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  • 24dez

    Fonte:-FOLHA.COM

    No armário do funcionário público Gilson*, 44, há cinco pares de sapato iguais. Só

    Consumidores em loja de comércio popular em São Paulo; compradores patológicos são 3% da população mundial

    neste ano, ele calcula ter comprado oito celulares.

    Para pagar seus excessos, já tomou dinheiro emprestado e estourou o limite do cheque especial. Suas dívidas, hoje, chegam a R$ 30 mil, dez vezes o valor de seu salário.

    O funcionário público diz que parou a terapia por falta de caixa. “Minha mulher briga comigo por isso, mas entende que é uma doença.”

    Gilson sofre de oneomania, transtorno psiquiátrico que faz a pessoa comprar sem controle e se endividar.

    Não é um distúrbio raro. Compradores patológicos são 3% da população.

    “É um transtorno do impulso. A pessoa é levada a comprar para compensar alguma angústia. E se arrepende logo em seguida”, diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, da Unifesp, que coordena um programa de atendimento a dependentes.

    “A pessoa cede por questão emocional. Compra mesmo se não precisa, ou em quantidade exagerada”, diz a psicóloga Tatiana Filomensky, do Instituto de Psiquiatria do HC.

    O aposentado Carlos chegou a ter sete TVs. Comprou freezer extra para acomodar as compras excessivas que fazia no supermercado.

    Quando passava em frente a uma financiadora de crédito, aproveitava o fato de ser aposentado para conseguir empréstimo facilitado. E diz que gastava metade do valor antes de chegar em casa.

    “Eu sentia prazer em ver o cartão de crédito passando na maquininha.” Hoje, seus cinco cartões estão lacrados e guardados com a filha.

    “Minha ansiedade está controlada. Só não posso “beber” de novo”, diz Carlos, 62. Ele atribui a recuperação ao grupo Devedores Anônimos, que frequenta há três anos.

    “Nem precisei de psiquiatra. Nas reuniões do DA, aprendi que não podia mais ter cartão”, diz o aposentado.

    Publicado por jagostinho @ 16:05



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