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  • 18set

    Claraboia da realidade

    “A poesia é uma claraboia da utopia”
    Mario Benedetti (escritor uruguaio, 1920/2009)

    Uma tentativa de revelar o cotidiano do nosso Parlamento, mesmo que feita sob critérios da mais absoluta precisão, ainda é passível de colidir com a percepção popular. Em tempos “normais” isso já seria uma tarefa dificílima; nos “tempos do cólera”, se transforma numa tarefa impossível.

    As sucessivas crises que assolaram o Congresso Nacional ampliaram consideravelmente as frustrações coletivas. A classe política, por sua vez, foi incapaz de conter o desencanto da população com o Legislativo.

    O julgamento da sociedade não pactua com a condescendência. Pelo contrário, ele é revestido de assustadora franqueza. No contexto da sociedade da informação e crescimento vertiginoso da internet, as expectativas, os desencantos e até ambições populares foram sendo gradativamente canalizados para os domínios da rede mundial de computadores.

    A catarse coletiva encontrou na internet um espaço alternativo para encaminhar seus reclames e protestar. Desde então, qualquer tentativa de escamotear a percepção da realidade caiu por terra. As demandas e perplexidades passaram a ser conhecidas em tempo real.

    Foi assim que todos tomaram conhecimento de que, no inventário das grandes reformas, a reforma política foi, sem dúvida, a mais preterida de todas. A reforma eleitoral aprovada pelo Senado Federal foi o arremedo possível dentro das atuais condições de temperatura e pressão.

    O debate suscitado sobre as regras que deveriam balizar a internet nas próximas eleições deveria ter sido mais exaustivo. Tangidos pelo tempo, os senadores abreviaram as discussões para não comprometer a aplicação da lei em 2010.

    Defendi, mediante a apresentação de emendas ao Projeto de Lei da Câmara nº 141, minha visão de que era inaceitável aprovar qualquer mecanismo de amarra para restringir a manifestação política na web.

    A internet é uma forma de comunicação que não admite a censura. Qualquer tentativa nesse sentido constitui afronta às liberdades de opinião e de crítica.

    Fui categórico ao reprisar a necessidade de banir qualquer matiz de censura nesse novo meio de comunicação, franqueando a ampla participação da cidadania na Rede.

    A internet é, inegavelmente, o eixo condutor da sociedade da informação, terreno no qual não pode germinar nenhum resquício de censura ou limitação de qualquer natureza na difusão de informação. Ela se transformou na ferramenta mais poderosa para informar, organizar e mobilizar as pessoas.

    A tentativa de cercear os sites e blogs, banida na última hora, contribuiria para afastar ainda mais a população dos parlamentares e reforçar a dissociação entre cidadão e classe política.

    Para transpor o fosso que separa o Parlamento da sociedade é preciso construir uma ponte sólida e livre de vícios, pela qual possam trafegar sem obstáculos nem prevenções os legítimos anseios do povo brasileiro. Se conseguirmos edificar essa ponte, na outra margem, como diria Mario Benedetti, nos esperariam um “pêssego e um País”.

    Não podemos produzir leis que realcem o que há de amorfo e asfixiador no cenário do Parlamento. As casas do Congresso Nacional precisam, em algum momento, abrigar uma claraboia para a realidade.

    Senador Alvaro Dias – 1º vice- líder do PSDB

    Publicado por jagostinho @ 14:25



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