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  • 14jan

    BLOG OBSERVATÓRIO/CÁSSIO BARBOSA

    Logo depois do post sobre o meteorito de Marte que está aí ao lado, eu contei a novidade a um colega meu da universidade que trabalha com astrobiologia. Na verdade, astroquímica experimental. Conversa vai, conversa vem, não é que ele saca da mochila uma pequena coleção de meteoritos? Essa coleção foi obtida de uma colaboração dele para estudos.

    Esse em destaque na foto é um pedacinho de Marte, um tipo de meteorito conhecido como condrito. Os condritos representam 86% dos meteoritos que atingem a Terra. Todos os dias toneladas deles adentram a atmosfera, mas poucos “sobrevivem” e chegam ao solo.

    Os condritos têm esse nome por causa da presença de partículas arrendondadas compostas por silicatos. Alguns condritos são especiais porque carregam elementos químicos em quantidades diferentes das encontradas na maioria dos meteoritos recuperados, que pela semelhança com rochas terrestres indicam que se formaram junto com o Sistema Solar.

    Essa quantidade “anômala” de elementos químicos, em especial gases nobres, indica que esses meteoritos se formaram perto de outra estrela, a partir de uma nuvem com uma composição química diferente da nuvem que originou o Sistema Solar. Esses meteoritos estiveram viajando pelo universo durante bilhões de anos, até serem atraídos pela gravidade da Terra e cair.

    Bom, o fato é que este condrito em especial veio de Marte, arrancado por um impacto violento, e ficou viajando aí por alguns milhares/milhões de anos até cair na Terra, ser recuperado e ir parar na minha mão!

    A caixinha branca em cima da mesa contém fragmentos de mais 4 meteoritos, um deles o famoso Allende, tido como o mais estudado do mundo. Esse meteorito caiu no México um pouco antes da missão Apolo XI. O mundo inteiro tinha preparado laboratórios para analisar as amostras de rochas lunares e de repente havia centenas de quilos do meteorito disponíveis para análise. Resultado: todos receberam amostras para testar a capacidade dos novos laboratórios e o Allende se tornou um dos pedaços de rocha mais estudados do mundo.

    O microscópio ao fundo é de um projeto de outro colega. Ele o usa para estudar anéis de crescimento em árvores antigas. Esses anéis são criados no caule das árvores conforme elas crescem. O crescimento é determinado por uma série de variáveis, como o ciclo de chuva/seca por exemplo.

    Mas o padrão de crescimento desses anéis é influenciado pelo ciclo de manchas solares também. É possível determinar os períodos de máximo e de mínimo solar a partir de pedaços de árvores. Esse campo de pesquisa chama-se interação Sol-Terra.

    Mas essa é uma outra história que eu conto outro dia.


    Publicado por jagostinho @ 12:05



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