Putin, a história tem a ver principalmente com dinheiro.

    Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

    Publicado por jagostinho @ 18:54



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