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  • 16ago

    BLOG VIA POLÍTICA/ANDRÉ HENRIQUE

    É comum vermos eleitores e jornalistas atacando as alianças políticas dos adversários e, quase sempre, o fazem sem cautela e por mera paixão partidária.

    A atividade política exige pragmatismo e realismo. Os políticos atuam de acordo com o jogo de forças dado pela realidade, portanto, na política, é comum o inimigo de ontem se tornar o amigo de hoje.

    Não se trata de dizer que “político é tudo igual” ou que “na política tudo pode”, trata-se de partir do pressuposto de que a política lida com interesses, logo, nela, como dizia Max Webber, “nem tudo que reluz é ouro.”

    Se um marciano, que tivesse passeado pelo Brasil em 1989, e retornasse ao país vinte anos depois, teria uma síncope ao ver o presidente Lula de braços dados com Sarney, Renan Calheiros e Collor.

    É uma incoerência política. O PT nasceu para quebrar as correntes do coronelismo Brasil afora, no entanto, em nome da governabilidade, Lula entregou parte do governo ao coronelismo – já comprometendo um futuro governo da Dilma, que terá de fazer inúmeras concessões aos “coronéis”.

    Aqui, em São Paulo, também nasceu uma aliança polêmica: os tucanos e o ex-governador Orestes Quércia uniram forças. Para quem não sabe, o PSDB surgiu de uma ruptura com o ex-governador, no final da década de 1980.

    Dissidentes reclamavam que o partido havia sido engolido pelo “quercismo” e, portanto, criariam um partido que viria ao mundo para romper com traços iberistas – populismo (salvacionismo), clientelismo (favores) – presentes nas veias da política brasileira.

    Vinte anos depois, PSDB e Quércia estão juntos. Afinidade programática? Nada disso. Pragmatismo político.

    O presidente Lula apoiou Sarney, basicamente, para conseguir o apoio do PMDB à candidatura de Dilma, angariando tempo de TV, palanques e estrutura.

    De imediato, os objetivos do presidente Lula foram alcançados, no entanto, o custo para democracia foi alto: Lula ajudou a expor o Senado à opinião pública, como a casa da impunidade; e mais, a identidade do PT feneceu perante o país, posto que, o partido que nasceu para combater o patrimonialismo, o alimentou.

    O apoio de José Serra ao PMDB paulista tem sido parte de uma estratégia óbvia, tirar do PT, palanques peemedebistas e minar as forças da coligação nacional entre PT e PMDB.

    Não sabemos, exatamente, o quanto esta aliança custará ao tucano, mas, no futuro, se eleito, ele terá de ceder espaço aos peemedebistas. Para Quércia, a coligação é interessante, porque ele almeja uma vaga no Senado por São Paulo.

    É provável que o PSDB tenha um modelo de partilha de cargos melhor do que o petista, e há quem pense o contrário, mas o fato é que independente de quem vencer, terá de compartilhar poder com as forças do fisiologismo.

    Como sair dessa jaula de ferro? Não há uma solução definitiva, a questão é complexa e não pode ser simplificada. Há quem diga que a solução é uma reforma política, no entanto, este termo precisa de substância, ser traduzido em propostas reais; para tanto, é necessário debate sério, especializado e livre de paixões partidárias calorosas.

    Não podemos partidarizar dilemas que são de todos: como haver coligações políticas coerentes em um país de partidos fracos e de infidelidade partidária? Como ter coligações coerentes em um país em que o sistema político é pouco transparente, caro e favorece mais personalidades do que o coletivo?

    Como esperar que os políticos mudem uma estrutura que os favorece? Estas questões devem ser debatidas entre a sociedade e os políticos, caso contrário, a sociedade continuará desconectada da política

    Publicado por jagostinho @ 16:33



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Priscila Marques Disse:

    Alianças políticas são necessárias. Aliás se o PT está onde está foi por causa das alianças. Podem reclamar do PT por muitas coisas, mas eles sabem honrar uma parceria.
    Não acho tão estranho essa aliança do Quércia com o Serra. Afinal, eles já estiveram juntos por muito tempo.
    Em determinado momento histórico se desentenderam, mas, eles são de direita, logo, não acho tão estranho essa aliança já que no fim das contas estão no mesmo lado.
    Estranho mesmo é a aliança de Lula e Collor. Afinal, eles SEMPRE foram inimigos históricos. Um de extrema direita e outro de extrema esquerda. isso sim é muito mais estranho.

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