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  • 23nov

    JORNAL DO BRASIL ONLINE

    Falo como um brasileiro nascido em São Paulo, que se sente brasileiro até o último fio de cabelo. Sou bahá’í, com mãe de origem muçulmana e pai de origem judaica. Os dois nasceram no Irã e imigraram para o Brasil na década de 60.

    Ao escrever esse artigo, pensei que o mais útil e correto seria fazer uma lista de violações de direitos humanos cometidas pelo governo iraniano nos últimos 30 anos, falar sobre a perseguição às mulheres, aos bahá’ís, sunitas, curdos, homossexuais e cristãos.

    Contar como sofrem os jornalistas que tentam trabalhar e têm suas vidas viradas do avesso por órgãos paramilitares; descrever a batalha da Prêmio Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi, que teve seus dois escritórios em Teerã fechados e suas seis funcionárias presas. Mas isso não é novidade.

    Pensando em como contar o que acontece, preferi tentar me imaginar crescendo no Irã após a revolução de 1979, em meio aos abusos da ortodoxia xiita iraniana e do desrespeito aos direitos humanos.

    Se tivesse nascido no Irã, com certeza não chegaria à universidade (os bahá’ís têm acesso negado à educação superior); não teria um passaporte válido, nem poderia trabalhar para um órgão governamental.

    Visitar o cemitério onde meu pai está sepultado seria impossível. Quase todos os cemitérios bahá’ís no Irã foram destruídos.

    Se estivesse no Irã, meus companheiros da Assembleia Bahá’í de São Paulo, órgão de nove pessoas eleitas democraticamente pela comunidade da cidade, provavelmente estariam presos comigo em alguma cela úmida na famigerada prisão de Evin, em Teerã.

    Ou seriam um dos mais de 250 bahá’ís mortos pelo Irã desde 1979. Nessa mesma prisão esteve a jornalista de origem iraniana Roxana Saberi, que neste ano, ao ser libertada, relatou os meses em que esteve encarcerada na companhia de líderes Bahá’ís, militantes de direitos humanos e intelectuais.

    Por uma graça divina, meus pais vieram para o Brasil. Aqui pude estudar e trabalhar livremente. Vi a campanha das Diretas Já e a construção da nossa democracia.

    Vi um sindicalista nascido em uma cidade pobre do Nordeste se eleger presidente da República.

    Acompanhei a luta da comunidade negra pela busca de direitos iguais na sociedade e a instituição da Lei Maria da Penha para a proteção das mulheres contra os abusos de seus companheiros. Tudo isso em menos de 30 anos.

    No Irã, veria o contrário: sindicatos sendo abolidos e seus líderes mortos, direitos das mulheres cada vez mais desrespeitados e o direito das minorias se transformando em uma fábula na cabeça dos líderes iranianos.

    Hoje, estou no Brasil. Aquele meu outro “eu”, provavelmente, está em uma prisão no Irã. Considero minha obrigação pedir ao presidente Lula que o ajude a conquistar a liberdade.

    Flavio Azm Rassekh é cineasta.

    Publicado por jagostinho @ 16:34



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2 Respostas

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  • darcy Disse:

    é cara vc teve muito sorte. Mas que o teu pessoal é ignorante é. Faz séculos.

  • valério Disse:

    cara, o seu lugar é lá. Defender seus ideais. Escrever cartinha aqui é fácil amigo.

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