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  • 27ago

    Recebi do amigo Delúbio Soares

    “A elite do Brasil é o seu povo”

    Santiago Dantas

    No momento em que o Brasil se reencontra com seu destino de grandeza e vive um dos melhores momentos da nacionalidade, com o resgate de sua auto-estima e a superação de problemas que afligiram nosso povo por séculos, é bom registrar algumas impressões sem o receio de parecer ufanista ou distante da realidade.

    Poucos foram os povos que conseguiram realizar transições políticas tão radicais e mudanças sociais tão profundas sem traumas ou conflitos. O brasileiro é um deles. Para muito além do “homem cordial”, identificado pelo talento de um de nossos mais brilhantes intelectuais, Sérgio Buarque de Hollanda, meu companheiro na fundação do Partido dos Trabalhadores, existe, também, um homem cosmopolita e dotado de um humanismo invejável.

    Onde povos se perderam em conflitos estéreis e tingiram de sangue suas histórias pátrias, nós nos reencontramos em concertações políticas, eleições democráticas, Assembléias Constituintes, transições pacíficas do autoritarismo para a democracia. Onde países perderam anos ou décadas envoltos em guerras civis, nós fomos construindo o futuro. Tivemos interregnos, é verdade. Purgamos ditaduras, suportamos presidentes sem voto, conhecemos a brutalidade de regimes de exceção. Mas o Brasil, em verdade, nunca saiu menor ou retrocedeu em sua história. Nem sempre por obra de governantes, com as honrosas exceções de praxe (Getúlio em seu governo democrático, JK em seu furacão desenvolvimentista e Lula no comando de uma revolução social e econômica que transformou a face do país), mas por ação do agente principal de nossa história: o brasileiro.

    Fico a me perguntar em que outro recanto do mundo um povo abre os braços com tanto carinho e solidariedade recebe nossos irmãos judeus e árabes, japoneses e espanhóis, italianos e chineses, coreanos e russos, ucranianos e poloneses, e constrói esse país fraterno e pluralista? É raro. E, talvez, como no Brasil, em mais nenhum.

    Qual país tem em sua formação racial componentes tão múltiplos, tão nobres, tão belos, onde fatores históricos uniram o colonizador europeu, o índio, o negro, o emigrante, e dessa junção de raças, credos, idiomas, culturas, surgiu um povo no qual os traços mais evidentes são a alegria, o talento, a garra, a bondade e um profundo sentimento de solidariedade e respeito aos seus semelhantes? Se outras riquezas não tivéssemos em nosso território continental e abençoado, essa já nos bastaria para justificar o sucesso que se projeta em nossa vida nacional.

    Foi essa força que vem do povo, das raízes de nossa gente, do Brasil profundo, das entranhas de uma Nação que se recusa a não cumprir senão o seu destino de grandeza e protagonismo no concerto das grandes Nações do mundo, que impulsionou o Brasil e o recuperou em menos de sete anos do extraordinário governo do presidente Lula. Não houve mágicas, nem milagres. Um avatar escolhido pelo destino não nos salvou. Foi o Brasil que se salvou a si mesmo, ao buscar em sua formação histórica, na fortaleza de seu povo e na dignidade de sua gente, a solução de seus problemas. O Brasil deixou de pedir licença para ser o grande país que sempre foi, mas que se recusava a assumir perante o mundo a defesa de seus direitos. Recusamo-nos a continuar como país de segunda classe ou republiqueta desprezível. Ao invés de um chanceler tirando os sapatos para ser revistado num aeroporto norte-americano, como no governo de FHC, vimos o presidente dos Estados Unidos celebrando as qualidades pessoais do presidente Lula: “Ele é o cara!”

    Somente um povo iluminado poderia operar uma transição entre o autoritarismo político e a democracia plena sem uma gota de sangue. Somente um povo extraordinário conseguiria realizar a proeza de levar um líder como Lula ao poder e dar-lhe a necessária sustentação e apoio para que ele realizasse as reformas profundas no tecido social e econômico de um país que se encontrava a beira do colapso, após três quebras consecutivas, desacreditado perante o mundo e sem auto-estima alguma.

    Sinto imenso orgulho do Brasil e dos brasileiros no momento em que nossa economia vive o seu melhor momento e os mercados se abrem para o Brasil. Faz poucos dias o nosso PIB ultrapassou o da Espanha e já somos a oitava economia mundial. Estamos, portanto, a um passo do G7 e poderemos nos sentar entre as maiores potências mundiais para decidir questões fundamentais para a economia, o meio-ambiente, a paz do planeta. Não será nenhum favor, mas o reconhecimento de uma conquista do povo que resolveu assumir o papel que lhe estava destinado faz décadas, talvez séculos.

