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  • 28maio

    CAIXA ZERO/ROGÉRIO GALINDO/GAZETA DO POVO

    Parece ter passado meio despercebida pelos curitibanos uma declaração de Jaime Lerner.

    Numa entrevista à rádio CBN neste mês, o ex-prefeito, que praticamente inventou o atual sistema de ônibus da cidade, fez uma denúncia grave: afirmou que atualmente a prefeitura prefere deixar o transporte coletivo da cidade se degradar.

    Para ele, a intenção seria “justificar o metrô” que se pretende instalar por aqui.

    Há dois jeitos de se interpretar o que Lerner disse. Por um lado, pode-se pensar que seja apenas a vaidade do ex-prefeito que esteja se manifestando.

    Urbanista e arquiteto de renome, Lerner sempre se orgulhou das canaletas, dos ex­­­pressos e do modelo que instalou por aqui nos seus três mandatos.

    Tanto é que não perde uma chance de espalhar aos quatro ventos quantas centenas de cidades (de Seul a Bogotá) teriam copiado suas ideias.

    Lerner, assim, seria contra o metrô porque isso representaria sua obsolescência. Deixaria definitivamente para trás o seu legado mais importante como prefeito.

    E, como sua moral de ex-governador nunca andou muito bem das pernas, a passagem pela prefeitura continua sendo seu xodó.

    Por outro lado, é possível levar a declaração a sério. Lerner não é nenhum tolo.

    Nesse jeito de pensar, pode-se imaginar que o ex-governador não sairia por aí dizendo coisas como essa à toa.

    Além do mais, Lerner poderia muito bem defender que o metrô não seja instalado usando apenas argumentos técnicos (o número de pessoas atendidas não cresce o suficiente; a obra custa caríssimo, etc).

    O ponto é que, vindo de quem veio, a declaração mereceria ser analisada. Senão pelo Ministério Público, pelo menos pelas autoridades políticas encarregadas de fiscalizar a prefeitura.

    Ou seja: a Câmara Municipal. Mas sabe-se que a prefeitura (desde os tempos do próprio Lerner, diga-se) mantém uma maioria tão esmagadora e obediente no Legislativo que jamais alguém vai conseguir apurar a sério qualquer suspeita sobre a prefeitura partindo de lá.

    Basta ver o que aconteceu com a CPI dos Radares, morta cruelmente a pauladas pelos nobres vereadores.

    E, embora o sistema de ônibus da cidade tenha seus pontos positivos (não estamos tão mal quanto outras cidades, isso é certo), é visível que a população está realmente insatisfeita.

    Basta pegar um ligeirinho a qualquer hora, um mi­­­cro-ônibus com motorista tendo de cobrar passagem ou um expresso em horário de pico para ver como é a real situação do transporte na cidade.

    De qualquer jeito, já que a Câmara não discute nada que tenha a ver com a prefeitura, cabe aos cidadãos o papel de fiscalizar o que acontece nas ruas.

    E refletir se o ex-prefeito pode ter razão em sua denúncia ou se estamos apenas vendo um resmungão infeliz com o que fazem com seu legado.

    Publicado por jagostinho @ 11:26



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