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  • 28maio

    Beatriz Cordeiro Abagge foi condenada, neste sábado (28), a 21 anos e quatro meses de prisão pela morte do menino Evandro Caetano, ocorrida em Guaratuba, Litoral do estado, em 1992.

    A sentença foi lida pelo juiz Daniel Surdi Avelar, que presidiu a sessão, por volta das 17h15.

    O julgamento, que começou na sexta-feira (27), durou aproximadamente 15 horas. A sentença determinou que a pena seja cumprida em regime semi-aberto.

    Isso porque ela já cumpriu cinco anos e nove meses de prisão ao longo do processo.

    Ainda de acordo com a sentença, Beatriz terá o direito de aguardar o recurso, contra a decisão do júri, em liberdade.

    Centenas de pessoas acompanharam as argumentações da defesa e da acusação no julgamento. Os pais do menino Evandro também estiveram presentes.

    Acusação

    Os primeiros a falar neste sábado, segundo dia do julgamento, foram representantes do Ministério Público (MP), responsáveis pela acusação.

    Eles disseram que há provas de que o corpo encontrado era do menino Evandro e da ligação de Beatriz com crime. O MP afirmou ainda que não há indícios de que a ré sofreu tortura para confessar.

    Eles também mostraram vídeos com a confissão dos acusados.

    Durante a fala da acusação, os presentes no plenário deram risada dos argumentos apresentados em diversos momentos.

    Até que o promotor responsável pelo caso, Paulo de Lima, interrompeu sua apresentação e se dirigiu ao plenário: “Vocês acham isso engraçado? Eu não acho. Precisamos encerrar urgentemente esse caso. O Evandro não tem voz. Não está aqui hoje. Mas eu sou a voz dele aqui hoje”.

    A acusação encerrou sua fala às 11 horas. Antes do início da apresentação da defesa, o juiz pediu para os presentes não se manifestassem nem a favor e nem contra as apresentações.

    Defesa

    Em seguida foi a vez da defesa, que sustentou que Beatriz foi torturada e estuprada. Segundo os advogados dela, mesmo que o corpo encontrado seja de Evandro, não há provas da ligação de Beatriz com o crime.

    Durante a defesa, Beatriz se mostrou bastante emocionada e chorou por diversas vezes, principalmente ao ouvir novamente a gravação do vídeo em que confessa a participação no crime.

    O advogado de defesa, Adel El Tasse, deu inicio a sua sustentação usando citações de Beatriz e de sua mãe, Celina Abagge: “Não sei quantas vezes fui estuprada ou por quantos”, disse o advogado, atribuindo a fala à Beatriz.

    “Escutava minha filha gritar: ‘não, não faça isso, pelo amor de Deus, mãe socorro’, e eu pedia pelo amor de Deus que não matassem minha filha. E ouvia eles dizendo ‘tirem a roupa dela’ enquanto ela gritava”, teria dito Celina.

    A defesa também mostrou vídeos nos quais Beatriz estaria sendo torturada, tendo o braço torcido para falar ou com trechos com música ao fundo, recurso usado para esconder os sons da tortura.

    A promotoria chegou a interromper a fala da defesa quando Adel acusou Diógenes Caetano, tio do Evandro, que encontrou o corpo, de ter inventado o caso, plantando provas, para prejudicar a família Abagge.

    A defesa também chamou o próprio processo de farsa. “Há mais de dez anos o tribunal já disse que a Beatriz é inocente. Foi o desejo soberano de sete jurados que durante 34 dias analisaram o processo inteiro e concluíram que a Beatriz era inocente”, disse o advogado de defesa.

    “Nós fazemos uma defesa apaixonada. A defesa defende a própria democracia, a defesa do direito das pessoas não terem a casa arrombada, não serem torturadas ou estupradas. É uma defesa das regas democráticas”, disse Adel.

    Por volta das 12h30 o tribunal entrou em recesso para o almoço. A sessão foi retomada por volta das 14 horas com a réplica da acusação e a tréplia da defesa.
    Testemunhas

    Durante o dia, na sexta-feira, foram ouvidas sete testemunhas, sendo quatro de defesa e uma de acusação.

    Nos momentos de interrupção da audiência, a mãe de Beatriz, Celina, tentou consolar a filha. Celina e Beatriz não falaram com a imprensa. O plenário foi tomado por amigos e parentes das Abbage.

    “Está claro que não há prova que sustente a acusação. Mesmo que o corpo seja de Evandro, não há como comprovar a ligação dela”, disse o advogado Adel El Tasse.

    Os pais de Evandro assistiram ao julgamento no segundo andar do auditório. “Estamos confiantes. Dezenove anos é muito tempo. Esperamos justiça, mas nada vai trazer o Evandro de volta. Não há um dia que eu não me lembre dele”, disse o pai do menino assassinado, Ademir Batista Caetano, 62 anos.

    Maria Ramos Caetano, 58 anos, mãe de Evandro, abalada, preferiu não falar com a imprensa.

    gazetadopovo.com.br


     

    Publicado por jagostinho @ 18:11



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