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  • 16ago

    ALESSANDRA ALDÉ – CIENTISTA POLÍTICA

    OS SÍMBOLOS COM QUE CADA POLÍTICO TENTA CONQUISTAR O ELEITOR

    Em 2002, o Jornal Nacional decidiu que faria a “maior cobertura eleitoral da história”. Foi o ano em que estreou o formato de entrevistas com os candidatos à Presidência da República. A  imagem de Lula na bancada do telejornal de maior audiência do país, tratado quase com simpatia pelo casal Bonner, foi um marco da mudança de posição da TV Globo nas coberturas eleitorais.

    Desde então, as entrevistas passaram a fazer parte do calendário eleitoral – em geral, com mais audiência que os debates. Na semana de 9 a 13 de agosto, os principais candidatos a presidente deste ano estiveram por 12 minutos, cada um, diante dos apresentadores e entrevistadores do JN. Para quem já acompanha a movimentação dos candidatos, não houve grandes surpresas. É bom lembrar, no entanto, que para a maior parte dos eleitores brasileiros foi uma oportunidade inédita para recolher informações e montar a imagem dos concorrentes.

    Na segunda-feira foi a vez de Dilma Roussef. Ela parecia uma senhora elegante, saída de uma revista feminina dos anos 50 – de rosa e branco, o sorriso um pouco dentuço ressaltando as bochechas redondas. Esta impressão de singeleza feminina tradicional se esvai no momento em que ela fala. A voz da petista é grave e um pouco rouca, ela usa um tom firme de quem tem certeza. O que pode ser interpretado como sinal de energia, liderança; mas também pode resvalar para a arrogância, como quando ela falou sobre a popularidade de Lula, parecendo se gabar e fazer pouco das críticas.

    Na entrevista, mais curta e dinâmica, Dilma se sai melhor que no debate. Ela cresceu diante do tom acusatório de Willian Bonner, reagiu com rapidez e diminuiu a sensação aos telespectadores de quem está sempre repetindo um discurso decorado. Os elementos visuais sugerem que não foi uma situação fácil para a candidata: o rosto brilhante e a posição corporal, inclinada para a frente, indicavam a tensão e uma atitude incisiva.

    Dilma marcou um ponto quando justificou sua fama de dura com a necessidade de cobrar resultados, como uma mãe: ao mesmo tempo em que é uma referência feminina que todo mundo conhece, é um argumento para qualificar positivamente um traço inevitável da sua personalidade. Como fez Fernando de la Rua, na Argentina, em 2000: “Tenho fama de chato, e sou mesmo – mas é porque levo o país a sério”, dizia ele.

    Marina Silva tem um formato compatível com a televisão – que pede gestos pequenos e closes expressivos, tom íntimo e atencioso de quem entra pela sala ou pelo quarto das pessoas, bem na hora do jantar. Seus sorrisos são convincentes e seus figurinistas estão de parabéns – pois é notável que, nas últimas semanas, Marina tenha dado um salto em elegância, sem perder o estilo. Ou seja, dentro do gênero sarcedotal-étnico que a caracteriza, está agora bem penteada e discretamente maquiada, vestindo um conjunto branco com camisa preta justos e discretos. Tudo muito contemporâneo e chique.

    Ao contrário de Dilma, Marina prefere alguma platéia, como no debate, ao cenário frio do Jornal Nacional. Meio ensaiada na primeira resposta, que saiu forçada, ela melhorou ao longo da entrevista, mostrando firmeza diante da insistência de Bonner em cobrar sua posição diante do escândalo do mensalão no governo Lula. Ela trouxe dois pontos que podem beneficiá-la: um discurso de “bem público acima dos partidos”, que encontra apelo eleitorado desconfiado dos partidos. E o foco na origem e identidade popular, que transmitiu emoção à fala final.

    José Serra mostrou-se tranquilo e sorridente, cortês com os apresentadores e à vontade no seu terno escuro e gravata vinho. Dos três, ele foi o que mais conseguiu desviar as questões para sua própria plataforma de campanha. O tucano contornou a primeira pergunta, sobre ser de oposição, mas elogiar o governo, com o argumento clássico de que prefere manter o que é bom e mudar o que é ruim. Sua fala final foi o ponto fraco da entrevista. Mais uma vez ele fechou lembrando ao eleitor que “é de família modesta”. Ao contrário de Marina, este não é o papel que combina mais com a imagem de político experiente e bom administrador que Serra vem reivindicando.

    Sem grandes novidades, a desenvoltura de Serra mostra que ele está mais acostumado, e é o mais preparado para lidar com a imprensa, o que é um capital e tanto nas campanhas de hoje. Conseguir respeitar os rituais jornalísticos e ainda promover propostas  era o grande objetivo dos candidatos esta semana. Bem assessorados, todos conseguiram, cada um à sua maneira, se apresentar no programa jornalístico mais visto da TV brasileira.

    Publicado por jagostinho @ 09:34



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