    Esse povo não está olhando para trás. Está olhando para muito além do futuro próximo. Os brasileiros estão vendo algo que parte da elite dirigente, a classe política, a grande imprensa ainda não viu. O povo, por intuição divina ou pelo sofrimento que o dota de imensa clarividência (ou pelos dois), vê mais e vê antes. Por isso, faz a história.

    (*) Delúbio Soares é professor

    www.delubio.com.br
    www.twitter.com/delubiosoares
    [email protected]

    Publicado por jagostinho @ 11:07



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

11 Respostas

WP_Cloudy
  • Roberto Batista Disse:

    Delúbio não. Deixa esses aloprados, canhalhas mensaleiros fora da política. Já foram varridos… Essa corja é capaz de estragar a belíssima campanha da Dilma.

  • Fabio Sesterhenn Disse:

    Delúbio Soares?? Aquele operador do MENSALÃO ??

    aquele cara tem credibilidade de uma nota de R$3,00

    mas é muito rico. é ele quem paga para este blogueiro?

  • Parreiras Rodrigues Disse:

    Belo texto. Um tanto quanto piegas. Mas o excesso de pindoramismo não o desilustra. A velha tática da exaltação dos valores nacionais para se tornar agradável aos olhos dos desavisados também não. O seu autor, sim.

  • Aristeu Cenezin Disse:

    Trata-se de um dos políticos mais idealistas do país: não enriqueceu, viveu e vive em função de seu partido e de seus ideais, aguentou firme e não entregou ninguém. Ao lado de Zé Dirceu deu imensa prova de caráter e dignidade pessoal, além de grande fidelidade ao PT e ao presidente Lula. Enquanto isso, o alcagueta Roberto Jefferson, hoje aliado a José Serra, depois de ter traído o PT, hoje trai o PSDB expondo as vísceras da campanha dos tucanos, criticando, chantageando, repetindo seu jogo sujo e suas práticas mesquinhas. Parabéns Jota pela publicação do artigo desse dirigente político e companheiro petista que é Delúbio. Nós, petistas do Paraná, nós orgulhamos de seu exemplo de doação à causa democrática e de amor ao país.

  • NATANAEL Disse:

    Este provou que é amigo. Enfrentou com coragem os lobos famintos da oposição. Responde de cabeça erguida na justiça as acusações. Nada provado até agora. Tanto que é candidato a deputado aqui em Goiás e vai ganhar.

  • ester marina Disse:

    Esse foi um pequeno sobre o qual caiu o mundo.Mas está de pé. Refaz a vida de professor e por muito falsos amigos foi abandonado. A história vai fazer justiça a ele.

  • Fagundes Disse:

    Jota , se o Delúbio é seu amigo eu respeito sua coragem em reproduzir um texto dele em seu Blog. Aliás, um belo texto que mostra que é um professor bem preparado. E vc como amigo do Requião segue a máxima do ex governador que disse em entrevista(sensacional e a melhor que assisti na minha vida) a vc em seu Blog e que disse em alto e bom tom: Amigo é amigo e FDP é FDP. Está certo vc.

  • ROBERT Disse:

    Jota , conheço seu lado cristão muito bem. E para mim não é surpresa sua atitude em declarar que é amigo de Delúbio. Amigo é para as horas ruins. Na boa todo traíra bate nas costas da gente. Já vivi esta experiência. Parabens.

  • Denise Disse:

    Jota. Gostei de conhecer o outro lado deste Delúbio que eu odiava tanto pois a televisão demonizou ele. Jornalismo sério é isto. E o Paraná conhece bem vc e o seu carater e reconhece-o como um dos maiores comunicadores do nosso Estado.

  • Gasparito todo bom Disse:

    Acho que as pessoas tem prazer em prejulgar.Imagina que nunca algo possa acontecer contra ele. Não gosto das coisas que o mensalão fez. Mas não tenho o direito de acusar sem saber a verdade por inteiro.

  • Nascimento Disse:

    Que tal uma “entrevista bruta” com o Delúbio. Seria sensacional, pois vc é mestre na hora de arrancar as verdades dos entrevistados. Será que ele toparia?? Quem não deve não teme !

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