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  • 26maio

    BLOG DO JOSIAS DE SOUZA/FOLHA ONLINE

    Uma sabatina promovida pela CNI, em Brasília, virou ensaio dos confrontos que estão por vir na disputa presidencial.

    O formato do evento não ajudou. Não houve debate. Cada candidato falou separadamente.

    Porém, beneficiado pela ordem dos expositores, José Serra, que falou depois de Dilma Rousseff, cuidou de dar ao ato uma cara de embate.

    Em queda nas pesquisas, o Serra desta terça-feira (25) soou bem mais incisivo que o Serra das últimas semanas.

    Primeira a falar, Dilma atacou o PSDB e recobriu de elogios a gestão Lula. Realçou o seu papel: “Tenho uma contribuição muito grande para o sucesso do governo do presidente Lula. Coordenei os programas e participei diretamente de vários deles”.

    Mais: “Eu fiz, eu sei fazer. Não só prometo. A esperança que o presidente Lula colocou para o Brasil é uma esperança fundada, não fundada em vãs promessas”.

    Serra, segundo expositor, tentou demonstrar que não é bem assim. Rebateu sua rival. Apontou problemas na área em que Dilma se julga bambambã: a infraestrutura: “Somos o penúltimo país na taxa de investimento. Só perdemos para o Turcomenistão”.

    Entre os setores em que vê desestrutura, Serra citou os portos e os aeroportos. Transmitido ao vivo pela web, o embate alcançou também a área tributária. Disse que, a despeito do PAC, falta “prioridade”, “planejamento e qualidade de gestão”.

    A queda de braço alcançou também a área tributária. Dilma disse que, eleita, tentará fazer, nos primeiros cem dias de gestão, uma reforma tributária. Sem prejuízo de ajustes “pontuais”, que desonerem a produção.

    Serra trouxe aos holofotes o projeto de reforma tributária que o governo tentara aprovar no Congresso. Disse que, ainda governador de São Paulo, leu “o diabo do projeto”. Considerou-o ruinoso.

    Jactou-se: “Eu fui um elemento importante para que essa ruína não fosse aprovada”. Disse que toda a engrenagem estatal foi loteada entre os partidos políticos. A Infraero, as agências reguladoras. A Funasa, segundo ele, foi aniquilada.

    Declarou que, ao tempo em que foi ministro, recusou-se a aceitar indicações políticas. Nada disse, porém, sobre o fato de a prática ter sido adotada sob FHC à larga, em inúmeros recantos da máquina estatal.

    A esse respeito, Dilma respondeu a Serra em entrevista posterior. Disse que é possível aceitar indicações políticas preservando o caráter técnico das indicações. Dilma e Serra divergiram também sobre a política monetária. A candidata de Lula defendeu a gestão do Banco Central.

    E Serra: “Eu não entendi aqui a explicação que a ex-ministra deu quando ela defendeu a política cambial e os juros”.

    Lembrou: o Brasil tem a “maior taxa de juros do mundo”. Disse que, na crise, o BC demorou quatro meses para baixar os juros. O câmbio, leva a “desindustrialização”.

    Repetiu que o BC não é a Santa Sé. Tem de trabalhar afinado com outras áreas do governo. Não considera cabível que divirja da Fazenda.

    Última a falar, Marina Silva criticou o “plebiscito”. Só falou de questões ambientais quando perguntada. Preferiu cuidar de economia e política. Criticou o perfil de seus contendores.

    Disse que FHC e Lula, cujas gestões elogiou, não são gerentes, mas líderes políticos. Questionou a atmosfera de “plebiscito”.

    No primeiro turno, ela enfatizou, vota-se com o “coração”. No segundo “a gente desvia do pior”.

    Acha que a sociedade saberá restabelecer a lógica do processo eleitoral.

    Sobre os juros, Marina disse que há outras maneiras de controlar a inflação. O corte de gastos, por exemplo. Sobre o PAC, afirmou que “Não é um programa, é uma colagem de obras”.

    Quanto à infraestrutura, disse que sua equipe prepara uma proposta.

    “O Estado que produz mais minérios no Brasil, Minas Gerais, tem que comprar trilhos da China. Por aí já se explica a importância da indústria nacional”, disse.

    Marina apropriou-se do bordão de Serra. O Brasil, segundo ela, de fato “pode fazer mais e melhor”.

    Mas não no modelo pré-concebido que se insinua nas candidaturas rivais. É preciso, disse, estimular a criatividade:

    “Acreditar mais, sonhar mais, cobrar mais, ousar mais”.

    Como se vê, foi um bom embate. Aos pouquinhos, os presidenciáveis vão se soltando.

    É pena que a CNI não tenha optado por um formato que privilegiasse a discussão direta entre os candidatos.

    Mas os debates televisivos vêm aí.

    Publicado por jagostinho @ 12:31



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